Chuva deixa 5 mortos, causa deslizamentos e quedas de árvores no Rio

Por G1 Rio

Cinco pessoas morreram e uma está desaparecida depois da tempestade da noite da quarta-feira (6) no Grande Rio. A forte chuva acompanhada de ventania causou apagões, derrubou árvores, alagou vias e fechou a Avenida Niemeyer, onde um trecho da ciclovia desabou.

Dois ônibus foram atingidos por deslizamento de terra e árvore na Avenida Niemeyer. Em um deles, uma mulher morreu e outra pessoa é procurada. O motorista deste ônibus conseguiu sair do veículo e teve escoriações.

Houve quedas de barreira em vários pontos da Avenida Niemeyer- a ciclovia caiu perto de São Conrado, e o ônibus foi atingido quase no extremo oposto. O prefeito Marcelo Crivella confirmou que a situação mais crítica é na Niemeyer. “Vai demorar mais de um dia inteiro para normalizar”, disse.

Resumo

  • tormenta começou por volta das 20h30, quando o Rio entrou em estágio de atenção;
  • Às 22h15, passou-se para o estágio de crise;
  • Cinco mortesduas em Barra de Guaratibauma na Rocinha, uma no Vidigal e uma na Avenida Niemeyer;
  • Uma pessoa está desaparecida na Avenida Niemeyer. Ela estava em um ônibus que foi atingido. Na avenida, um novo trecho da ciclovia desabou com deslizamento de terra. A via está interditada;
  • Pelo menos 120 árvores caíram, segundo a Prefeitura do Rio; algumas derrubaram a fiação e causaram apagões;
  • Às 8h30 eram 10 pontos de alagamento nos bairros do Leblon, Barra da Tijuca, Gávea, Ipanema, Itanhangá, Botafogo e São Conrado;
  • Registraram-se rajadas de 110 km/h no Forte de Copacabana, o que caracteriza tempestade violenta;
  • Chove fraco nesta manhã, e há pontos de alagamento na Barra e na Zona Sul;
  • Crivella decretou luto oficial de três dias pelas mortes;
  • Telefones úteis: 193 (Corpo de Bombeiros), 199 (Defesa Civil, que deve ser informada sobre riscos de desabamento);
  • A Defesa Civil recomenda que os moradores se cadastrem no serviço gratuito de alertas via SMS. Basta enviar o CEP do imóvel para o número 40199, por mensagem de texto.

Previsão para esta quinta

As chances de tempestade aumentam na parte da tarde desta quinta-feira, por causa de áreas de instabilidade associadas a um sistema de baixa pressão.

Por causa do solo encharcado, as chances de novos deslizamentos aumentam na Costa Verde e na Região Metropolitana. Além disso, pode haver novos pontos de alagamento.

A temperatura máxima prevista é de 28°C na Região Metropolitana. O mar continua agitado, com ondas de pelo menos um metro.

Trânsito e transportes

A Avenida Niemeyer é uma das opções de ligação entre bairros da Zona Oeste, como a Barra, e a Zona Sul. Pelas manhãs, a avenida opera em mão única para a Zona Sul, como parte do corredor de reversíveis da orla, em direção ao Centro.

  • Avenida Niemeyer está interditada. Com isso, a Autoestrada Lagoa-Barra sobrecarregouOpções: Alto da Boa Vista ou a Linha Amarela, que têm fluxo intenso.
  • Os aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim operam normalmente.
  • A circulação das três linhas do metrô e dos bondes do VLT no Centro está normal nesta manhã.
  • BRT chegou a interromper as atividades às 21h25, mas no fim da noite voltou a operar com intervalos irregulares.
  • SuperVia tem intervalos normais, assim como as Barcas.
  • Alto da Boa Vista, o Túnel Zuzu Angel e a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá já foram liberados, após interdição em todas as vias por quedas de árvores. A Praça Santos Dumont, na Gávea, está bloqueada por bolsão d’água.
Ciclovia Tim Maia foi atingida por deslizamento de terra — Foto: Reprodução/TV Globo

Ciclovia Tim Maia foi atingida por deslizamento de terra — Foto: Reprodução/TV Globo

Morte em Guaratiba

Mãe e filho morreram quando a casa da família desabou em Barra de Guaratiba, no fim da noite de quarta (6). Isabel Martins da Paes, 56, e Mauro Ribeiro da Paes, 32, foram soterrados quando a lama desceu pela encosta onde o imóvel fica, na Estrada da Vendinha.

Aureo da Paes, marido de Isabel, e Arthur Ribeiro da Paes, irmão de Mauro, ficaram feridos.

Falta de luz

Segundo a Light, há falta de energia principalmente em trechos da Zona Oeste, como Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e Campo Grande, e na Zona Norte, como na Tijuca, Méier e Grajaú.

Segundo a concessionária, ventos muito fortes provocam queda de objetos sobre a rede, galhos de árvores e árvores inteiras, dificultando os reparos.

“A Light aumentou em cerca de 40% o número de pessoas em campo, chegando a mais de 2.000 profissionais preparados para todo tipo de atendimento”, informou em nota a companhia, sem dar prazo para o restabelecimento dos serviços.

O que é estágio de crise?

