Risco de adolescente ser morto em SP é 85% maior do que o de um adulto, diz pesquisa

Por Cíntia Acayaba e Marina Pinhoni, G1 SP — São Paulo

estado de São Paulo conseguiu reduzir o número de homicídios, mas o de adolescentes aumentou em 10 anos, de acordo com pesquisa feita pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência. A probabilidade de um adolescente de 15 a 19 anos morrer vítima de homicídio em São Paulo é 85% maior do que a de um adulto de 30 anos ou mais.

De 2008 a 2017, a taxa geral de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 15,3 para 10,6. Nesse mesmo período, no entanto, a taxa de homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos passou de 19,1 para 19,6, segundo o levantamento feito pelo comitê.

Em 2008, primeiro ano da série, a taxa de homicídios de jovens de 20 a 29 anos era maior do que a taxa de homicídios de adolescentes e de adultos de 30 anos ou mais. Mas a taxa de homicídios de jovens de 20 a 29 anos caiu 36% no período e a taxa de adultos também, 33%. Só a taxa de homicídios de adolescentes cresceu 2,4% nos 10 anos.Taxa de homicídio geral e de adolescentes de 2008 a 2017 em SPA.

Para Adriana Alvarenga, coordenadora do escritório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) em São Paulo, adolescentes estão mais vulneráveis à violência.

“A gente sabe que a morte de adolescentes é fruto de um conjunto de vulnerabilidades. São violações ao longo da vida. Quando os projetos sociais não conseguem atendê-lo, quando a escola o expulsa, quando não consegue emprego, quando é aliciado pelo tráfico. Uma série de fatores que aumenta esse risco. Não à toa que as crianças e adolescentes são considerados prioridade. Eles estão em uma condição de desenvolvimento que aumenta a vulnerabilidade”, afirmou.

Nesta quinta-feira (5), o Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência será lançado na Assembleia Legislativa de São Paulo. A articulação entre Unicef, Secretaria de Justiça e Cidadania do Governo de São Paulo e Alesp, em nome da deputada Marina Helou (Rede), tem como objetivo elaborar diagnósticos sobre a questão do homicídios de adolescentes, definir indicadores e fomentar políticas públicas intersetoriais voltadas à prevenção no estado.

O Comitê pretende fazer um plano de trabalho de 2019 a 2021, em quatro linhas de ação: dados e pesquisas; políticas públicas intersetoriais; pautas dos territórios; e o funcionamento do sistema de Justiça.

“A ideia do comitê é criar uma frente de trabalho intersetorial para primeiro analisar a fundo os dados e entender a trajetória de vida desses jovens que morreram. É importante identificar as causas para definir políticas públicas que previnam novas mortes. Isso passa inclusive por planejamento urbano. Essas mortes acontecem muito na periferia das cidades, onde até as condições de mobilidade interferem. É necessária a presença na escola, garantia de ingresso no mercado de trabalho e até empoderamento dessas mães, que são muito importantes condição de vida das crianças”, disse Alvarenga.

Homicídios em São Paulo entre 2008 e 2017 — Foto: Rodrigo Cunha/Arte G1

Homicídios em São Paulo entre 2008 e 2017 — Foto: Rodrigo Cunha/Arte G1

Meninos negros

Nesses 10 anos, mais de 6,8 mil meninos e meninas foram assassinados, o que equivale a 32 mortes por dia. Mas meninos são as principais vítimas: a taxa de homicídios entre meninos de 15 a 19 anos em 2017 foi de 35,5 mortes por 100 mil habitantes, enquanto que a taxa entre meninas de 15 a 19 anos é de 3,1 mortes por 100 mil habitantes.

A probabilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 75% maior do que o branco. A taxa de homicídios de adolescentes negros foi de 23,5 mortes por 100 mil habitantes contra 13,4 de brancos.

De acordo com dados da PNAD 2015, a maior parte da população de São Paulo é branca, inclusive entre os adolescentes. Entre as pessoas de 15 a 19 anos residentes no estado, 55,9% são brancas; 43,1% são negras (pretas e pardas); e 1% amarelas ou indígenas. Já entre os adolescentes vítimas de homicídio em 2017, 42,1% eram brancos e 56,8% eram negros.

Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, a violência policial pode explicar o aumento dos homicídios contra os adolescentes em São Paulo.

“Os dados divulgados pelo Unicef preocupam pois evidenciam que, apesar da intensa redução dos homicídios observada no estado de São Paulo ao longo dos últimos anos, isso não se refletiu na redução da violência letal entre os adolescentes. Considerando o que sabemos a partir das estatísticas da Secretaria da Segurança, está muito claro que não é possível pensar no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes sem pensar uma política de controle de uso da força policial. A letalidade policial vem crescendo há muitos anos em São Paulo e hoje já corresponde a 35% de todos os homicídios na capital. Se considerarmos apenas o público jovem, isso se torna ainda mais expressivo. Pensar uma política de enfrentamento à violência contra adolescentes exige necessariamente redução dos níveis de violência produzidos pela própria PM”, disse.

