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Com aquecimento global, crescimento do país e desperdício, demanda de água no Brasil pode aumentar quase 80% até 2040, aponta estudo

Estudo do Instituto Trata Brasil estima cenários da demanda futura de água no país para pensar como o setor de saneamento básico deve se planejar para conseguir atender a população de forma eficiente e sustentável.

Por Clara Velasco, G1

A demanda de água potável no Brasil pode aumentar quase 80% até 2040 diante de mudanças econômicas, demográficas e climáticas. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil com a Ex Ante Consultoria divulgado nesta quarta-feira (26) e obtido com exclusividade pelo G1.

O trabalho estima cenários da demanda futura de água no país para pensar como o setor de saneamento básico deve se planejar para conseguir atender a população de forma eficiente e sustentável.

Um dos principais cenários prevê mudanças expressivas no padrão de consumo dos brasileiros e uma elevação otimista do PIB per capita. O período analisado é de 2017 a 2040. Os dados mais recentes do setor se referem a 2018.

Estudo estima o aumento da demanda de água no país nos próximos anos. — Foto: Juliane Souza/Arte

Estudo estima o aumento da demanda de água no país nos próximos anos. — Foto: Juliane Souza/Arte

Considerando apenas os crescimentos econômico e demográfico dos próximos anos, os brasileiros devem demandar 14,3 bilhões de metros cúbicos de água em 2040. Esse valor é 43,5% superior à quantidade de água que foi efetivamente entregue para a população em 2017 (10 bilhões de metros cúbicos).

Isso significa, segundo o estudo, que o país precisaria de 4,4 Sistemas Cantareiras cheios a mais só para atender a água adicional em 2040.

“Os fatores econômico e demográfico são clássicos. O demográfico quer dizer que vai haver uma expansão da população, e, aí, surgem novas bocas para serem alimentadas e nutridas com água”, diz Fernando Garcia, o principal pesquisador do estudo.

Segundo ele, o consumo de água também aumenta com a idade, principalmente na idade ativa, de trabalho. “Esse processo de crescimento ainda é intenso no Brasil, o que deve gerar um aumento de demanda de água nas residências nos próximos anos.”

Já o aumento da demanda por causa de questões econômicas acontece principalmente quando existe crescimento com mobilidade social, em que as pessoas mudam para moradias melhores e demandam mais o serviço de água tratada.

“O Brasil está com uma tendência forte de reduzir a população rural e aumentar a população urbana. Mesmo que a pessoa continue trabalhando no campo, ela está morando na cidade. Isso faz com que as cidades cresçam e demandem mais água.”

Além disso, outro ponto importante é a ampliação da cobertura do serviço de água encanada. “Neste cenário mais otimista, o Brasil terá acesso universal ao serviço de água potável em 2040. É um cenário que a gente espera que ocorra, já que os indicadores estão crescendo, mesmo que lentamente, nos últimos anos”, diz Garcia.

Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2018, 83,6% da população brasileira é atendida com água tratada. Em 2011, esse percentual era de 82,4%.

“Consideramos um crescimento econômico razoável. Não é chinês, mas é parecido com o que tivemos nos últimos 15 anos. Também consideramos o ritmo de urbanização de acordo com o nosso histórico, mas aceleramos os investimentos para universalizar a água, já que a disposição de investir no setor está grande com o novo marco regulatório. É um mundo possível de ser atingido, mas é um desafio imenso.”

Desperdício de água

O desafio fica ainda maior se o país continuar mantendo os mesmos índices de desperdício e de perda de água na distribuição que tem hoje.

Atualmente, o Brasil perde quase 40% da água potável que produz por causa de vazamentos, roubos e erros de medição. Isso significa que a produção teria que aumentar ainda mais para que o país consiga entregar água para todo mundo que precisa em 2040.

O estudo considera que o país teria que produzir 7 bilhões de metros cúbicos de água a mais em 2040 se, além dos crescimentos econômicos e demográficos, o desperdício também for considerado. Isso equivale a um aumento de 70,5% em relação ao que foi entregue em 2017.

O trabalho também destaca que o que foi desperdiçado em 2017 (3,8 bilhões de metros cúbicos) quase seria suficiente para suprir a demanda incremental de água por conta dos crescimentos econômicos e demográficos no país (4,3 bilhões de metros cúbicos).

Ou seja, se o país conseguisse reduzir o desperdício, não precisaria captar muito mais água da natureza para cobrir o aumento de demanda dos próximos anos.

“A gente tem que fazer investimentos incrementais e começar a fazer uma política de redução de perdas. Você cresce a oferta de água para as famílias sem pressionar os recursos hídricos, o meio ambiente”, diz Garcia.

“É uma meta de sustentabilidade para o setor, de não apenas crescer e esgotar os recursos. E tem que fazer a conta, pois tem muita empresa que perde dinheiro com esses desperdício que teria como melhorar.”

Aquecimento global

Além dos três fatores já analisados, o estudo também considera as mudanças climáticas e os impactos que elas podem causar na demanda de água potável no país.

O levantamento mostra que o acréscimo de 1°C na temperatura máxima ao longo do ano até 2040 no Brasil elevaria o consumo de água em 2,4%.

Assim, considerando os crescimentos econômicos e demográficos, os atuais níveis de desperdício e o aquecimento global, o valor final de produção a mais de água chega a 7,6 bilhões de metros cúbicos, 76,1% a mais que o total de água efetivamente entregue no Brasil em 2017.

“Esse aumento de mais de 2% por causa do aquecimento global não é muito quando você considera todos os fatores, mas é um desafio adicional”, diz Garcia.

“É importante destacar que esse efeito não é homogêneo no país. Não vai ter problema nenhum com escassez de água na Amazônia, no Pantanal e no litoral. Mas, na região semi-árida, a gente vai ter um ‘problemão’. Vai faltar recurso hídrico de forma sistemática”, diz o pesquisador.

Por isso, segundo o ele, este é um fator que deve ser acompanhado de perto.

“A umidade relativa do ar cai, diminui a entrada de água nos mananciais e tem maior evaporação de água reservada. Além disso, com mais calor, tem mais demanda de água pela população. E esse não é um problema brasileiro, é uma questão mundial”, diz.