Indica que, pelo menos, uma grave ocorrência ou um evento inesperado de grande porte está causando algum tipo de transtorno em uma ou mais regiões da cidade. Ou ainda um temporal que eleve o índice pluviométrico e o risco de deslizamento nas encostas.

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E-mails indicam que Vale soube de problemas em sensores de Brumadinho dois dias antes do rompimento de barragem

Por Andréia Sadi e Marcelo Parreira, TV Globo — Brasília

Uma troca de e-mails entre profissionais da Vale e duas empresas ligadas à segurança da barragem de Brumadinho mostra que, dois dias antes do rompimento, a Vale já havia identificado problemas nos dados de sensores responsáveis por monitorar a estrutura.

Os e-mails foram identificados pela Polícia Federal. Até esta quarta-feira, havia a confirmação de 150 mortos e 182 desaparecidos em decorrência do mar de lama liberado após o rompimento da barragem.

A Vale informou em nota que, no segundo dia útil após o rompimento da barragem, entregou voluntariamente documentos e e-mails a procuradores da República e à Polícia Federal. “A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, diz o texto da nota (leia a íntegra ao final desta reportagem).

A TV Globo teve acesso aos depoimentos prestados por dois engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis por laudos de estabilidade da barragem.

Os advogados Augusto de Arruda Botelho e Brian Alves Prado, que defendem os engenheiros, disseram que não vão comentar.

Yassuda e Namba foram presos pela Polícia Federal na semana passado. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem libertados.

Ao questionar Namba, o delegado Luiz Augusto Nogueira, da Polícia Federal, se refere à existência de e-mails trocados entre funcionários da Vale, da TÜV SÜD e da Tec Wise, outra empresa contratada pela Vale.

As mensagens começaram a ser trocadas no dia 23 de janeiro, às 14h38, e se prolongaram até as 15h05 do dia seguinte. A barragem se rompeu em 25 de janeiro.

Nas perguntas, o delegado diz que o assunto das mensagens “diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados”.

No depoimento não constam, no entanto, detalhes sobre as mensagens.

O engenheiro afirma que só ficou sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem.

Depois de lidas as mensagens para ele, Namba foi questionado sobre “qual seria sua providência caso seu filho estivesse trabalhando no local da barragem”.

Namba respondeu, segundo o relatório da Polícia Federal, que “após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis”.

A TÜV SÜD informou em nota que fará tudo o que estiver ao alcance “para contribuir para uma investigação abrangente”, mas devido às investigações em andamento com as quais contribui, “não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais” (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Engenheiro se disse pressionado

No depoimento, o engenheiro Makoto Namba também relatou uma reunião com funcionários da Vale sobre o laudo de estabilidade assinado por ele.

Namba disse que um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha perguntou a ele: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.

Namba disse à PF ter respondido que a empresa assinaria o laudo se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018, mas assinou o documento.

Segundo ele, “apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÜV SÜD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Nota da Vale

Leia a íntegra de nota divulgada pela Vale:

A Vale informa que vem colaborando proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades.

Assessoria de Imprensa – Vale

Nota da TÜV SÜD

Leia a íntegra de nota divulgada pela TÜV SÜD:

A TÜV SÜD está profundamente consternada com o trágico colapso da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, em 25 de janeiro de 2019. Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.

Uma subsidiária da TÜV SÜD no Brasil realizou verificações na barragem como parte de um contrato com a operadora Vale S.A. Imediatamente após o rompimento da barragem, a Diretoria e o Conselho de Administração da TÜV SÜD iniciaram amplas investigações sobre o caso, ainda em andamento. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir para uma investigação abrangente desse caso. A TÜV SÜD contratou os escritórios de advocacia Pohlmann & Company e Hengeler Mueller para que eles conduzam uma investigação independente. Além disso, um especialista independente será chamado para fazer uma avaliação de questões técnicas.

Dois funcionários da TÜV SÜD que foram temporariamente detidos pelas autoridades brasileiras foram libertados.

Por conta das investigações em andamento pelas autoridades do Brasil, com as quais estamos contribuindo, a TÜV SÜD não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais.

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Fies 2019 abre inscrições para seleção do primeiro semestre

Por G1

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) abriu nesta quinta-feira (7) as inscrições para candidatos que desejam pegar empréstimos para pagar a mensalidade de cursos de graduação em universidades privadas que estejam cadastradas no programa do governo federal. O prazo para inscrição vai até 14 de fevereiro.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), serão oferecidos 100 mil contratos que podem ter o limite máximo de financiamento de R$ 42.983,70 por semestre. O resultado da seleção sai no dia 25.

Assim como nas edições anteriores, as inscrições para o Fies do primeiro semestre de 2019 serão feitas pela internet no endereço http://fiesselecao.mec.gov.br.

Na página, o candidato poderá definir a preferência de curso, turno e instituição de ensino e, depois, indicar até três outras possibilidades de graduação para a qual deseja financiamento.

Desde 2018, o fundo tem duas modalidades: o Fies, destinado a alunos com renda familiar per capita de até três salários mínimos por mês, com juro igual a zero, e com limite de cem mil vagas por ano; e o P-Fies, para alunos com renda que vai de três a cinco salários mínimos, com juros que variam de acordo com os bancos, e sem limite de vagas.