Como é o caso de Gabriel Paiva, morto aos 16 anos em 2017, após ser agredido a pauladas em em uma abordagem policial na Zona Sul da capital paulista. O PM Jefferson Alves de Souza foi condenado em janeiro de 2019 a 24 anos de prisão pela morte de Gabriel.

Em sua decisão, a juíza Débora Faitarone considerou ter ficado comprovada a violência por parte de Souza. A magistrada ainda afirmou que o menino tinha apenas 16 anos e no dia dos fatos estava com seu irmão, que também não tem passagens criminais, e alguns amigos.

“Verifica-se pelos depoimentos colhidos que o réu envergonha a Polícia Militar, composta em sua esmagadora maioria por homens de bem, que agem em defesa da sociedade”, diz a sentença.

O adolescente morreu quatro dias depois de ter sido espancado durante a abordagem policial. A Justiça ainda cita o apelido do policial Jefferson como sendo “Negão da Madeira”, em virtude de relatos de testemunhas do crime afirmarem que ele costumava fazer revistas em jovens na região sempre com um pedaço de madeira em mãos. Segundo a acusação do Ministério Público aceita pela juíza, Thiago foi espancado na cabeça com um pedaço de madeira.

A defesa de Jefferson alegou à época falta de provas contra ele e pediu a revogação da prisão, que também foi negado pela juíza.

Cidades

Cubatão, na Baixada Santista, é a cidade com a maior taxa de homicídio entre adolescentes em 2017: 80,43 por 100 mil habitantes, seguida por Guaratinguetá, no interior paulista, com 61,65, e São Vicente, também na Baixada, com 60,38.

Em números absolutos, de 2008 a 2017, 2.359 adolescentes foram mortos na capital paulista, 355 em Guarulhos, na Grande São Paulo, 195 em Campinas, no interior, 162 em Osasco, e 147 em Diadema, ambas na Região Metropolitana.

Para Débora Silva, líder do Movimento Mães de Maio na Baixada Santista, há um “projeto de genocídio da juventude pobre, negra, moradora de favela e de periferia, que não tem acesso à educação, moradia digna, cultura e boa alimentação”.

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Bienal do Rio traz debate sobre a obra de Monteiro Lobato

Por G1 Rio

O escritor Pedro Bandeira vai falar sobre a obra de Monteiro Lobato. — Foto: FLU/Divulgação

O escritor Pedro Bandeira vai falar sobre a obra de Monteiro Lobato. — Foto: FLU/Divulgação

Bienal do Rio 2019 chega ao sétimo dia com uma homenagem especial ao maior nome da história da literatura infantil brasileira – Monteiro Lobato terá sua obra analisada pelos escritores Pedro Bandeira e Marisa Lajolo. O diálogo será mediado pela escritora e dramaturga Karen Acioly. Será às 13h, Café Literário, Pavilhão Azul.

Também no Café Literário, às 15h, o neurocientista Sidarta Ribeiro e os jornalistas Reginaldo José Lopes e Alexandre Versignassi vão conversar sobre a ciência no dia a dia.

Também às 15h, na Arena#SemFiltro, Pavilhão Verde, Bruno Miranda, Enaldinho e Bic Muller falarão sobre a linguagem do humor para a internet. A mediação será do jornalista da GloboNews, Marcelo Lins.

Às 19h, no Encontro com Autores, Pavilhão Verde, o escritor Filipe Vilicic, autor de “O clube dos youtubers”, sobre o maior fenômeno recente da internet, conversará com Antonio “Kibe” Tabet, um dos criadores do Porta dos Fundos – ele foi um dos mais de 100 youtubers ouvidos para a obra.

No encontro, Tabet vai falar como o YouTube mudou a forma de se fazer comédia e revolucionou o entretenimento.

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Doria manda recolher apostila de ciência que fala sobre diversidade sexual: ‘Não aceitamos apologia à ideologia de gênero’

Por G1 SP

O governador João Doria (PSDB) mandou recolher nesta terça-feira (3) o material escolar de ciências para alunos do 8º ano do Ensino Fundamental da rede estadual de São Paulo. A apostila explica os conceitos de sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual. Também traz orientações sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis.

Alunos do 8º ano têm, em regra, 13 e 14 anos. “Fomos alertados de um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8º ano da rede estadual. Solicitei ao Secretário de Educação o imediato recolhimento do material e apuração dos responsáveis. Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero”, escreveu Doria pelo Twitter.

Em nota, a Secretaria da Educação de São Paulo afirma que o termo “identidade de gênero” estaria em desacordo com a Base Nacional Comum Curricular do MEC e com o Novo Currículo Paulista aprovado em agosto, e que a apostila é complementar ao estudo dos alunos.

Em 2017, o Ministério da Educação tirou o termo “orientação sexual” da terceira e última versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino infantil e fundamental, que passou a valer em 2019.

De acordo com o documento, o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiria orientações específicas sobre orientação sexual e identidade de gênero.

Para a professora FGV Cláudia Costin e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (CEIPE), “[A base] não só não menciona, mas ela não proíbe. Ao traduzir a base em currículos estaduais, os currículos podem ou não introduzir uma questão sobre isso, o que não impede que professores ou até escolas abordem o tema.”