Assim, diante do aumento expressivo de demanda de água para os próximos anos, Garcia destaca que os investimentos no saneamento básico têm que ter bom planejamento (inclusive, de longo prazo).

“Tem que investir muito para correr atrás disso. Tem que racionalizar, pois tem um desperdício muito grande. E tem que monitorar o aquecimento global e os impactos locais e fazer políticas para mitigar esses efeitos”, diz o pesquisador.

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Instituto Raoni denuncia tiros em porteira de acesso à aldeia onde cacique vive em MT

Foram encontradas 29 cápsulas deflagradas e marcas de disparo nas madeiras do bloqueio. A comunidade pertence a Terra Indígena Kapot Jarinã, onde vive o cacique Raoni Metuktire.

Por G1 MT

Cápsulas deflagradas foram encontradas na porteira da aldeia — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

Cápsulas deflagradas foram encontradas na porteira da aldeia — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

Dois homens armados tentaram invadir a aldeia Piaraçu na noite dessa segunda-feira (24) e causou medo aos indígenas que vivem na região. A comunidade pertence a Terra Indígena Kapot Jarinã, onde vive o cacique Raoni Metuktire.

O caso foi denunciado pelo Instituto Raoni à Polícia Militar.

Conforme relato dos moradores, os homens chegaram em uma caminhonete. Eles tentaram abrir a porteira que bloqueava o acesso à aldeia e fizeram vários disparos.

Segundo a polícia, foram encontradas 29 cápsulas de calibre .9mm deflagradas e marcas de disparo nas madeiras do bloqueio.

Homens armados tentaram destruir porteira que dá acesso ao território indígena em MT — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

Homens armados tentaram destruir porteira que dá acesso ao território indígena em MT — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

Na tentativa de entrar no local, um carro da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) chegou para buscar um indígena. Nesse momento, os suspeitos perguntaram ao motorista se a balsa estava passando. Ao serem informados que não, os dois homens foram embora.

Um índio que estava voltando da cidade encontrou a caminhonete em alta velocidade indo em direção ao município de São José do Xingu.

A equipe da PM foi até a estrada a região onde foram feitas as abordagens para localizar a caminhonete e os ocupantes, mas nada foi encontrado.

Cápsulas encontradas no local foram recolhidas  — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

Cápsulas encontradas no local foram recolhidas — Foto: Instituto Raoni/Divulgação

A ocorrência foi encaminhada para a Delegacia da Polícia Civil. O delegado André Rigonato determinou nesta terça-feira (25) a instauração de um auto de investigação preliminar para apurar a ocorrência e coletar mais informações.

O neto de Raoni, Patxon Metuktire, informou que as lideranças da região se reuniram para falar sobre o caso. Segundo ele, a população acredita que os homens tentavam fugir pela região.

“É muito cedo para chegarmos a uma conclusão. Imaginamos que eles tenham feito algo de errado e estavam tentando fugir por ali. Não acredito que eles vieram atacar”, disse.

Apesar disso, Patxon afirmou que a ação assustou a comunidade. Como forma de segurança, um alerta foi emitido para que os moradores das aldeias e da cidade não abram as portas caso alguém com as mesmas características dos suspeitos peça informações.

“Foi um susto por causa dos disparos efetuados, mas os representantes entendem que era alguém tentando fugir por aquele caminho”, ressaltou.

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Governo federal reabre visitação em parques nacionais pelo país

Reabertura deve acontecer de forma ‘gradual e monitorada’ e mediante cumprimento dos protocolos de segurança sanitária.

Por G1

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou uma portaria no Diário Oficial desta quarta-feira (26) autorizando a reabertura dos parques nacionais.

visitação aos parques havia sido suspensa em março, no início da crise provocada pela Covid-19 no Brasil. Desde então, alguns parques já haviam reaberto, como o Parque Nacional de Jericoacoara e o Parque Nacional do Itatiaia.

Segundo o texto, a reabertura deve acontecer de forma “gradual e monitorada” e mediante cumprimento dos protocolos de segurança sanitária dos estados onde a unidade se encontra.

A reabertura deverá respeitar as medidas de prevenção e a retomada das atividades de turismo e atrativos naturais estabelecidos pelos estados e municípios.

Para as Unidades que detenham contrato de concessão de uso público, a reabertura da visitação deverá ser pactuada entre o Poder Concedente e a Concessionária.

Medidas de prevenção

A visitação pública será permitida desde que se cumpra uma série de normas estabelecidas pelo ICMBio.

Será obrigatório o uso de máscara de proteção facial cobrindo a região do nariz e boca durante todo o período que o visitante estiver no interior da unidade de conservação.

Além disso, as unidades deverão disponibilizar álcool gel 70%, estimular e priorizar a venda on-line de ingressos, permitir agendamentos para evitar filas e aglomerações, fazer marcações no piso para promover o distanciamento de 2 metros entre as pessoas, além da limpeza e desinfecção constantes dos ambientes, entre outras medidas.

Nos lugares fechados como abrigos, auditórios, centro de visitantes, lojas de conveniência e souvenirs o número de visitantes deve ser reduzido para permitir o espaçamento mínimo de 2 metros entre as pessoas.

O Brasil possui, atualmente, 73 parques nacionais administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente criada em 2007. Desses, 42 são abertos para a visitação do público.

Os parques têm como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. São áreas de pesquisa científica, desenvolvimento de educação ambiental e turismo ecológico.

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Com diferença de 5 horas, casal de idosos morre por complicações da Covid-19 em Aparecida de Goiânia, diz família

José Basílio e Custódia, de 83 e 79 anos, estavam internados no mesmo hospital. Neta diz que os dois eram muito unidos e estavam casados há 62 anos: ‘Não conseguiriam viver um sem o outro’.

Por Millena Barbosa, TV Anhanguera

José Basílio e Custódia, de 83 e 79 anos, estavam internados em hospital de Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Carol Basílio/Arquivo pessoal

José Basílio e Custódia, de 83 e 79 anos, estavam internados em hospital de Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Carol Basílio/Arquivo pessoal

Um casal de idosos que estava internado no mesmo hospital morreu em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. De acordo com a família, José Basílio de Freitas, de 83 anos, e Custódia Laureana de Freitas, de 79, morreram em um intervalo de cinco horas.