Nos dois casos, o pré-requisito é nota mínima de 450 pontos na prova do Enem, sem zerar a redação. Esses critérios continuam valendo em 2019. Mas a regra para ser chamado para o P-Fies mudou: a convocação será feita por ordem de inscrição e não a classificatória. Em 2018, apenas 0,34% das vagas do P-Fies foram preenchidas.

Critérios de seleção do Fies

Na modalidade principal, os candidatos serão classificados de acordo com a nota do Enem. Terão preferência aqueles que, na ordem:

  • não terminaram o ensino superior e não tiveram financiamento estudantil
  • não terminaram o ensino superior, já tiveram financiamento estudantil e quitaram a dívida
  • já tenham se formado no ensino superior, tenham recebido financiamento estudantil e já tenham quitado

Caso haja empate, os candidatos serão classificados de acordo com:

  • a maior nota na redação;
  • a maior nota na prova de linguagens
  • a maior nota na prova de matemática
  • a maior nota na prova de ciências da natureza
  • a maior nota na prova de ciências humanas

Não poderão participar

A portaria veda a participação de candidatos que já tenham financiamento vigente ou que estejam inadimplentes com o Fies ou com o Programa de Crédito Educativo.

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Polícia paraguaia apreende 2,2 toneladas de cocaína na região de fronteira com o Brasil

Por TV Morena

Tabletes de cocaína apreendidos no Paraguai, polícia e dois presos — Foto: Polícia do Paraguai/Divulgação

Tabletes de cocaína apreendidos no Paraguai, polícia e dois presos — Foto: Polícia do Paraguai/Divulgação

A polícia paraguaia apreendeu 2,2 toneladas de cocaína na tarde de quarta-feira (6), em Yby Yau, localidade a 100 quilômetros de Pedro Juan Caballero, vizinha à sul-mato-grossense Ponta Porã.

De acordo com a polícia daquele país, os tabletes do entorpecente estavam em duas caminhonetes. Dois homens e duas mulheres foram presas.

Autoridades paraguaias acreditam que o entorpecente tinha o Brasil como destino, com entrada por Ponta Porã e passagem por rodovias de Mato Grosso do Sul.

Tráfico na fronteira

A região de fronteira Brasil – Paraguai, em Pedro Juan Caballero e Ponta Porã tem vivido uma guerra pela liderança no tráfico. Desde 2016, com a execução de Jorge Rafaat, o grupo dele briga com o de Jarvis Pavão. Por causa da disputa, pessoas ligadas aos dois grupos já foram assassinadas na região.

Na segunda-feira (4), o traficante ligado a Rafaat, Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, conhecido como Minotauro, foi preso em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Para a polícia, ele é o mandante de várias execuções na fronteira, entre elas de um policial civilde uma advogada e de um ex-candidato a prefeito de Ponta Porã, além de incêndio a residências.

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Ibaneis sanciona lei que proíbe canudos e copos de plástico no DF

Por Gabriel Luiz e Vinícius Cassela, G1 DF e TV GloboCanudos e copos de plástico — Foto: Reprodução

Canudos e copos de plástico — Foto: Reprodução

Já está valendo no Distrito Federal a lei que proíbe canudos e copos de plástico em estabelecimentos comerciais da cidade. A regra exige que eles sejam substituídos por descartáveis feitos a partir de material biodegradável, como amido e fibras de origem vegetal.

Canudos de inox e de vidro também são uma alternativa viável, segundo o projeto. Esse tipo de material já é utilizado em alguns bares, restaurantes e cafés de Brasília.

A lei foi sancionada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e publicada em 30 de janeiro. Em caso de desrespeito, o estabelecimento pode receber multa que varia de R$ 1 mil a R$ 5 mil, dependendo do porte da loja. Em caso de reincidência, o local pode até ser fechado e pagar o dobro do valor da multa.

projeto tramitava desde 2016 e é de autoria do ex-deputado Cristiano Araújo (PSD). O único artigo do texto que foi vetado pelo governador Ibaneis é o que estabelece que o GDF teria 90 dias para regulamentar a regra. Por isso, a lei passou a valer de forma imediata.

A proibição não está restrita ao setor gastronômico. O projeto estabelece que “microempreendedores individuais, bem como as entidades da administração direta, autárquica e fundacional” ficarão sujeitas à norma. Por isso, as licitações do governo também terão que observar a regra.

Copos de plástico são vistos em supermercado — Foto: Rafael Marchante/ Reuters

Copos de plástico são vistos em supermercado — Foto: Rafael Marchante/ Reuters

Ao justificar a importância da lei, Cristiano Araújo afirmou à época que os copos e canudos feitos de plástico comum demoram, em média, cem anos para se degradar. “Já os biodegradáveis demoram de 45 a 180 dias para se decompor”, explica.

O projeto de lei define como materiais biodegradáveis todos aqueles que não são derivados de polímeros sintéticos fabricados à base de petróleo.

Ou seja, que são elaborados “a partir de matérias orgânicas, como fibras naturais celulósicas, amido de mandioca, bagaço de cana, óleo de mamona, cana-de-açúcar, beterraba, ácido lático, milho, proteína de soja e outras fibras e materiais orgânicos”.

