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Questões ‘polêmicas’ não foram apagadas do acervo, mas devem ficar fora da prova do Enem, diz Inep

Por Ana Carolina Moreno, G1

O órgão responsável por elaborar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) informou ao G1, via Lei de Acesso à Informação (LAI), que questões consideradas polêmicas ou de cunho ideológico não foram apagadas do seu acervo, mas que houve recomendação expressa para que não fossem usadas na elaboração da prova deste ano.

No próximo domingo (3), o Enem 2019 terá seu primeiro dia de prova, que será também a estreia da gestão do presidente Jair Bolsonaro na condução do exame.

Neste ano, por orientação de Bolsonaro, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia ligada ao Ministério da Educação (MEC) criou uma comissão externa para analisar as questões do Enem.

Segundo fontes ouvidas pelo G1, três pessoas designadas pelo Inep passaram cerca de duas semanas fazendo uma varredura de todas as questões do Banco Nacional de Itens (BNI), o sistema que guarda todas as questões que podem cair no Enem.

À época, os membros da comissão foram indicados pelo então ministro Ricardo Vélez Rodríguez e pelo então presidente do Inep Marcus Vinicius Rodrigues. Via Lei de Acesso à Informação (LAI), o Inep informou que a escolha buscou “perfis de profissionais com experiência em docência e com formação acadêmica stricto sensu na área de ciências humanas”.

O objetivo, segundo a portaria que instituiu a comissão, foi analisar as questões prontas para serem usadas em futuras edições do Enem para “verificar a sua pertinência com a realidade social, de modo a assegurar um perfil consensual do exame”.

Itens ‘não recomendados’

Conforme já divulgado pelo Inep, essa leitura dos itens não retirou questões consideradas impróprias do BNI. Mas, via Lei de Acesso à Informação (LAI), a autarquia detalhou que esses itens considerados inadequados foram isolados dos demais para a elaboração específica do Enem 2019.

“Os itens não foram excluídos do Banco Nacional de Itens, sendo apenas não recomendados para a montagem da edição 2019 do Enem”, respondeu o Inep, via LAI.

Quarentena no Banco Nacional de Itens

Um dos possíveis motivos para a não exclusão dos itens do BNI, porém, é fato de que o sistema não permite a retirada de questões. Diversas fontes ouvidas pelo G1 nesta semana sob a condição de anonimato reforçaram que as questões do BNI são consideradas um bem público e, por isso, não podem ser apagadas do sistema caso uma análise as considere inadequadas segundo os critérios pedagógicos levados em conta em uma determinada edição do Enem.

Por isso, é possível que, no futuro, essas questões possam vir a aparecer na prova.

Além disso, apesar de o trabalho da comissão já ter sido concluído há meses – havia pressa para que a varredura terminasse antes do processo de elaboração das provas deste ano –, o relatório final ainda precisa ser referendado pelo chefe da Diretoria de Avaliações da Educação Básica (Daeb) e pelo próprio presidente do Inep.

Metodologia do Enem foi mantida

O número total de itens do BNI também não é divulgado oficialmente, mas fontes afirmam que ele ainda não tem um volume suficiente para, por exemplo, realizar duas edições regulares do Enem por ano. Mas, mesmo após o “isolamento” dos “itens em quarentena”, foi possível obter no sistema questões suficientes para montar a edição regular de 2019, que acontece entre 3 e 10 de novembro, a edição para pessoas privadas de liberdade, que será aplicada em 10 e 11 de dezembro, e uma terceira versão das provas, que fica de reserva, caso alguma emergência exija mais uma aplicação do Enem.

Por isso, a metodologia da Teoria Resposta ao Item (TRI) usada no exame não foi prejudicada pelo trabalho da comissão.

Pela TRI, usada em avaliações com milhões de participantes para evitar um grande número de empates, a pontuação de cada candidato é definida não pelo número de acertos, mas pelo tipo de questões que ele acertou e errou (veja mais abaixo).

Vai chutar na prova do Enem? Entenda a metodologia da Teoria da Resposta ao Item — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Vai chutar na prova do Enem? Entenda a metodologia da Teoria da Resposta ao Item — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Orientação do presidente

A comissão externa – um instrumento que já era previsto em regulamentos do Inep e que costuma ser usado principalmente para a revisão de questões sobre conhecimentos que passaram por reformulações recentes – foi a solução encontrada pela primeira equipe montada pelo novo governo federal para atender à solicitação do presidente de excluir questões polêmicas da prova.

Pouco depois de ser eleito, Bolsonaro chegou a dizer que seu governo ‘tomaria conhecimento’ da prova antes de o Enem ser impresso.

Mas a expectativa sobre se ele veria ou não a prova antes de ela ser aplicada aos candidatos foi derrubada em maio deste ano, quando o então presidente do Inep, Elmer Coelho Vicenzi, disse que “não foi pedido ao Inep, por nenhuma autoridade superior ao presidente do Inep – ministro da Educação ou o próprio presidente [Bolsonaro]– para ler a prova”.

Ex-ministros da Educação e ex-presidentes do Inep ouvidos pelo G1 explicam que escolheram não ter acesso antecipado às provas do Enem. Um dos motivos é o fato de que, antes de ver as questões, é preciso assinar um documento declarando não ter parentes próximos inscritos no exame, e todas as pessoas que tiverem acesso se tornam possíveis suspeitos de investigação, caso haja algum vazamento ou fraude no Enem.