“Eles eram muito unidos. Um não aguentaria viver sem o outro. Até nesse momento eles permaneceram juntos. Se existe definição de amor, a definição é a relação deles”, disse a neta do casal, Carolina Basílio.

Segundo a família, os dois foram diagnosticados com a doença no dia 18 de julho. Dois dias depois, tiveram de ser internados e, em seguida, transferidos para leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde ficaram até sábado (22), quando morreram.

Custódia, que tinha hipertensão, morreu por volta das 3h. Cinco horas depois, às 8h, José faleceu. Ele possuía doença de Chagas.

“Foram 62 anos de casados, quatro filhos, oito netos e quatro bisnetos. Uma linda história de amor, um exemplo de matrimônio para todos na família”, afirmou a neta.

José Basílio e Custódia, de 83 e 79 anos, estavam casados há 62 anos, em Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Carol Basílio/Arquivo pessoal

José Basílio e Custódia, de 83 e 79 anos, estavam casados há 62 anos, em Aparecida de Goiânia, Goiás — Foto: Carol Basílio/Arquivo pessoal

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Lucro da Caixa cai 39% no 2º trimestre, para R$ 2,6 bilhões

No semestre, lucro líquido somou R$ 5,6 bilhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período do ano passado. Caixa informou que já pagou R$ 202,8 bilhões de auxílio, saque do FGTS e BEm.

Por Darlan Alvarenga, G1

A Caixa Econômica Federal divulgou nesta quarta-feira (26) que registrou um lucro líquido contábil de R$ 2,558 bilhões no segundo trimestre, valor que representa uma queda de 39,3% frente ao mesmo período do ano passado (R$ 4,212 bilhões).

Já na comparação com o resultado do 1º trimestre de 2019, a queda foi de 16,1%.

No semestre, o lucro líquido somou R$ 5,6 bilhões, uma queda de 31% na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 8,1 bilhões).

O retorno sobre o patrimônio líquido, um indicador da lucratividade dos bancos, caiu para 12,1% no 2º trimestre, ante 14,9% no trimestre anterior.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 5,4 bilhões, redução de 18,8% quando comparado ao segundo trimestre do ano anterior. Já as despesas administrativas tiveram alta de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A despesa com provisão de crédito para devedores duvidosos saltou 40% no 2º trimestre, em relação ao 1º trimestre, para R$ 2,8 bilhões, somando R$ 4,8 bilhões no semestre.

Carteira de crédito cresce

A carteira de crédito ampla da Caixa cresceu 5,5% na comparação com o 2º trimestre do ano passado e atingiu R$ 720,1 bilhões em junho, impulsionada por aumentos de 7,2% em habitação, 34,3% em crédito rural, de 2,6% em saneamento e infraestrutura, de 1,1% em crédito comercial pessoa física e de 6,3% na carteira comercial pessoa jurídica.

“Somente no segundo trimestre, a Caixa contratou mais de R$ 100 bilhões em crédito, valor 10,5% superior ao primeiro trimestre de 2020”, destacou o banco.

O índice de inadimplência totalizou 2,48%, ante 3,14% no 1º trimestre e 2,46% no mesmo período do ano passado.

Carteira de crédito imobiliário cresce 7,2% em 12 meses

A Caixa informou que o saldo da carteira de crédito habitacional cresceu 7,2% em 12 meses e chegou a R$ 484,7 bilhões em junho, dos quais R$ 302,2 bilhões foram concedidos com recursos FGTS e R$ 182,4 bilhões com recursos da caderneta de poupança.

O banco segue líder absoluto do segmento no país, com 69,3% de participação de mercado, segundo destacou o balanço.

A Caixa encerrou o semestre com um total de 128,1 milhões de correntistas e poupadores, dos quais 125,6 milhões de pessoas físicas e 2,5 milhões de pessoas jurídicas.

Arrecadação de loterias cai

As Loterias Caixa arrecadaram R$ 7,4 bilhões no 1º semestre de 2020, valor 8,2% menor que o apurado no mesmo período do ano passado.

R$ 202,8 bilhões em auxílio emergencial, FGTS emergencial e BEm

O banco também divulgou um balanço dos pagamentos dos benefícios governamentais para amenizar os impactos da pandemia do novo coronavírus. Segundo a Caixa, já foram pagos R$ 202,8 bilhões para um total de 95,5 milhões de pessoas, considerando o Auxílio emergencial, o saque emergencial do FGTS e o benefício emergencial (BEm).

Os valores já pagos foram distribuídos assim:

  • Auxílio Emergencial: R$ 173,4 bilhões, pagos a 66,9 milhões de pessoas
  • Saque Emergencial FGTS: R$ 18,3 bilhões, pagos a 23,8 milhões de pessoas
  • Benefício Emergencial (BEm): R$ 11,1 bilhões, pagos a 4,8 milhões de pessoas

A Caixa informou também já ter concedido o montante de R$ 7,3 bilhões em crédito a mais de 57,9 mil empresa, no âmbito do Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), além de R$ 2,2 bilhões a mais de 28,6 mil empresas em linhas do financiadas pelo Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe).

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Mulher adota cão que a ‘consolou’ após morte da mãe por Covid-19: ‘apareceu no momento que mais precisei’

Segundo Jaqueline, o cãozinho desapareceu após consolá-la e reapareceu depois de quase uma semana. Ele foi batizado como Anjo Gabriel.

Por Laura Moura, G1 PI — Teresina

A protetora de animais Jaqueline Masceno decidiu adotar o cão que a ‘consolou’ no momento em que ela descobriu que sua mãe havia falecido em decorrência da Covid-19 no Hospital do Parque do Piauí, na Zona Sul de Teresina. No sábado (22), o cãozinho foi visitar o túmulo da mãe de sua nova dona.

Após o cachorro ter a consolado, ela contou ao G1 que não o viu mais. Somente na última sexta-feira (21), ele reapareceu e Jaqueline foi avisada por uma das enfermeiras da unidade de saúde.

“Depois daquele dia, eu não o tinha mais visto. Quando foi na sexta-feira (21) que eu cheguei da missa de sétimo dia da minha mãe foi que a enfermeira do hospital me ligou dizendo que ele estava na porta do hospital. Então, o rapaz que é do grupo pelo qual eu participo foi até o local e o trouxe para minha casa”, comentou.