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Prouni 2019: Resultado da primeira chamada será divulgado nesta quarta-feira

Por G1

Prouni 2019 abre inscrições para número recorde de bolsas de estudos — Foto: Reprodução

Prouni 2019 abre inscrições para número recorde de bolsas de estudos — Foto: Reprodução

O Ministério da Educação divulga nesta quarta-feira (6) o resultado da primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) 2019. O resultado será divulgado na página do Prouni.

O Prouni oferece bolsas de estudo parciais e integrais em cursos de graduação de instituições particulares no Brasil. As inscrições foram encerradas às 23h59 deste domingo (3) e, segundo o MEC, quase 950 mil estudantes estão participando da seleção.

Para concorrer às bolsas, era necessário ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 e tirado, no mínimo, 450 pontos na média da prova. Quem zerou a redação está eliminado do processo.

Nesta edição, há 243.888 vagas – um recorde histórico desde o início do programa, em 2005, segundo o MEC. Desse total, 116.813 são bolsas integrais e 127.075 são bolsas parciais.

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Na 1ª reunião do governo Bolsonaro, Copom deve manter de novo juro básico em 6,5% ao ano

Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Na primeira reunião do governo Bolsonaro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter, nesta quarta-feira (6), os juros básicos da economia estáveis em 6,5% ao ano. Essa é a expectativa do mercado financeiro.

Se a previsão do mercado se confirmar, esta será a sétima manutenção seguida da taxa, que está no menor nível desde 1986 – quando começa a série histórica do Banco Central. A decisão do Copom será anunciada após as 18h.

Essa deverá ser a última reunião do Copom comandada pelo atual presidente da instituição, Ilan Goldfajn, levado ao cargo pelo ex-presidente Michel Temer.

Ele deixará o comando do BC após a sabatina, e aprovação pelo Senado (se ocorrer), do nome de Roberto Campos Neto, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para chefiar a instituição.

“Goldfajn entregará o bastão em meio a expectativas de inflação bem estabilizadas, facilitando as condições financeiras, e os mercados começam a atribuir alguma probabilidade a cortes residuais este ano (..) Em nossa opinião, um presidente de saída tem pouco incentivo para mudar a postura da política monetária em um movimento surpreendente”, avaliou recentemente o Santander, em comunicado.

Como a decisão é tomada

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25% e, para 2020, de 4%.

Com intervalo de tolerância, a inflação pode ficar entre 2,75% a 5,75% neste ano sem que a meta seja descumprida e, entre 2,5% e 5,5% no ano que vem.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC pode reduzir os juros; quando estão acima da trajetória esperada, a taxa Selic tende a ser elevada.

Após somar 2,95% em 2017 e ficar abaixo do piso de 3% do sistema de metas, a inflação acelerou um pouco no ano passado, para 3,75%.Ainda assim, ficou bem abaixo da meta central de 4,5% fixada pelo governo para 2018.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro vem reduzindo sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Mercado (IPCA) de 2019. Na semana passada, a previsão ficou em 3,94%, pela primeira vez abaixo de 4% – abaixo também da meta central de 4,25%.

Com isso, o mercado financeiro também deixou de prever aumento da taxa básica de juros, a Selic, neste ano. Até então, o mercado acreditava que o juro poderia subir para 7% ao ano no fim de 2019, mas agora já vê manutenção da Selic no atual patamar de 6,5% ao ano no restante deste ano.

Juros bancários elevados

Embora os juros básicos estejam no menor patamar da série histórica do Banco Central, as taxas cobradas pelas instituições financeiras ainda seguem em patamares elevados.

Reduzir os juros bancários é um dos desafios apontados por economistas para o próximo governo.

Dados oficiais mostram que, em dezembro, os juros bancários médios nas operações com pessoas físicas somaram para 48,9% ao ano. Em algumas modalidades, como no cheque especial e no cartão de crédito rotativo, os juros ficaram ao redor de 300% ao ano.

As altas taxas de juros, atualmente cobradas pelos bancos, inibem o consumo e também os investimentos na economia brasileira, avaliam analistas.

Dados do BC mostram que os quatro maiores conglomerados bancários do país detinham, no fim de 2017, 78% de todas as operações de crédito feitas por instituições financeiras no país.

Rendimento da poupança

Se confirmada a nova manutenção dos juros nesta quarta-feira, o rendimento da poupança também deverá permanecer o mesmo.

Pela regra atual, em vigor desde 2012, os rendimentos da poupança estão atrelados aos juros básicos sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

Se o juro básico da economia continuar em 6,50% ao ano, a correção da poupança permanecerá sendo de 70% desse valor – o equivalente a 4,55% ao ano, mais Taxa Referencial.

Segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança continuará sendo uma “excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano”.

Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído o interesse de aplicadores nos últimos anos.

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A funcionária da Vale que alertou sobre o desastre e fugiu de ré em caminhão com 90 toneladas

Por Amanda Rossi, BBC — Brumadinho

Há mais de dez dias da tragédia de Brumadinho (MG), os olhos castanhos de Ana Paula da Silva Mota ainda passam grande parte do tempo opacos e ausentes, como se estivessem revendo as cenas que ela viveu a partir das 12h28 de 25 de janeiro.

Naquele exato minuto, a motorista dos megacaminhões da Vale olhou em direção às montanhas que circundam a mina Córrego do Feijão e viu uma imensa avalanche emergir do local onde ficava a barragem principal, a apenas 550 metros de onde estava.