“A base estabelece aprendizagens mínimas que todos os alunos brasileiros tem que ter na educação básica”, completa.

A BNCC é considerada fundamental para reduzir desigualdades na educação no Brasil e países desenvolvidos já organizam o ensino por meio de bases nacionais. O documento define a linhas gerais do que os alunos das 190 mil escolas do país devem aprender a cada ano.

Ainda segundo a secretaria da Educação, “as apostilas do ‘São Paulo Faz Escola’ são elaboradas por servidores da rede estadual, desde 2009, que se utilizaram das fontes abertas que dispunham, no caso, de manual do Ministério da Saúde”.

Ao falar da identidade de gênero, a apostila reproduz conteúdo do Ministério da Saúde: “A identidade de gênero refere-se a algo que não é dado e, sim, construído por cada indivíduo a partir dos elementos fornecidos por sua cultura: o fato de alguém se sentir masculino e/ou feminino. Isso quer dizer que não há um elo imediato e inescapável entre os cromossomos, o órgão genital, o aparelho reprodutor, os hormônios, enfim o corpo biológico em sua totalidade, e o sentimento que a pessoa possui de ser homem ou mulher”.

Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que o tema é pautado pela Constituição Federal, mas que estados e municípios têm autonomia para implementar ações desde que não conflitem com disposições nacionais.

“No âmbito do Ministério da Saúde, as temáticas da saúde sexual, reprodutiva, planejamento familiar e direito à reprodução, se pautam pelo disposto na Constituição Federal de 1988, e nas Leis 8.080 e 8.142 de 1990, orientados para o acesso universal e igualitário para a atenção integral à saúde.

Cabe esclarecer que estados e municípios possuem autonomia para construírem, destituírem, implementarem ou descontinuarem localmente ações, serviços e intervenções, desde que não conflitem com as disposições nacionais e constitucionais.

Vale ressaltar ainda que ‘gênero’ é um termo que tem reunido discussões de amplo espectro, muitas vezes diferentes entre si, e que comumente tratam sobre identidade, manifestação da afetividade, discriminação, saúde sexual, direitos civis, desigualdade, principalmente no tratamento entre homens e mulheres, além de aspectos culturais, tradicionais e sociais.

Trata-se de um conjunto amplo de debates, normalmente transversais ao Estado brasileiro, não situados especificamente em uma pasta ou setor, mas que demandam das políticas atenção para a manutenção dos direitos sociais assegurados na Constituição Federal, principalmente, no caso da saúde, na manutenção do direito ao acesso universal e igualitário para a atenção integral na Rede de Atenção à Saúde”, diz a nota.

Depois, em coletiva na tarde desta terça, Doria voltou a falar que seu governo “não faz ideologia de gênero”.

“Não é razoável que crianças e adolescentes tenham esse tipo de assunto na escola. Pela manhã fui informado sobre a existência dessa cartilha. Entrei em contato com o secretário Rossieli Soares, que se surpreendeu com o fato. Pedi que verificasse. Ele retornou dizendo que sim. Eu determinei que fosse recolhidas todas as apostilas e verificasse quem autorizou a produção e a distribuição sem prévia consulta ao secretário”, afirmou.

Texto contido no livro recolhido pelo governo de São Paulo — Foto: Reprodução

Texto contido no livro recolhido pelo governo de São Paulo — Foto: Reprodução

Veja a nota da Secretaria:

“Nesta segunda-feira, a Secretaria da Educação tomou conhecimento de que os alunos do 8º ano do Ensino Fundamental (menos de 10% da rede) receberam as apostilas de ciências do São Paulo Faz Escola em que consta conteúdo impróprio para a respectiva idade e série e em desarranjo com as diretrizes desta gestão. Diante disso, a Seduc-SP esclarece:

1- O tema de “identidade de gênero” está em desacordo com a Base Nacional Comum Curricular, aprovada em 2017 pelo Ministério da Educação e também com o Novo Currículo Paulista, aprovado em agosto de 2019. Assim, o assunto extrapola os dois documentos, que tratam do respeito às diferenças e à multiplicidade de visões da nossa sociedade.

2- A Secretaria da Educação iniciou imediatamente o recolhimento dos exemplares das escolas, nesta terça-feira, dia 3, assim como a apuração da responsabilidade pela aprovação do conteúdo.

3- As apostilas do São Paulo Faz Escola são elaboradas por servidores da rede estadual, desde 2009, que se utilizaram das fontes abertas que dispunham, no caso, de manual do Ministério da Saúde.

4- Não houve prejuízo material para a secretaria, uma vez que trata-se da apostila complementar referente apenas ao 3º bimestre, além de se tratar de apostila consumível, ou seja, que já não seria reaproveitada por outros alunos.

5- As apostilas são material complementar de apoio ao currículo e seu uso fica a critério de cada professor.

6- A Seduc-SP decidiu reestruturar todo o processo de produção das apostilas e já está contratando serviço de revisão externa para todos os materiais.”