Cachorro consola mulher que perdeu mãe vítima da Covid-19, em Teresina — Foto: Arquivo Pessoal Rhavenna Veloso

Cachorro consola mulher que perdeu mãe vítima da Covid-19, em Teresina — Foto: Arquivo Pessoal Rhavenna Veloso

A protetora não ia ficar com o cãozinho por ter outros animais em sua casa. Entretanto, os seus bichinhos acabaram se dando bem com ele. “Eu ia levar para o abrigo porque tenho cachorros aqui em casa com problemas e ele não poderia ficar por não ser castrado. Mas, ao chegar aqui, as minhas cadelas não estranharam ele”, explicou.

No sábado (22), o animal foi até o túmulo onde foi sepultada a mãe de Jaqueline, momento em que ela decidiu adotá-lo. “Eu fui ver a minha mãe e, então, eu o levei. Nós estávamos indo para o sítio para deixar ele lá, mas foi quando eu decidi ficar com ele”, disse.

O cãozinho foi batizado como Anjo Gabriel. Para a protetora, se tornou uma obrigação cuidar dele.

“Ele apareceu e me consolou no momento em que mais precisei. Ele estava ali me consolando e eu senti que era ela. Depois de sete dias, ele apareceu no mesmo local. Então é o destino. É um propósito de eu ter que cuidar dele, eu sinto que é uma obrigação minha”, confessou.

O animal passou pelo processo de castração, mas ainda precisa realizar outros exames e tomar vacinas. No momento, Jaqueline está desempregada e não tem condições de arcar com as despesas. Para as pessoas que quiserem realizar doações, a professora está disponibilizando seu contato que é (86) 9 8819-1836.

História de amor pelos animais

Josefa Masceno, de 74 anos, morreu com Covid-19 em Teresina — Foto: Arquivo Pessoal

Josefa Masceno, de 74 anos, morreu com Covid-19 em Teresina — Foto: Arquivo Pessoal

Ainda de acordo com Jaqueline, sua mãe tinha cuidado e carinho pelos animais e, mesmo com as limitações físicas, colocava comida para os animais que criava. Para ela, a mãe se despediu através daquele animalzinho.

“Ela era cadeirante, pois tinha uma perna amputada, mas mesmo assim tinha um amor muito grande por eles”, afirmou. Tenho certeza que foi através dele que ela veio se despedir. Foi inexplicável. O cachorro me abraçava forte demais”, relatou Jaqueline.

O cachorro fez companhia para Jaqueline até o momento em que o corpo de sua mãe foi liberado para ser enterrado. Após isso, ela buscou atendimento médico no hospital no dia seguinte e procurou o animal, mas não o encontrou.

Jaqueline pediu para que os profissionais de saúde do hospital lhe avisem quando ele aparecer, pois pretende levá-lo para um abrigo de animais onde atua como voluntária em Teresina.

Decretos no Piauí de isolamento social

Para evitar a contaminação pelo vírus, o isolamento social e medidas emergenciais foram determinadas por meio de decretos do governo do estado e das prefeituras, como na capital piauiense, para que a população fique em casa e evite ao máximo ir às ruas.

Aulas em escolas e universidades, a maioria das atividades comerciais, esportivas e de serviços em geral estão suspensas por tempo indeterminado.

Serviços essenciais como farmácias, postos de combustíveis e supermercados continuam mantidos mas estão regulamentados. O atendimento em clínicas, hospitais e laboratórios, assim como o funcionamento de escritórios de advocacia e contábeis também foram liberados mediante cumprimento de regras.

uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório em todo o estado. Policiais fazem abordagens nas fronteiras do estado a ônibus e veículos particulares. Os decretos preveem que quem descumprir as regras pode ser penalizado com multa ou até prisão.

Prevenção, contágio e sintomas

Lavar as mãos de forma correta (veja vídeo), uso de álcool em gel, sempre usar máscaras, evitar contato pessoal e aglomerações de pessoas são algumas das orientações para evitar o contágio da doença.

É importante também ficar atento quanto aos principais sintomas (tosse seca, congestão nasal, dores no corpo, diarreia, inflamação na garganta e, nos casos mais graves, febre acima de 37° C e dificuldade para respirar). Um guia ilustrado preparado pelo G1 ajuda a tirar dúvidas.

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Mais de 5 milhões de crianças de 0 a 3 anos precisam de creche no Brasil, aponta levantamento

Índice de Necessidade de Creche (INC) leva em conta crianças de famílias pobres, pais ‘solo’ ou em que as mães poderiam trabalhar se houvesse vaga para os filhos.

Por Ana Carolina Moreno, TV Globo

Quase metade de todas as crianças de 0 a 3 anos no Brasil tem necessidade de uma vaga em creche, segundo o novo Índice de Necessidade de Creche (INC), um indicador criado pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e divulgado pela primeira vez nesta terça-feira (25).

De 11.767.885 crianças nessa faixa etária no país, de acordo com as estimativas para 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5.414.989, ou 46% do total, precisam da creche, seja porque as famílias são pobres, porque são chefiadas por apenas uma pessoa adulta, ou porque suas mães ou principais pessoas cuidadoras trabalham, são economicamente ativas.

O estado brasileiro com o maior índice de necessidade de creche é São Paulo, onde 53,7% das crianças estão nessa situação. Veja no mapa abaixo:

Mapa mostra o Índice de Necessidade de Creche (INC) em 2018 por estado; quanto mais vermelho, maior a porcentagem de crianças que precisam de vaga  — Foto: Ana Carolina Moreno/TV Globo

Mapa mostra o Índice de Necessidade de Creche (INC) em 2018 por estado; quanto mais vermelho, maior a porcentagem de crianças que precisam de vaga — Foto: Ana Carolina Moreno/TV Globo

O indicador, segundo a fundação, foi desenhado não para medir quantas crianças de fato estão ou não matriculadas na creche, mas para dar aos prefeitos subsídios para entenderem as características de sua população local e conseguir desenhar políticas que atendam as pessoas que mais precisam.

“Hoje, o que os municípios normalmente trabalham é o que a gente chama de demanda manifesta”, explicou Heloísa Oliveira, diretora de Relações Internacionais da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Segundo ela, essa demanda é espera pela chamada “fila da creche” mantida pelas prefeituras. “A família foi até a escola e manifestou interesse, está na fila de espera.”