“Eu estava de frente para a barragem. Acho que fui uma das primeiras pessoas a ver (a avalanche). Não dava para acreditar”, diz Ana Paula, de 30 anos.

Em poucos segundos, a encosta verde de 87 metros de altura, que sustentava 11,7 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro, cedeu e se transformou em uma onda marrom densa. Tinha mais de 300 metros de comprimento e, em alguns pontos, até 20 metros de altura. Segundo o Corpo de Bombeiros, a velocidade inicial era de 80 quilômetros por hora.

“A onda veio muito rápido. Mas também parecia que estava em câmera lenta. É algo muito estranho, não consigo explicar”, fala Ana Paula, mãe de uma menina de 8 anos e um menino de 3 anos.

O local onde a funcionária da Vale estava era o trecho final de uma estrada de terra que descia desde a área de extração de minério, no alto, até o terminal de carregamento do trem, na parte mais baixa do complexo mineiro, muito perto da barragem.

Nessa estrada, Ana Paula dirigia o gigantesco e potente Fora de Estrada 777, veículo usado para transportar minério, com cinco metros de altura e 11 de comprimento – o pneu, por exemplo, é mais alto que a motorista. Na sua caçamba, havia 91 toneladas de minério, que seriam despejados nos vagões do trem.

Era um trabalho que ela amava, com o qual havia sonhado por muitos anos e que iniciara alguns meses antes, em junho de 2018.

No primeiro momento, Ana Paula não entendeu o que estava acontecendo. “Achei que era uma detonação na mina”, diz ela. Só instantes depois, compreendeu que a barragem havia estourado. “A gente achava que essa barragem estava seca. Olhando de cima, parecia um campo de futebol, firme, duro, não tinha esse lamaçal. Ninguém imaginava que estava assim por dentro”, conta.

Além disso, “eu nunca tive receio dessa barragem, porque a Vale sempre passava muito treinamento de segurança. Inclusive, uns três meses antes, tinham feito uma simulação (de evacuação de emergência)”, acrescentou Ana Paula.

Mas, “quando caiu a ficha, peguei o rádio transmissor (do veículo) e comecei a gritar desesperada: ‘corre, foge, a barragem estourou’. Quem estava naquela faixa (de rádio) me escutou gritando. Depois, fiquei sabendo que teve gente que escapou porque ouviu uma mulher chorar e gritar no rádio. Era eu”, diz ela.

Ana Paula ainda tentou chamar a central pelo rádio, mas escutou apenas um silêncio – o local havia sido rapidamente soterrado.

Em apenas 30 segundos, a avalanche chegou a cerca de 100 metros do megacaminhão de Ana Paula. Inundou de lama o começo da estrada onde estava o veículo, destruiu parte das instalações da Vale localizadas ali, e despencou em cima de um grupo de pessoas que tentava escapar.

“Minha vontade era me jogar naquela lama para ajudar a salvar as pessoas, mas não tinha jeito. A onda era muito mais forte que qualquer um de nós”, fala ela.

A partir daquele ponto, se a onda tivesse seguindo em linha reta, poderia ter encoberto toda a estrada onde estava o megacaminhão de Ana Paula. Mas o mar de lama fez uma curva exatamente na encosta onde ficava a via, e se deslocou rumo ao terminal de carregamento. De lá, seguiu para a área administrativa e o refeitório – onde, acredita-se, estava a maior parte das vítimas.

Assim, a trabalhadora assistiu atônita à maior parte da avalanche desviar da sua direção e correr pelo seu lado direito, destruindo tudo que havia pela frente.

“Hoje, eu não posso mais olhar para uma montanha. Senão, eu vejo a onda vindo outra vez”, desabafa. No total, Ana Paula calcula que perdeu “muito mais que vinte” colegas na tragédia. Sua tia Rosário, que também trabalhava na Vale, está desaparecida.

A fuga de ré com 91 toneladas na caçamba

Enquanto a barragem se rompia, um outro megacaminhão de minério começava a subir a estrada onde estava Ana Paula, no sentido oposto. Vazio, tinha acabado de descarregar minério nos vagões do trem.

O motorista, que dirigia de costas para a barragem, estava alheio à iminência da tragédia. Como o veículo é muito barulhento, o trabalhador usava protetores auriculares, que podem ter impedido que ouvisse o rompimento do reservatório e o som de árvores e construções sendo engolidas pela lama.

Foi Ana Paula quem o alertou. “Eu buzinei e dei luz, desesperada, para avisar meu colega. Ele não ouviu minha buzina, mas acabou percebendo o sinal de luz e acelerou para subir a estrada”.

Mas havia outro problema: a estrada não comportava a passagem simultânea de dois caminhões de minério. Então, para que o colega pudesse acelerar, Ana Paula teve que tomar uma decisão corajosa e arriscada: encostou seu Fora de Estrada à direita da via e ficou parada, adiando a própria fuga. Enquanto isso, a lama ia varrendo a mina.

“Se não fosse isso, a onda tinha quebrado em cima dele. Foi por muito pouco”, conta a funcionária da mina Córrego do Feijão.