Sobre ‘ideologia de gênero’

O termo “ideologia de gênero” surgiu entre meados da década de 1990 e início dos anos 2000 no âmbito do Conselho Pontifício para a Família, da Congregação para a Doutrina da Fé, antigamente conhecida como Santa Inquisição Romana e Universal, ala conservadora da Igreja Católica, segundo o Centro de Estudos Multidisciplinares Avançados da Universidade de Brasília (UnB).

O termo foi formulado como uma reação ao feminismo por neofundamentalistas católicos, que acreditam que a luta feminista atinge a tradicional família cristã. Mas, de acordo com a UNB, o termo contraria, inclusive, disposições do Concílio Vaticano II, quando vários temas da Igreja Católica foram regulamentados na década de 1960.

Depois, em 2000, a expressão apareceu em documento da Cúria Romana, com a publicação de “Família, Matrimônio e Uniões de fato”.

A expressão “ideologia de gênero” não é reconhecida no mundo acadêmico e é usada por grupos conservadores, como as igrejas evangélicas, contrários aos estudos de gênero iniciados nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos e na Europa, que teorizam a diferença entre o sexo biológico e o gênero.

Para esses estudiosos, ser um homem ou uma mulher não depende apenas da genitália ou dos cromossomos, mas de padrões culturais e comportamentais. Tais padrões, segundo os teóricos da área, são adquiridos na vida em sociedade. Já acadêmicos conservadores acreditam que as conclusões desses estudos sobre o gênero não obtiveram validação das ciências exatas e biológicas.

Em 1994, o conceito de gênero foi adotado, pela primeira vez, em documento intergovernamental na Conferência de População do Cairo, na Assembleia Geral da ONU de 1994.

Em 2004, no Brasil, surgiu o movimento “Escola sem Partido” para combater uma suposta doutrinação de esquerda que os professores praticariam nas escolas.

Em abril de 2017, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU enviou uma carta à embaixadora do Brasil na ONU, citando a exclusão do termo “orientação sexual” do currículo escolar após “membros do grupo Escola Sem Partido terem acusado professores de encorajar alunos a entrar em contato com sua natureza homossexual”.

A carta lembra que o Comitê de Direitos da Criança recomendou, em 2015, que o Brasil “fortalecesse seus esforços para combater a discriminação e a estigmatização de crianças vivendo em situação de pobreza em áreas urbanas marginalizadas, como favelas, além de crianças em situação de rua, meninas, e crianças negras e indígenas. ”

O Comitê também recomendou a criação de leis proibindo a discriminação e o incitamento da violência com base na orientação sexual e identidade de gênero.

Pricila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, afirma que o termo “ideologia de gênero” não existe na base da educação brasileira, mas sim, a discussão do tema.

“É importante diferenciar, porque tem um grupo que rotula. Isso é um rótulo de grupo.” Ela explica que a discussão visa debater a construção de identidade e que um grupo de pessoas é a favor e outro é contra abordar isso nas escolas.

Página da apostila recolhida — Foto: Reprodução

Página da apostila recolhida — Foto: Reprodução

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Mulher que descobriu gravidez após suspeita de tumor no útero dá à luz quíntuplos no Paraná

Por Wesley Bischoff, G1 PR

Parto foi feito em Hospital de Campo Largo na noite desta segunda-feira (2) — Foto: Luis Fernando Araújo/Arquivo Pessoal

Parto foi feito em Hospital de Campo Largo na noite desta segunda-feira (2) — Foto: Luis Fernando Araújo/Arquivo Pessoal

Uma mulher deu à luz quíntuplos na noite desta segunda-feira (2), em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. As crianças nasceram prematuras, de 28 semanas, segundo a família.

A gravidez de Anieli Camargo Kurpel, 24 anos, aconteceu de forma natural. O casal conta que estavam tentando ter um filho desde o fim de 2018.

Antes de descobrir que estava grávida de quíntuplos, a jovem ouviu em uma consulta que havia a suspeita de que ela poderia ter um cisto no ovário ou um tumor no útero.

Anieli e o marido, Luis Fernando Araújo, de 33 anos, moram em Chopinzinho, no sudoeste do Paraná. A descoberta dos quíntuplos veio no início de abril, durante um exame de ultrassom.

“Foi único. Eu senti uma emoção muito grande. Escutar cada coração foi lindo, foi um presente de Deus”, contou Anieli em entrevista ao G1 em abril.

Por ser considerada uma gravidez de risco, a jovem precisou de cuidados constantes durante a gestação.

Em julho, ela foi levada para o Hospital do Rocio, na Região Metropolitana de Curitiba, onde aguardou o nascimento dos filhos.

Nascimento

Os bebês nasceram às 21h15 e são três meninos e duas meninas. Os nomes escolhidos foram Luis Henrique, Jhordan, Tiago, Laura e Antonella.

“Ela estava sentindo um desconforto. Então, a médica examinou e viu que as contrações tinham começado. Aí foi feita a cesariana”, conta Luis Fernando.

Todas as crianças nasceram com mais de um quilo, menos a pequena Laura, que veio ao mundo com pouco mais de 900 gramas.