Mas Oliveira ressalta que muitas famílias, especialmente as mais vulneráveis, desconhecem esse direito, e não chegam a procurar uma escola para solicitar a inclusão na fila. “Fizemos o estudo para estimar a demanda real, que é maior que a demanda manifesta”, afirmou ela.

A especialista lembra que matricular crianças dessa faixa etária na creche não é uma obrigação para os pais, mas sim um direito, e que é dever do poder público garantir a vaga de quem optar pela matrícula.

Como é calculado o Índice de Necessidade de Creche

Para chegar à parcela das crianças de famílias que precisam de uma creche, o indicador usa três grupos demográficos como prioritários:

  • Crianças de todas as famílias consideradas pobres, ou seja, com renda de até R$ 140 per capita, segundo o critério do programa Brasil sem Miséria (2011). A renda foi reajustada seguindo o Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC);
  • Crianças não pobres de famílias monoparentais (pais ou mães “solo”), ou seja, onde o domicílio conta apenas com uma pessoa com 18 anos ou mais;
  • Crianças não pobres de famílias onde a mãe ou a principal pessoa cuidadora é economicamente ativa, ou teria potencial para ser economicamente ativa, caso houvesse vaga na creche para os filhos.
De 5,4 milhões de crianças de 0 a 3 anos com necessidade de creche, 23% são de famílias pobres, 2,7% são de famílias monoparentais e 20,3% são de famílias com mãe ou a principal pessoa cuidadora economicamente ativa    — Foto: Ana Carolina Moreno/TV Globo

De 5,4 milhões de crianças de 0 a 3 anos com necessidade de creche, 23% são de famílias pobres, 2,7% são de famílias monoparentais e 20,3% são de famílias com mãe ou a principal pessoa cuidadora economicamente ativa — Foto: Ana Carolina Moreno/TV Globo

Pela metodologia, a primeira parcela também pode incluir tanto famílias monoparentais ou nas quais a mãe trabalha. A diferença das outras duas parcelas é que, no primeiro caso, só são encaixadas as famílias consideradas pobres.

Para estimar o tamanho que corresponde a cada uma das categorias, além do critério de renda per capita e dados do IBGE sobre famílias monoparentais, o índice também tenta ir além das estatísticas oficiais e estimar a demanda em potencial de mães que trabalham. Veja como foi feita a estimativa:

  • Primeiro, os pesquisadores analisaram como está distribuída a taxa de atendimento de creche pela faixa de renda das famílias;
  • A análise mostra que, quanto mais rica é a família, maior é a porcentagem de crianças frequentando a creche. Esse número chega a 52,1%;
  • Como nessa faixa de renda a falta de recursos não é tida como um obstáculo para conseguir matricular os filhos na creche, já que, se não houver vaga na rede pública, os pais pagar por uma na rede privada, os pesquisadores consideram que pouco mais da metade das famílias tem necessidade de mandar seus filhos para a creche. Os demais optam por não fazer isso;
  • A partir desse cálculo, o número representativo da “necessidade das famílias ricas” foi aplicado a toda a categoria de crianças que se encaixam no terceiro quesito: as filhas de mães economicamente ativas e de famílias não pobres e não monoparentais.

Mães sem trabalho por falta de creche

Mas a terceira categoria inclui ainda uma parcela que não costuma ser considerada em outras análises até agora: a das “mães que seriam economicamente ativas se houvesse creche disponível”.

O estudo chegou a esse grupo levando em conta a proporção de crianças em idade pré-escolas (de 4 a 6 anos) que moram em famílias não pobres e não monoparentais, mas têm mães que trabalham.

Os pesquisadores notaram que essa proporção é mais alta do que entre as crianças menores. “A diferença entre as duas proporções indica que a falta de creches está tirando estas mães do mercado de trabalho. Se as duas proporções fossem iguais, seria possível supor que não existe problema de oferta de creche para este grupo”, diz o estudo.

De acordo com Karina Fasson, analista de conhecimento aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o número de mães “potencialmente” economicamente ativas no recorte da pesquisa é mais baixo do que o das mães que já trabalham. Mas as especialistas ressaltam que parte dessa população impossibilitada de trabalhar pela falta de creche também existe dentro da categoria de famílias pobres.

Características variam por município

Os dados analisados pelo INC indicam que o peso de cada uma das categorias pode ser maior ou menor de acordo com a característica do município. No caso tanto do estado de São Paulo quanto da capital, que é a terceira com maior INC, o índice é puxado para cima justamente por serem locais com maior número de mães economicamente ativas.

Veja as cinco capitais com INC mais alto:

  1. Salvador (63,3%)
  2. Maceió (59%)
  3. São Paulo (58,3%)
  4. Recife (57,0%)
  5. Manaus (56,9%)

As características de São Paulo são comuns também nos demais estados do Sul e do Sudeste. Já no Norte e no Nordeste, por exemplo, é a pobreza que acaba puxando o Índice de Necessidade de Creche para cima:

Mapa mostra o efeito de cada categoria na necessidade de creche dos municípios brasileiros  — Foto: Reprodução/Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Mapa mostra o efeito de cada categoria na necessidade de creche dos municípios brasileiros — Foto: Reprodução/Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

“O índice pode variar não apenas pelo nascimento, como pelas características da população”, afirma Heloisa. “Um empobrecimento maior pode aumentar o índice”, ressaltou ela, citando o impacto econômico da pandemia do novo coronavírus como um fator que pode aumentar a demanda sobre a rede pública de creches.

Impacto da pandemia na demanda

Apesar de ainda ser cedo para quantificar esse efeito, especialistas afirmam que o fechamento das escolas e a incerteza sobre o futuro devem pressionar ainda mais as prefeituras para conseguirem atender à fila de creche existente desde antes da quarentena, ao possível aumento dessa fila e à meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), que estipula que, até 2024, pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos estejam matriculadas na creche.

Em 2018, essa taxa era de 38,9% para todo o Brasil, mas com acesso desigual de município para município. Para que a meta seja cumprida, será preciso ampliar a oferta para absorver 1,9 milhão de crianças, estima o estudo.