Depois de passar por Ana Paula, esse segundo megacaminhão subiu por uma estrada lateral e se afastou da destruição da lama. Esse momento, ocorrido às 12h29, foi registrado por uma câmera de segurança da Vale – a mesma que gravou o rompimento da barragem, um minuto antes.

A imagem do veículo em fuga foi exibida pelas emissoras de TV na última sexta-feira. Quando viu a cena, Ana Paula relembrou de tudo que viveu e quase desmaiou. “Fiquei com tontura, meu corpo ficou bambinho”, relata. Já o colega que dirigia o veículo mostrado na mídia, ainda muito abalado, não quis dar entrevista – por isso, a BBC News Brasil optou por preservar seu nome.

Após o colega conseguir fugir, era a vez de Ana Paula fazer algo para sair dali. A missão era difícil, já que a frente do seu megacaminhão estava virada para a direção oposta à rota de fuga. Manobrar o veículo era impossível – a estrada era estreita, o veículo enorme, e não haveria tempo para isso.

“Então, eu pensei: vou dar ré”, lembra ela.

“Só que era uma subida e o caminhão estava cheio de minério. Eu achava que não ia subir de ré, mas era minha única opção. Então, fui dando ré e pedindo a Deus para me salvar. Eu dava ré e a lama ia chegando mais perto. Foi Deus que colocou a mão atrás do caminhão e puxou”.

Foram cerca de 150 metros de ré – sempre de frente para a barragem, observando toda a destruição causada pela lama. Até que Ana Paula chegou ao entroncamento da estrada pela qual seu colega havia subido minutos antes. Então, embicou o megacaminhão de frente e dirigiu para longe dali.

Essa cena também foi captada pela câmera de segurança da Vale. Às 12h31, três minutos após o rompimento da barragem, quando parecia não haver mais vida alguma naquele local, o Fora da Estrada 777 de Ana Paula emergiu da poeira que havia sido levantada pela passagem da lama. Carregado de minério, o veículo se movia lentamente, último sobrevivente daquele campo de guerra.

“Se eu tivesse entrado em choque, paralisado, como aconteceu com muita gente, não teria saído dali. Eu acho que foi Deus que deixou minha cabeça boa para fazer o que eu fiz”, acredita a motorista dos super caminhões.

Já fora de risco, a única coisa em que Ana Paula pensava era abraçar os filhos. Desde a tragédia, o mais novo pede abraços a todo momento. “Meu psicológico está abalado, mas tenho que ter força pelos meus filhos”.

A chegada da lama ao refeitório

Enquanto Ana Paula dava ré no seu megacaminhão, a avalanche de lama atingia a área administrativa da Vale e o refeitório, a cerca de 1,4 quilômetro da base da barragem. O trajeto levou em torno de dois minutos, apenas.

Walcir Carvalho, de 30 anos, trabalha para uma empresa terceirizada que presta serviços elétricos para a Vale. No momento do rompimento da barragem, ele e seus oito colegas haviam acabado de almoçar no refeitório da mina Córrego do Feijão.

A seguir, a maioria do grupo foi descansar em uma pracinha ali perto. Já Walcir e outros dois colegas foram tirar um cochilo nos veículos da firma, que estavam estacionados em fila indiana a poucos metros dali, sob a sombra de árvores.

Mas, naquele dia, Walcir sentiu um incômodo diferente e não conseguiu pegar no sono. Por isso, saiu da caminhonete onde estava e foi se deitar na carroceria do veículo da frente. Minutos depois, ouviu um barulho de explosão muito alto.

“Achei que era uma explosão da mina. Mas então começou a vir poeira com lama, as árvores começaram a quebrar. Quando olhei, a onda já estava chegando na caminhonete. Aí foi cada um correndo por si”, conta Walcir, cujo olhar lembra o de Ana Paula, distante e assustado.

“Nunca imaginamos que isso ia acontecer. A Vale tem um trabalho 100% em termos de segurança. E eu já trabalhei perto da barragem, parecia que era (feita de) terra. Nunca ficava água lá. Se enchia de água, uma bomba logo tirava”, completa. A lama, portanto, foi uma surpresa também para Walcir.

O funcionário relata que não ouviu nenhuma sirene – a própria Vale admitiu que o alerta sonoro de emergência não soou “devido à velocidade com que ocorreu o evento”. “Quem estava em um lugar mais aberto conseguiu ouvir pessoas gritarem (e pode fugir antes). Já a gente, que estava embaixo das árvores, só ouviu a onda chegando mesmo”, conta. Segundo ele, ainda houve quem escutou uma mulher gritar e chorar no rádio.

Na fuga, o eletricista teve que pular um poste que caiu ao seu lado. “Minha sorte é que não estava eletrizado, senão eu tinha morrido na hora”. Depois, atravessou uma área de mata e chegou em um ponto mais alto, a salvo da lama. Ali, também estavam outros sobreviventes.

“Éramos umas 50 pessoas. Ficamos desesperados, procurando se nossos amigos também tinham conseguido fugir”, diz Walcir. Mas seus dois colegas que também estavam cochilando nas caminhonetes não apareceram. Ao longo das buscas, um deles teve o corpo identificado. Já o outro continua desaparecido. “Não consigo falar sobre eles não”, disse o eletricista, muito emocionado.