Após o parto, os bebês foram levados para incubadoras da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, onde devem permanecer até ganharem peso. Ainda não há previsão de alta.

Anieli já tem um filho chamado Davi, deseis anos, que é de outro relacionamento. Por outro lado, Luis Fernando está sendo pai pela primeira vez.

“Agora é só aguardar. Todos vieram com saúde. A partir de agora é uma batalha todos os dias. Mas vamos ficar todos bem”, disse o pai dos quíntuplos.

Campanha na internet

Após descobrirem a gravidez, o casal resolveu fazer uma campanha virtual para arrecadar fundos para cuidar das crianças. Anieli foi demitida do emprego semanas antes de descobrir a gravidez.

Em uma rede social, o casal criou uma conta chamada “Quíntuplos do Paraná”, que até esta terça-feira (3) contava com mais de 18 mil seguidores.

Os dois também criaram uma “vaquinha virtual”, com o objetivo de arrecadar R$ 40 mil para a compra de roupas, fraldas e outros itens para os bebês.

Em meio à campanha, o casal conta que descobriu uma conta falsa na internet, de pessoas que se passavam pelos dois para conseguir dinheiro.

Após denúncias feitas por seguidores, a conta falsa foi removida.

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Após transplante, jovem que perdeu couro cabeludo em kart deixa UTI em Ribeirão Preto

Por EPTV 2

A jovem Débora Dantas de Oliveira, que perdeu o couro cabeludo em um acidente de kart no Recife (PE), recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Especializado de Ribeirão Preto (SP), confirmou nesta terça-feira (3) o boletim do centro médico.

Há dez dias submetida a um transplante de pele e músculo que durou nove horas, a paciente foi liberada para permanecer no quarto e tem apresentado a evolução esperada pela equipe médica, segundo o relatório.

Desde que chegou a Ribeirão Preto, em 18 de agosto, Débora já foi submetida a diferentes procedimentos que visam reconstituir os tecidos perdidos em um acidente durante uma corrida de kart, em 11 de agosto.

Débora Dantas de Oliveira, de 19 anos, no Hospital Especializado em Ribeirão Preto — Foto: Hospital Especializado/Divulgação

Débora Dantas de Oliveira, de 19 anos, no Hospital Especializado em Ribeirão Preto — Foto: Hospital Especializado/Divulgação

Além do transplante, procedimento que envolveu dois anestesistas e cinco microcirurgiões, a jovem passou por uma cirurgia para reconstrução das pálpebras superiores e parte da testa.

Os médicos também precisaram religar artérias e veias, para garantir o fluxo de sangue no local.

Além dos procedimentos, Débora será submetida a um tratamento em câmara hiperbárica. Dentro desse equipamento, o paciente fica exposto a oxigênio 100% puro e em pressão maior que a atmosférica. O objetivo das sessões é auxiliar no processo de cicatrização.

Desde o acidente, o Walmart informa que tem prestado todo o suporte necessário a Débora. Tanto o transporte dela, quanto do noivo, de Recife para Ribeirão Preto, assim como o tratamento médico particular, estão sendo custeados pela empresa.

Débora Dantas, de 19 anos, sofreu escalpelamento após acidente com kart no Recife — Foto: Acervo pessoal

Débora Dantas, de 19 anos, sofreu escalpelamento após acidente com kart no Recife — Foto: Acervo pessoal

O acidente

Débora participava de uma corrida de kart com o namorado na tarde de 11 de agosto, em uma pista no estacionamento do Walmart, em Boa Viagem, na zona Sul do Recife, quando o cabelo dela, que era na altura da cintura, soltou da touca e ficou preso no motor.

Em entrevista exclusiva ao repórter Ernesto Paglia, do Fantástico, Débora relembrou os momentos de tensão que passou na pista, enquanto era socorrida.

A pele foi arrancada desde a altura dos olhos até a nuca da jovem, que foi socorrida pelo namorado e levada ao Hospital da Restauração, na capital pernambucana. Tumajan disse que pegou “o rosto dela na mão”, colocou em uma sacola e correu para levá-la ao hospital.

Os médicos conseguiram recuperar e reimplantar 80% da área atingida. Débora ainda passou por outra cirurgia para a retirada de trombos, mas os médicos apontaram o risco de o procedimento não funcionar devido às obstruções em veias e artérias.

No dia 18 de agosto, Débora foi transferida em um avião particular de pequeno porte para Ribeirão Preto. Na mesma noite, os médicos confirmaram que coágulos em veias e artérias prejudicaram o reimplante do couro cabeludo, que precisou ser retirado. O crânio foi coberto com um curativo, que chegou a ser refeito no dia 20.

No dia 22, Débora voltou ao centro cirúrgico. Dessa vez, os médicos reconstruíram as pálpebras superiores e parte da testa. A parti daí, a equipe passou a planejar o transplante de pele e músculo, realizado dois dias depois.