Segundo José Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e especialista em financiamento da educação infantil, o desafio para dar conta das obrigações pré-existentes, e agora a pandemia, tem deixado os municípios no limite. “Municípios estão num certo limite, do ponto de vista. Os mais ricos dependem do ICMS, que caiu, e os mais pobres dependem do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que também caiu.”

De acordo com ele, uma das saídas encontradas por prefeitos para expandir as vagas em creche economizando dinheiro é optar pelos convênios com instituições particulares, onde não há piso salarial obrigatório para os funcionários nem garantir de tempo dedicado ao planejamento das aulas. “Sai mais barato porque vai ter pior qualidade”, resume ele.

Para evitar a precarização da educação infantil e a priorização das crianças que mais necessitam, tanto Rezende quanto Heloisa Oliveira defendem que o projeto do Novo Fundeb, que deve ser votado nesta semana no Senado, mantenha os mesmos critérios aprovados no Congresso, que incluem uma priorização de repasses para a educação infantil.

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PF faz operação para impedir que maior facção do país se estabeleça no Rio; equipes atuam em seis estados

A maior parte dos 27 alvos de mandados de prisão já estava encarcerada. Equipes saíram para cumprir sete mandados de prisão no RJ; havia alvos ainda em SP, PE, MG, PA e MS.

Por Lívia Torres e Márcia Brasil, Bom Dia Rio

PF faz operação para prender traficantes de uma facção de São Paulo

A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira (25) a Operação Expurgo, contra a tentativa do Primeiro Comando da Capital (PCC) de estabelecer uma base no Rio.

A 2ª Vara Criminal da Comarca de Bangu expediu 27 mandados de prisão no RJ, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul.

Treze dos alvos já estavam encarcerados. Até a última atualização desta reportagem, sete pessoas haviam sido presas.

Um dos procurados no RJ era Rafael Cobra, o Digato. Ele foi preso em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Outro alvo estaria em Três Rios, no Sul Fluminense.

Um dos procurados no RJ era Rafael Cobra, o Digato. Ele foi preso em Realengo, na Zona Oeste do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

Um dos procurados no RJ era Rafael Cobra, o Digato. Ele foi preso em Realengo, na Zona Oeste do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

Aliança regional

As investigações, iniciadas em dezembro de 2018, apontaram que os chefes do PCC objetivavam expandir a atuação no RJ. Para tanto, segundo a PF, contavam com parcerias com outras facções criminosas já atuantes no estado.

As diligências identificaram que os chefes, mesmo já presos, desempenhavam a gestão criminosa de dentro de presídios estaduais, de onde replicavam ordens e tomavam decisões — a exemplo dos chamados “salves”, ou recados — dados pela cúpula da organização.

PF faz operação para impedir que maior facção do país se estabeleça no Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

PF faz operação para impedir que maior facção do país se estabeleça no Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

Rede de comunicação no alvo

A PF descobriu ainda que os chefes do PCC e dos aliados no RJ mantinham uma rede de comunicação por aplicativos de mensagens e redes sociais.

Segundo as investigações, os suspeitos — mesmo os já presos — conversavam através de perfis sem foto e constantemente trocavam de chip de celular, a fim de mudar a linha telefônica e despistar as autoridades.

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Hacker que extorquiu padre Robson tinha um romance com ele e ameaçava expor casos, relata decisão

Segundo processo, pároco foi alvo de 5 extorsões e chegou a passar R$ 2,9 milhões da Afipe ao criminoso, o que deu início à investigação sobre desvio do dinheiro de doações. Defesa do padre nega irregularidades e diz que conteúdo usado para chantagem era falso.

Por Rafael Oliveira, G1 GO

Hacker que extorquiu padre Robson ameaçava expor casos amorosos, relata decisão

Hacker que extorquiu padre Robson ameaçava expor casos amorosos, relata decisão

O conteúdo usado por hackers para extorquir cifras milionárias do padre Robson Oliveira Pereira, de 46 anos, que comandava a Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade, na Região Metropolitana da capital, cita dois supostos casos amorosos do pároco, segundo depoimentos colhidos pela Justiça junto ao Ministério Público de Goiás e à Polícia Civil, que investigaram o caso. Ao todo o padre pagou R$ 2,9 milhões com dinheiro da Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno (Afipe) em troca do arquivamento das mídias. Foi esse processo que desencadeou a operação que investiga desvio de doações de fiéis.

A defesa do sacerdote, que está afastado das atividades religiosas, disse ao G1 que “padre Robson foi vítima de extorsão, tendo buscado suporte da Polícia Civil, que monitorou as transações, e culminou na prisão dos extorsionários. Já houve sentença, e os criminosos foram punidos pelo Judiciário com severidade. Não havia qualquer conteúdo verídico como objeto das ameaças”.

Do montante de R$ 2,9 milhões, o MP afirma que a associação ficou no prejuízo em R$ 1,2 milhão, quase a metade da quantia. Segundo a defesa do padre, o valor usado nos pagamentos foi recuperado e está depositado em conta judicial, aguardando liberação para retornar às contas da Afipe, associação que o padre fundou e presidia até pedir o afastamento, devido às investigações de desvio de dinheiro.

A reportagem não localizou a defesa do hacker, identificado como Welton Ferreira Nunes Júnior. Ele e mais quatro pessoas envolvidas no esquema de chantagem foram condenadas, com penas que variam de 9 a 16 anos de prisão, em 2019.

Um dos relacionamentos amorosos apontados pelo juiz Ricardo Prata na decisão seria com o próprio hacker que invadiu os celulares e e-mails do padre. O magistrado narra no documento que a informação foi realçada pelos hackers à época do processo de julgamento.

“Observa-se que os acusados foram responsáveis por transmitir as ameaças à pessoa da vítima [Robson], por meio de mensagens em aplicativos e e-mails. Nessas, disseram os acusados que a vítima possuiria relacionamento amoroso com diversas pessoas, inclusive com o próprio Welton”, diz o magistrado no documento.

O documento traz um segundo romance usado no esquema da chantagem. Em depoimentos ao Ministério Público, um policial civil que estava na investigação e uma pessoa próxima ao padre disseram que os hackers encontraram uma foto dele com uma mulher, também do círculo de amizade do pároco, e uma conversa relatando situações amorosas.