Assim como os colegas de Walcir, há entre as vítimas do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão um grande número de terceirizados. Nesta terça-feira, 130 funcionários da Vale tinham sido identificados entre os mortos ou estavam desaparecidos. Já entre funcionários terceirizados ou pessoas da comunidade, o número era maior, de 189.

Evangélico, Walcir acredita que foi salvo por um milagre. Dos três veículos da empresa, dois ficaram soterrados. Já o terceiro foi torcido pela lama, mas não afundou – “era a caminhonete onde estava minha Bíblia”, diz o trabalhador.

“Graças a Deus eu consegui fugir. Muitas pessoas que faleceram ficaram paralisadas, sem reação, hipnotizadas pelo que estavam vendo e não conseguiram escapar”, relata.

Cada um que sobreviveu é um ‘milagre’

Em circunstâncias extremas, o curso da vida pode ser completamente alterado por ações fortuitas – ou, dependendo do ponto de vista, por pequenos milagres.

No caso de Ana Paula, foi o fato de estar descendo a estrada mais devagar que o de costume que a colocou fora do primeiro ponto de impacto da onda. “Se eu tivesse descido com uma marcha a mais, teria chegado mais rápido lá embaixo (na área dos vagões). E a onda teria quebrado em cima de mim”, diz ela.

Já no caso de Walcir, a dificuldade de cochilar fez com que se movesse para um lugar por onde foi mais fácil fugir. Além disso, seu supervisor tinha decidido liberar a equipe para almoçar antes de iniciarem o próximo serviço: uma manutenção em postes localizados justamente ao pé da barragem. “Se a gente não tivesse ido almoçar aquela hora, não estávamos aqui respirando”.

“Qualquer um que se salvou é um milagre”, acredita Ana Paula.

Até avistar a avalanche de lama, a motorista dos supercaminhões da Vale estava vivendo um dia normal de trabalho. Havia acordado às 4h, como de costume, feito café e enchido a garrafa térmica que levava todos os dias para o serviço. Às 5h50, saiu de casa para pegar o ônibus que conduzia os trabalhadores de Brumadinho até a mina.

“Eu fico me lembrando do início daquele dia, quando estava esperando o ônibus junto com meus colegas de trabalho. Estávamos indo trabalhar felizes. Era meu sonho trabalhar lá. Mas, daquele grupo do ponto de ônibus, só eu sobrevivi”.

Desde então, está difícil pensar em outro assunto. Na semana que seguiu à tragédia, Ana Paula passou grande parte do tempo em frente à TV. “Meu marido, minha família, um monte de gente briga comigo para eu parar de ver notícias sobre isso. Mas eu não consigo. Acordo e já ligo o aparelho, para tentar saber de algum colega”, fala ela.

Assim como muitos funcionários da Vale que viram a lama e sobreviveram, Ana Paula passou alguns dias sem dormir. “Mas, se eu ficar na cama, de que vai adiantar eu ter sobrevivido?”, questiona ela, que está sendo atendida por uma psicóloga contratada pela empresa – diversos profissionais da área foram disponibilizados pela mineradora para acompanhar quem foi afetado pelo desastre.

“Ela (a psicóloga) falou para eu pensar que sobrevivi e ajudei outras pessoas a se salvarem”, diz Ana Paula.

E daqui para frente, o que vai acontecer? “Não sei. Eu nem penso nisso. Eu vou ter que trabalhar, ficar em casa vai ser pior. Acho que não vão mandar a gente embora. A maior parte de Brumadinho trabalha lá (na Vale)”, responde a funcionária da mineradora.

E quanto à barragem? “Quem dera eles tivessem falado (do risco) para a gente, mas eu não sei se sabiam ou não. Tem que esperar a investigação esclarecer”.

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Dissertação de 2010 na Ufop apontava possibilidade de liquefação em barragem de Brumadinho

Por G1 Minas — Belo Horizonte

Imagens mostram momento em que barragem em Brumadinho se rompeu — Foto: Reprodução/JN

Imagens mostram momento em que barragem em Brumadinho se rompeu — Foto: Reprodução/JN

Estudo feito por um engenheiro geotécnico que trabalha há mais de 20 anos na Vale aponta a possibilidade de liquefação na barragem de Brumadinho, que se rompeu em 25 de janeiro. A tese de mestrado foi defendida por Washington Pirete da Silva em 2010 na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Em sua conclusão, o estudo afirma que os rejeitos presentes na estrutura constituem materiais que tendem a exibir “susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação”.

A liquefação ocorre com a erosão interna e infiltração na estrutura de contenção do material da mineração. Há mudança na característica física do rejeito, que se torna menos sólido e mais líquido.

Esse fenômeno foi apontado como uma das possíveis causas para o colapso da estrutura da barragem de Fundão, em Mariana, que matou 19 pessoas.

A dissertação também conclui que “em função de alguns procedimentos operacionais inadequados realizados nesta barragem”, diretrizes eram “recomendadas para aumentar a segurança”.

As polícias Federal e Civil apuram as causas da tragédia em Brumadinho. A força-tarefa que investiga o desastre da Vale afirmou nesta terça-feira (5) que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem.

Quem é o autor do estudo?

O mestrado de Washington Pirete da Silva, funcionário da Vale por 22 anos, foi orientado pelo professor Romero César Gomes.