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PM é morto a tiros e outros dois são feridos no Complexo do Alemão

Por G1 Rio

Três policiais militares foram baleados no Morro da Fazendinha, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio na tarde desta terça-feira (3). Um dos agentes morreu. Segundo a assessoria de imprensa da PM, policiais da UPP local foram atacados por criminosos.

O PM que morreu foi identificado como cabo Rafael dos Santos Neves. Ele chegou a ser levado para a UPA do Complexo do Alemão, mas não resistiu.

Outros dois policiais foram socorridos para o Hospital Getúlio Vargas. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, um foi baleado no braço e o outro na coxa. Ambos estão fora de perigo.

O Portal dos Procurados divulgou um cartaz para ajudar o Grupo de Ação Conjunta (GAC) com informações que possam levar as prisões dos envolvidos na morte do cabo.

De acordo com o portal, com a morte de Neves, chega a 34 o número de agentes de Segurança Pública, assassinados no Rio em 2019- 31 da Policia Militar, 1 da Guarda Municipal (GM) e 1 da Aeronáutica.

Quem tiver qualquer informação a respeito da localização dos envolvidos no ataque a guarnição da UPP/Fazendinha, favor denunciar pelos seguintes canais: Whatsapp ou Telegram Portal dos Procurados (21) 98849-6099; pelo facebook/(inbox), endereço: https://www.facebook.com/procurados.org/, pelo mesa de atendimento do Disque-Denúncia (21) 2253-1177, ou pelo Aplicativo para celular.

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Após demolição, vila no Tatuapé da década de 50 é tombada

Por Mariana Aldano, SP1 — São Paulo

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) decidiu nesta segunda-feira (2) tombar a Vila Operária João Migiari, no Tatuapé, na Zona Leste da cidade de São Paulo um dia depois damaior parte das casas ser demolida. O tombamento acontece quatro meses depois da solicitação.

A Prefeitura de São Paulo embargou no sábado (31) a demolição por falta de tapumes no local. Mesmo sem a autorização, a empresa fez a demolição e foi multada em R$ 40 mil por ter realizado o serviço sem tapumes. Além disso, por ter desrespeitado o embargo, recebeu outra multa, de R$ 4 mil.

Casas de vila da década de 50 são demolidas na Zona Leste de São Paulo — Foto: TV Globo/Reprodução

Casas de vila da década de 50 são demolidas na Zona Leste de São Paulo — Foto: TV Globo/Reprodução

Em fevereiro, 20 dessas casas foram demolidas por uma empresa. Isso fez com que vizinhos e arquitetos se mobilizassem por assinaturas para um abaixo-assinado, pedindo que a construção fosse protegida pelo patrimônio público. A reunião estava marcada para esta segunda-feira (2).

Sobre a demora de quatro meses para analisar o pedido de tombamento do quarteirão, o Conpresp culpou a falta de pessoas na equipe, mas que vai contratar 58 arquitetos em um concurso público.

SP1 pediu posicionamento para a empresa responsável pela demolição, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O terreno deve ser usado para um empreendimento imobiliário.

Vila João Migliari, na Zona Leste de SP, foi demolida neste domingo — Foto: Reprodução/TV Globo

Vila João Migliari, na Zona Leste de SP, foi demolida neste domingo — Foto: Reprodução/TV Globo

Veja a localização da Vila Operária — Foto: Rodrigo Sanches/Editoria de Arte/G1

Veja a localização da Vila Operária — Foto: Rodrigo Sanches/Editoria de Arte/G1

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Coordenadora de movimento sem-teto presa em investigação do Paissandu é solta após 70 dias em SP

Por Giba Bergamim e Vivian Reis, TV Globo e G1 SP

Prédio ocupado na Rua Capitão Salomão, no Centro da cidade de São Paulo. Angélica dos Santos Lima é acusada de coordenar ação em investigação sobre o desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida — Foto: Reprodução/Google Maps

Prédio ocupado na Rua Capitão Salomão, no Centro da cidade de São Paulo. Angélica dos Santos Lima é acusada de coordenar ação em investigação sobre o desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida — Foto: Reprodução/Google Maps

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) soltou uma das líderes do Movimento de Moradia Para Todos (MMPT) na manhã desta terça-feira (3). Ela ficou 70 dias presa acusada de extorquir dinheiro de moradores sem-teto.

Em junho, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) terminou a primeira etapa do inquérito sobre o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida e concluiu que a tragédia foi resultado da negligência de grupos sem-teto.

A investigação agrupou os diversos movimentos da capital, que considerou uma “associação criminosa”, e o Deic pediu a prisão de 19 pessoas; 4 foram localizadas e detidas, sendo uma delas Angelica dos Santos Lima, que alega não ter relação com a ocupação do prédio que desmoronou.

No último dia 30, o advogado de outra líder presa, do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) de São Paulo, Janice Ferreira, conhecida como “Preta”, pediu um novo habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ela segue presa.

Decisão do TJ

No caso específico de Angelica dos Santos Lima, o MP a acusa de coordenar uma das quatro ocupações realizadas pelo Movimento de Moradia Para Todos (MMPT), na Rua Capitão Salomão, no Centro da cidade.