“Ele [Robson] me mostrava [mensagens]. Um dos vídeos, vamos lá, um deles né, parece que era um vídeo gravando a tela de outro celular, onde tinha uma foto do padre com a [mulher] próximos um ao outro, e suposta troca de mensagens amorosas, né?”, relatou a pessoa ao MP.

A existência da foto foi confirmada posteriormente pelo hacker em depoimento ao Ministério Público.

“Tinha foto dele com uma moça. Ela falando da data do primeiro encontro dele, essas coisas”, narra o hacker.

O juiz Ricardo Prata afirma que as ameaças intimidaram padre Robson a ponto de ele efetuar pagamentos de expressivos valores para fazer a vontade dos chantagistas.

Diante das extorsões que duraram dois meses, o magistrado diz que “o padre se viu, por diversas ocasiões, incapaz de celebrar missas e continuar com o seu trabalho, por ter sido afetado pelos amedrontamentos para denegrir sua imagem pessoal e como sacerdote”.

O pagamento milionário ao hacker levantou suspeitas por parte do Ministério Público, que começou a investigar os gastos da Associação Filhos do Pai Eterno. Os promotores apuram se R$ 120 milhões doados por fiéis à entidade foram usados por padre Robson para comprar uma casa na praia, fazendas e outros itens de luxo.

Entenda o caso

Começo da extorsão

Segundo o MP, dois hackers conseguiram invadir o celular e o computador pessoal do padre. As extorsões começaram no dia 24 de março de 2017. Um hacker, sob a alcunha de “Detetive Miami”, enviou um e-mail ao religioso pedindo R$ 2 milhões para não revelar informações pessoais dele, entre elas, um suposto caso amoroso do padre.

O padre, então, acreditando ser um golpe, por alegar “serem inverídicas as informações apresentadas”, passou a dialogar com o suspeito. Robson contatou a polícia e acordou, “dissimuladamente”, a entrega de R$ 700 mil.

A ação foi feita sob a supervisão da polícia, que autuou parte dos envolvidos, os levou para a delegacia e depois os liberou. Os hackers diziam que se não recebessem o dinheiro, entregariam as mídias à imprensa e ao Vaticano.

Imagens de câmera de segurança (veja abaixo) mostram uma mulher, considerada o braço direito do padre Robson, deixando maços de dinheiro em uma camionete estacionada em um shopping de Goiânia como parte dos pagamentos combinados com os hackers.

Processo que originou ação na Afipe cita extorsões milionárias contra padre Robson e ameaça de revelar suposto caso amoroso Goiás — Foto: Reprodução/TV Globo

Processo que originou ação na Afipe cita extorsões milionárias contra padre Robson e ameaça de revelar suposto caso amoroso Goiás — Foto: Reprodução/TV Globo

Novas extorsões

Como o plano não deu certo, os hackers continuaram a se comunicar com o padre exigindo dinheiro. Diante da situação, seis dias depois, eles voltaram a cobrar os R$ 2 milhões. Conforme o MP, a “vítima sucumbiu às extorsões recebidas e passou a realizar diversos pagamentos aos denunciados, ora sem e ora com o conhecimento da Polícia”.

O valor acabou sendo bloqueado pelo banco. Então, os hackers passaram a cobrar novamente o padre, de acordo com o processo. Em 13 de abril, eles acordaram o pagamento de R$ 500 mil “até que fosse resolvida a liberação do dinheiro transferido via transferência bancária”. O dinheiro seria deixado dentro de um carro na frente de um condomínio fechado.

Não satisfeitos, os suspeitos ainda acertaram um depósito de R$ 80 mil em 5 de maio. O último acordo foi feito a partir de 12 de maio. Conforme o MP, como o montante de R$ 2 milhões seguia bloqueado, o padre “aceitou fazer o pagamento de R$ 300 mil reais de forma parcelada”.

Os repasses só cessaram no final de junho, quando o hacker que comandava o esquema foi preso no Rio de Janeiro.

MP deflagra operação da Afipe, em Trinadade e mira padre Robson em Goiás — Foto: Montagem/G1

MP deflagra operação da Afipe, em Trinadade e mira padre Robson em Goiás — Foto: Montagem/G1

Padre Robson

Afastado da reitoria do Santuário Basílica de Trindade e da presidência da Afipe, entidade que ele próprio criou e é responsável por gerir a igreja, padre Robson é um dos alvos da Operação Vendilhões, deflagrada na última sexta-feira (21), quando 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

A Arquidiocese de Goiânia informou que uma empresa será contratada para fazer uma auditoria nas contas da Afipe. A entidade nega ainda que os valores arrecadados com doações tenham sido usados para outras finalidades que não as religiosas.

Em decorrência das investigações, o arcebispo metropolitano Dom Washington Cruz suspendeu temporariamente o direito de padre Robson a realizar celebrações. No documento, ele justifica que a medida foi tomada devido à “necessidade de prevenir escândalos, garantir o curso da Justiça e tutelar a fé, bem como investigar as acusações realizadas contra o padre Robson de Oliveira”.

Segundo o Ministério Público, a entidade presidida pelo padre recebia cerca de R$ 20 milhões em doações mensalmente. De acordo com o MP, a Afipe se tornou “uma grande empresa”. Algumas empresas com as quais a associação negociava tinham os mesmos sócios e funcionavam no mesmo endereço.

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Entenda como funcionam satélites que monitoram desmatamento na Amazônia; país tem volume de dados ‘absurdo’, dizem especialistas

Coordenador de monitoramento de biomas do Inpe afirma que microssatélite que Ministério da Defesa pretende comprar para monitorar a Amazônia fará o mesmo trabalho que o Instituto faz há décadas.

Por Laís Modelli, G1

Reprodução de imagens do site do Inpe mostra como a imagem aparece no satélite (à esquerda) e como ela é na realidade. Julho de 2019. — Foto: Reprodução/Inpe

Reprodução de imagens do site do Inpe mostra como a imagem aparece no satélite (à esquerda) e como ela é na realidade. Julho de 2019. — Foto: Reprodução/Inpe

Reportagem desta segunda-feira (24) publicada no jornal “O Globo” e confirmada pelo G1 revela que o Ministério da Defesa pretende comprar um microssatélite por R$145 milhões para monitorar a Amazônia.