Já no início do estudo, o autor alerta que a liquefação tem sido pesquisada “devido aos vários eventos catastróficos que ocorreram no mundo, resultando na perda de vidas humanas, enormes prejuízos econômicos e impactos ambientais irrecuperáveis”.

Segundo a pesquisa, a barragem, que iniciou a operação em 1976, foi construída em várias etapas e por diversos projetistas e empreiteiros. Houve sucessivos alteamentos para montante, ou seja, várias construções de degraus com os próprios rejeitos.

Até 2005, disposição não tinha norma

Silva afirma que de 1976 a 2005, a operação de rejeito nas barragens ocorria sem uma diretriz. A partir de 2006, segundo o estudo, houve “uma mudança no método de disposição dos rejeitos e um entendimento melhor quanto à importância desta operação”.

Nesta época, passaram a ser usadas barras de spray para estabelecer uma formação de camada de rejeito mais uniforme e homogênea possível ao longo da barragem.

Entre os pontos indicados no estudo, estavam usar a barragem alteada para montante prioritariamente para contenção de rejeito e não de rejeito e água e implantar estrutura hidráulica que permitisse controlar nível de água do reservatório.

Segundo o autor, no estudo, não houve necessidade de proceder à avaliação de potenciais riscos da barragem a eventos do tipo de fluxos por ruptura por liquefação.

Por meio de nota, a Vale disse que a dissertação concluiu que a Barragem I atendia aos níveis de segurança propostos pela metodologia aplicada. “Como registra o próprio estudo, ‘a Barragem I apresenta boas condições de segurança em relação ao potencial ou à suscetibilidade a eventos de fluxo por liquefação’”, afirmou a mineradora.

Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd

Laudo aponta canos de drenagem entupidos pela vegetação — Foto: Reprodução/Tüv Süd

Laudo aponta problemas no sistema de drenagem

Um laudo de vistoria feito em 2018 sobre a barragem I da Mina do Córrego do Feijão detectou problemas no sistema de drenagem da estrutura.

O laudo foi feito pela empresa alemã Tüv Süd, a pedido da Vale, e conclui pela estabilidade da estrutura. Mas registra que, em determinada área da barragem que estava parcialmente saturada de água, havia um dreno seco. Outros continham trincas de onde vertia água.

Além disso, o documento recomendou a instalação de novos piezômetros, equipamentos que medem a pressão e o nível da água no solo, e de um mecanismo de registro sismológico no entorno da barragem.

Por fim, o estudo recomenda que, para aumentar a segurança da barragem e evitar a liquefação – uma das possíveis causas da tragédia –, a Vale deveria tomar atitudes que diminuíssem a probabilidade de gatilhos, como proibir detonações nas redondezas, evitar o tráfego de equipamentos pesados e impedir a elevação do nível da água na estrutura.

A Vale afirmou que todas as recomendações foram atendidas ainda no ano de 2018. “Cabe reforçar que se tratavam de recomendações rotineiras em laudos deste gênero”. A mineradora não diz na nota se comprovou à Justiça que as recomendações foram cumpridas.

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Governo de SP quer privatizar Zoológico e Jardim Botânico

Por G1 SP

Chimpanzés recebem cobertores para se protegerem do frio no Zoológico de SP — Foto: Reprodução TV Globo

Chimpanzés recebem cobertores para se protegerem do frio no Zoológico de SP — Foto: Reprodução TV Globo

O governo de São Paulo informou que pretende privatizar o Zoológico e o Jardim Botânico, ambos na Zona Sul da capital, afirmou nesta terça-feira (5) o vice-governador e secretário de Governo, Rodrigo Garcia (DEM).

Detalhes sobre o plano de privatização dos dois parques, porém, não foram informados. O vice-governador comanda o conselho, que teve sua primeira reunião nesta terça.

“O conselho é composto por todos os secretários, onde, nas suas respectivas áreas, teremos o programa de PPPs [parcerias público-privadas], sobretudo, em especial, Secretaria de Transportes Metropolitanos, Secretaria de Logística e Transportes, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, a própria Secretaria de Governo, Secretaria de Administração Penitenciária, Secretaria de Esportes, Secretaria de Agricultura, Saúde, Educação e Habitação”, disse o governador João Doria.

Privatização de aeroportos

A reunião desta terça também consolidou a privatização de todos os aeroportos do estado. São no total 25 terminais, sendo que cinco já foram concedidos.

Garcia disse que neste mês irá contratar o plano aeroviário de São Paulo. “A empresa contratada terá até 90 dias para realizar o estudo e viabilidade dos 20 aeroportos”, disse Garcia. Esse estudo levará em conta os seis novos destinos do estado e também o fechamento do Campo de Marte.

A ideia do governo é ter o plano fechado até maio e a partir de junho realizar audiências públicas e licitações.

“Esse plano aeroviário vai nos dar claramente a viabilidade econômica dessas concessões. Às vezes, aeroportos grandes como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Araçatuba vão ser colocados em concorrência junto com alguns outros aeroportos para dar viabilidade econômica”, disse o vice-governador.

O objetivo é que todas as licitações tenham sido feitas até o final do ano. “O prazo do governador é até o final do ano, não tendo questão judicial, os contratos sejam assinados em todos os aeroportos”, disse Garcia.

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