O juiz Laerte Marrone considerou que os depoimentos e interceptações telefônicas nas quais o MP se baseou ainda não revelaram a periculosidade que justificaria a prisão preventiva, “a qual, nos termos do Código de Processo Penal, representa a mais extrema das restrições cautelares, cabível apenas em hipóteses excepcionais”.

Além disso, ele avaliou que:

  • as referências relativas à Angélica na acusação do MP “não sinalizam para uma figura de maior destaque nas atividades da organização criminosa”;
  • Angélica é primária e de bons antecedentes; (c)
  • a testemunha da acusação não quis reconhecer Angelica pessoalmente e não citou nenhuma ação concreta dela

Por essa razão, o juiz Laerte Marrone concedeu “em parte” a liberdade a Angélica. Por enxergar indícios de que ela integra uma organização criminosa e a possibilidade de que ela tenha coagido alguns moradores de ocupação inadimplentes, determinou:

  • comparecimento mensal ao órgão do Poder Judiciário para informar e justificar as atividades;
  • proibição de frequentar ocupações;
  • proibição de manter contato com vítimas, testemunhas e acusados no caso;
  • proibição de sair da capital paulista;
  • recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga.

Pontos da acusação

André Figueiredo, delegado responsável pelo caso, se baseou em denúncias de extorsão realizadas em depoimentos de moradores do Wilton Paes de Almeida e em interceptações telefônicas. Segundo ele, líderes de movimentos sem-teto na capital paulista cobravam taxas mensais dos moradores do edifício, ameaçavam e agrediam fisicamente os inadimplentes.

O Deic pediu a prisão temporária das lideranças, depois a preventiva, o promotor Cássio Conserino concordou e também acusa as lideranças. Em sua denúncia, o promotor argumenta que os moradores sem-teto eram obrigados a votar no PT e participar de atos em apoio aos ex-presidentes Lula e Dilma

O promotor foi um dos responsáveis pela denúncia do ex-presidente no caso do tríplex do Guarujá, chamou Lula de “encantador de burros”em um post no Facebook, e em março de 2019 foi condenado a pagar indenização de R$ 60 mil por danos morais ao ex-presidente.

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Seguranças do Metrô de SP agridem moradores de rua com cassetete na Sé

Por Kleber Tomaz e Tatiana Santiago, G1 SP — São Paulo

Vídeo que circula nas redes sociais mostra seguranças do Metrô agredindo e expulsando moradores de rua dentro da Estação Sé com cassetetes e golpe de mata-leão no Centro de São Paulo. O caso aconteceu na manhã desta segunda-feira (2).

As imagens ainda mostram os moradores revidando, atirando paus e pedras em direção aos seguranças dentro da estação. Em seguida, eles fogem com a chegada da Polícia Militar (PM).

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa do Metrô informou por meio de nota que “todos os funcionários envolvidos foram afastados para apuração dos fatos”.

As cenas mostram seguranças do Metrô falando para os moradores se retirarem dos corredores da Estação Sé, onde estavam dormindo sobre colchões.

Nas imagens é possível ver uma discussão entre eles e em seguida seguranças batendo nos moradores com cassetetes.

Um dos moradores apanha mesmo deitado por golpes de cassetetes. Outro é imobilizado por um golpe conhecido como mata-leão, no qual o segurança aperta o pescoço do morador.

Paus e pedras

No revide, os moradores atiram pedaços de paus e pedras em direção aos seguranças que estão dentro da estação.

“Praça da Sé, vamos quebrar tudo lá!”, diz um morador antes de atirar pedras contra a estação.

“Tem criança aqui”, grita uma mulher dentro do local, enquanto tenta se proteger das pedradas.

Metrô

Por meio de nota, o Metrô informou que:

“Na manhã desta segunda-feira (2), um grupo de moradores de rua que incomodavam passageiros na Estação Sé do Metrô foi orientado por agentes de segurança e convidado a se retirar do local. Alguns se recusaram e houve confronto entre as partes e depredação da estação. A ocorrência foi registrada na Delpom – Delegacia do Metropolitano de São Paulo. O Metrô está apurando a conduta dos empregados a fim de verificar se houve excesso”.

PM

G1 também procurou a assessoria de imprensa da PM para comentar o assunto, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

Entre os questionamentos feitos à corporação estavam se policiais militares prenderam algum suspeito pela depredação.

Também foi perguntado a PM se o caso foi registrado na Polícia Civil e como foi. A corporação ainda foi indagada se teve informações de que os seguranças do Metrô agrediram os moradores.

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Denúncia que levou ao afastamento de presidente da Ancine envolve ex-ministro da Cultura e mais 5 servidores

Por Daniel Silveira, G1 Rio

A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que levou o presidente Jair Bolsonaro a exonerar o diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Christian de Castro Oliveira, envolve outros seis servidores públicos, entre eles o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Christian foi afastado do cargo na sexta-feira (30) por meio de um decreto publicado no Diário Oficial da União, no qual informava se tratar de uma determinação judicial. Os detalhes da denúncia apresentada pelo MPF só foram divulgados pelo órgão nesta terça-feira (3).