Atualmente, no entanto, o monitoramento via imagens de satélites do desmatamento na Amazônia Legal já é função do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, desde 1988. O nível de precisão das imagens é de 95%, segundo o próprio instituto.

Levantados por dois sistemas de monitoramento remoto – o Deter e o Prodes -, os dados e alertas de desmatamento na floresta amazônica do Inpe são enviados ao Ministério da Defesa. (veja abaixo como funcionam os sistemas de monitoramento).

“O Inpe tem mais de 30 anos de experiência em monitoramento remoto da Amazônia”, afirma o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Outros Biomas do Inpe, Claudio Almeida.

“Os dados diários de alertas de desmatamento diários reunidos pelo Inpe são encaminhados ao Ministério da Defesa, que analisa as áreas com maior ocorrência de alertas”, explica Almeida.

Em nota enviada a “O Globo”, a pasta explicou que o microssatélite fornecerá imagens de radar, que não sofre interferência de nuvens e, por isso, pode monitorar melhor o território nacional.

Almeida explica que os satélites que carregam câmaras do tipo radar, ao contrário dos satélites óticos, não dependem da luz solar para registrar as imagens do território, pois emitem seu próprio pulso, podendo captar imagens inclusive a noite. “Os radares permitem atravessar a nuvem e captar a imagem.”

Ainda de acordo com o coordenador do Instituto, contudo, “o monitoramento do Inpe trabalha com os dois, radar e ótico.”

Como funciona o monitoramento via satélite do Inpe

Atualmente, o Inpe conta com dois sistemas via satélite para monitorar e calcular as áreas de desmatamento na Amazônia Legal: o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e o Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). Tais sistemas utilizam imagens de satélites internacionais que observam a Terra.

O primeiro deles, o Prodes, foi criado em 1988 para realizar um inventário anual de perda de floresta amazônica. Ele utiliza imagens de três satélites, o Landsat-8 (da Nasa), o Sentinel-2 (da União Europeia) e o Cbers-4 (do Inpe, em parceria com a China).

Em 2004, o Inpe criou o Deter, que utiliza imagens do sensor WFI, que está a bordo do satélite Cbers-4. O Deter acompanha em tempo real o desmatamento e a degradação na Amazônia, emitindo diariamente alertas que mostram áreas totalmente desmatadas (corte raso) e áreas em processo de degradação florestal ( provocada pela exploração de madeira, mineração, queimadas etc).

“Com o satélite Sentinel, temos imagens da Amazônia a cada cinco dias. Com o radar, a cada dois dias. Isso gera um volume absurdo de dados. Gerenciá-los é um grande desafio”, explica Almeida.

Prodes e Deter monitoram via satélite a mesma região, a Amazônia Legal, e têm funções complementares, com o objetivo de produzir dados sobre as florestas o ano todo.

“Já temos material suficiente”, diz o coordenador de monitoramento do Inpe.

Os microssatélites

Diferente dos três satélites internacionais utilizados pelos sistemas de monitoramento do Inpe, o Ministério da Defesa pretende comprar um microssatélite.

O pesquisador do instituto de pesquisa sobre a Amazônia Imazon, Carlos Souza Junior, explica que a tecnologia utilizada em microssatélites consegue, de fato, gerar dados refinados sobre a área monitorada. Porém, para isso, é preciso ter vários microssatélites atuando em conjunto.

“Este tipo de satélite foi desenvolvido para ser lançado em dezenas, centenas em uma mesma área, formando uma constelação de satélites que consegue captar um nível de resolução mais fina da imagem monitorada”, explica Souza.

Souza lembra que, além dos sistemas de monitoramento do Inpe, o Imazon também monitora e calcula as áreas em desmatamento nas florestas do país. O Imazon já utiliza, inclusive, imagens de microssatélites.

“Por meio do projeto Map Biomas Alerta, utilizamos imagens de todos os biomas de uma constelação de microssatélites comerciais. Temos dados refinados por biomas e regiões. Foi por meio deles, por exemplo, que conseguimos mostrar que 90% do desmatamento no Brasil é ilegal”, explica Souza.

O ambientalista afirma que a tecnologia de microssatélites é válida para monitorar com precisão o desmatamento, mas não basta comprar somente o equipamento, é preciso saber operá-lo.

“Quando você compra um satélite, está comprando o produto apenas. Vai precisar de recursos para operacionalizar a tecnologia, depois vai precisar de uma inteligência computacional, que não é trivial, para dar conta de processar o volume de dados. Senão, vamos ficar atolados em dados”, diz Souza.

Almeida concorda com Souza ao afirmar que a tecnologia de microssatélites exige esforços operacionais e tecnológicos “complexos.”

“O Ministério da Defesa tem estrutura, capacidade para gerenciar esse volume de dados que será gerado?”, questiona Almeida.

G1 entrou em contato com a assessoria do Ministério da Defesa questionando quantos microssatélites a pasta pretende comprar, como irá operacionalizar a tecnologia e como irá gerir o grande volume de dados que serão gerados, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

‘Soberania’

Ao chegar ao Palácio do Planalto nesta segunda, o vice-presidente Hamilton Mourão, que comanda o Conselho da Amazônia, foi questionado sobre a compra do microssatélite. Para ele, o Brasil tem que ter “soberania” no monitoramento da floresta via satélite.

“A Defesa está providenciando isso daí. Existe satélite japonês, existe satélite de outras nações aí que você compra a imagem, mas você não tem soberania. Faz parte do programa espacial brasileiro, está dentro da agência espacial brasileira”, afirmou Mourão.

Quando questionado sobre se a compra de satélite pelo Ministério da Defesa enfraqueceria o papel do Inpe, Almeida apenas afirmou que o Instituto “cumpre com o papel dele.”

“Se o problema [do monitoramento espacial] é soberania, seria mais vantajoso o Brasil investir em uma plataforma de radar dentro do próprio país”, opina Almeida.

Além da questão da soberania, em declarações públicas, Mourão tem alegado que há desinformação sobre a Amazônia, citando as queimadas. Já o presidente Jair Bolsonaro duvidou dos dados de aumento de desmatamento na Amazônia divulgados pelo Inpe no ano passado.

“A questão é que o Brasil já tem dados refinados de todo o país sobre o desmatamento das florestas e biomas”, afirma o ambientalista Souza. “O Brasil agora precisa avançar na fiscalização.”

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