Decereto publicado no 'Diário Oficial' comunica afastamento do diretor da Ancine — Foto: Reprodução/'Diário Oficial'

Decereto publicado no ‘Diário Oficial’ comunica afastamento do diretor da Ancine — Foto: Reprodução/’Diário Oficial’

Além do presidente da Ancine, são alvos da denúncia Magno Maranhão, Juliano Vianna, Ricardo Precoari, Marcos Tavolari, Claudia Pedrozo e o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão. Eles são acusados pelo MPF por atuar em proveito próprio no exercício de funções públicas. A eles são imputados crimes como denunciação caluniosa, prevaricação, violação de sigilo funcional e associação criminosa.

Segundo o MPF, o grupo agiu criminosamente para favorecer a candidatura de Christian à presidência da Ancine. Cinco deles tiveram o pedido de afastamento do cargo apresentado à Justiça. Além disso, o MPF também pediu a indisponibilidade de bens dos denunciados bem como o ressarcimento integral dos danos causados à União.

As investigações do MPF revelaram que entre outubro de 2017 e janeiro de 2018, o grupo agiu no intuito de danificar a imagem de outros diretores da Ancine que concorriam à vaga de diretor-presidente do órgão. Com isso, Christian conseguiu ser eleito e todos os envolvidos foram recompensados com cargos públicos comissionados, ou seja, de confiança e com alto prestígio.

O MPF destacou que os denunciados chegaram a enviar uma nota à imprensa, além de uma denúncia anônima ao MPF, ambas falsas, como parte do esquema para promoção dos interesses do grupo.

“Christian teve acesso a informações sigilosas da Ancine e compartilhou com Ricardo Martins, à época seu sócio no setor audiovisual e que não era servidor público. Ambos trabalharam em conjunto com Magno Maranhão, Juliano Vianna, Ricardo Precoari, Marcos Tavolari, Claudia Pedrozo e Sérgio Sá Leite na confecção de divulgação do material calunioso. Todos tiveram promoção ou nomeação para cargos de prestígio após Christian assumir como presidente da Ancine, inclusive Ricardo Martins, que foi nomeado secretário-executivo do órgão”, esclareceu o MPF.

À época a Ancine ainda ligada ao extinto Ministério da Cultura (Minc), transformado pelo governo Bolsonaro em Ministério da Cidadania. A pasta era comandada pelo ministro Sérgio Sá Leitão que, segundo o MPF, participou da dinâmica criminosa para que Christian assumisse a presidência da Agência. De acordo com a denúncia, as investigações revelaram a proximidade pessoal de ambos e que o ex-ministro fez campanha política para que o amigo ascendesse ao cargo de diretor-presidente.

“Fica claro que, por terem agido quebrando sigilo funcional, prevaricado, praticado crimes contra a honra e denunciação caluniosa, enviado notícias falsas para veículos de imprensa e ao Ministério Público Federal, os agentes públicos da Ancine e do MinC ora denunciados obtiveram resultados em benefício próprio. Além da nomeação de Christian de Casto Oliveira à presidência da Agência, galgaram ascensão para cargos comissionados de prestígio e confiança direta do Ministro da Cultura e do Diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema.”, enfatizou o procurador da República Antonio do Passo Cabral, relator da denúncia.

Enriquecimento

Segundo o MPF, o grupo tirou proveito dos cargos públicos de maneira ilícita por quase dois anos. A estimativa do órgão é de que os denunciados tiveram um aumento patrimonial de pelo menos R$ 60 mil cada.

Além de Christian, o MPF também pediu o afastamento de Magno Maranhão, Juliano Vianna e Ricardo Pecorari de seus cargos como servidores na Ancine e de Marcos Tavolari no Ministério da Cultura. O afastamento da função pública tem o objetivo de impedir que os denunciados tentem atrapalhar as investigações, além de prejudicar a colheitas de provas e influenciar depoimentos de funcionários.

Dos sete denunciados, apenas o ex-ministro Sérgio Sá Leitão e a ex-chefe de gabinete do Ministério da Cultura Claudia Pedrozo não tiveram pedido de afastamento do cargo. Hoje eles são, respectivamente, secretário e secretária adjunta de Estado de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Bloqueio de bens e ressarcimento aos cofres públicos

Os denunciados também irão responder na esfera cível. O MPF moveu ação civil pública por improbidade administrativa contra Christian de Castro, Sérgio Sá Leitão, Ricardo Martins, Juliano Vianna, Magno Maranhão, Ricardo Pecorari, Marcos Tavolari e Cláudia Pedrozo.

“Os atos praticados pelos réus atentaram contra os princípios da administração pública e objetivaram o enriquecimento ilícito pessoal e de terceiros, com o intuito primordial de beneficiar Christian de Castro, que disputava a nomeação para o cargo de diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema”, argumentou o MPF.

Na esfera cível, o MPF pretende que, além das sanções previstas por ato de improbidade administrativa, seja decretada a indisponibilidade dos bens dos denunciados e a condenação o ressarcimento, por danos materiais e morais, ao valor de R$ 500 mil.

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