Tradicionalmente, o núcleo de pessoas que sabe quais questões estarão presentes no exame costuma ficar restrito aos cerca de cinco ou seis servidores que elaboram as provas.

‘Não ficar criando polêmicas’

Desde então, os dois presidentes do Inep e o ministro da Educação acabaram exonerados. Mas o atual ministro da Educação, Abraham Weintraub, reafirmou em 10 de outubro que o foco do Enem 2019 é “não criar polêmicas”, mas garantir que a prova meça o conhecimento dos estudantes.

“Simplesmente a gente pediu para que houvesse foco em questões não ideológicas, que mensurassem o conhecimento dos jovens na capacidade de ler, compreender texto, matemática, ciências, biologia, física, química, e não ficar discutindo coisas de caráter que possam polemizar o ensino dos jovens e das crianças do Brasil. A gente quer que as crianças aprendam, e que o ensino avance, e não ficar criando polêmicas”, explicou

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Mercado eleva expectativa de inflação e prevê alta maior do PIB em 2019

Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação para este ano e também passaram a prever um crescimento maior da economia brasileira.

As projeções constam no boletim de mercado conhecido como relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central (BC). O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

De acordo com a instituição, os analistas do mercado financeiro aumentaram a estimativa de inflação para este ano de 3,26% para 3,29%. Com isso, foi interrompida uma sequência de 11 semanas de redução.

A expectativa de inflação do mercado para 2019 segue abaixo da meta central, de 4,25%. O intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2020, o mercado financeiro baixou a estimativa de inflação de 3,66% para 3,60%. Foi a quinta queda consecutiva do indicador. No próximo ano, a meta central de inflação é de 4% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar entre 2,5% e 5,5%.

PIB

Para este ano, a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 0,88% para 0,91%. Para 2020, a previsão de crescimento do PIB continuou em 2%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Para 2019, a previsão do Banco Central é de uma alta de 0,9%, e a do Ministério da Economia é de um crescimento de 0,85%.

Outras estimativas

  • Taxa de juros – O mercado manteve em 4,5% ao ano a previsão para a taxa Selic no fim de 2019. Atualmente, a taxa de juros está em 5,5% ao ano. Com isso, o mercado segue prevendo queda nos juros neste ano. Para o fim de 2020, a projeção recuou de 4,75% para 4,5% ao ano. Com isso, o mercado passou a prever estabilidade da Selic no ano que vem.
  • Dólar – A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 permaneceu em R$ 4 por dólar. Para o fechamento de 2020, continuou estável em R$ 4 por dólar.
  • Balança comercial – Para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2019 recuou de US$ 48,85 bilhões para US$ 47,50 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado recuou de US$ 45 bilhões para US$ 43 bilhões.
  • Investimento estrangeiro – A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2019, subiu de US$ 80 bilhões para US$ 80,35 bilhões. Para 2020, a estimativa dos analistas permaneceu em US$ 80 bilhões.

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Com 506 espécies, cidade de São Paulo abriga mais tipos de aves que todo o Chile ou Portugal

Por Evanildo da Silveira, BBC News Brasil — São Paulo

Quem anda por São Paulo, principalmente pelas áreas mais arborizadas, com olhos e ouvidos atentos e sensíveis às coisas da natureza, poderá se surpreender com a grande variedade de espécies de aves que vivem na cidade.

Se prestar mais atenção ainda, deverá notar mudanças nessa biodiversidade, com algumas que estão se tornando mais comuns, como o pica-pau-da-cabeça-amarela (Celeus flavescens), a pomba asa-branca (Patagioenas picazuro), e o rapinante carcará (Caracara plancus), e outras mais raras, como o pardal (Passer domesticus).

No total, são 506 espécies que habitam a metrópole, segundo o Inventário da Fauna Silvestre do Município de São Paulo-2018, elaborado sob a coordenação da bióloga Anelisa Magalhães, da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA).

“Isso representa 63% das aves encontradas em todo o Estado e 26% do Brasil”, diz ela. “Entre elas, 116 são endêmicas da Mata Atlântica (23% da população); 39, rapinantes (gaviões, falcões e corujas); 22 são beija-flores, e 273 são pássaros, além de algumas espécies de outros tipos, como os psitacídeos (araras, papagaios e periquitos). De todas elas, 31 estão ameaçadas de extinção.”

Esses números revelam que São Paulo tem mais espécies de aves que todo o Chile ou Portugal, segundo pesquisadores. “A cidade tem apenas cerca de 200 a 300 menos (espécies) do que o Canadá, a Europa e a Rússia, territórios grandes o suficiente para abrigar milhares de ‘São Paulos'”, diz João Menezes, mestre em Ecologia pela Universidade de São Paulo (USP) e observador de pássaros há 15 anos.

“Dentro do Brasil, a cidade é a terceira capital com mais espécies registradas, atrás apenas de Porto Velho e Manaus.”

De acordo com Karlla Barbosa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora de projetos da Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil), organização não governamental de conservação dos pássaros brasileiros e parte da BirdLife International, presente em mais de 100 países, a avifauna paulistana é rica e diversa, composta por espécies residentes e migratórias, nativas e introduzidas.

“O que propicia essa grande diversidade são os dois corredores verdes que passam pela cidade: as serras da Cantareira, ao norte, e a do Mar, ao sul, além dos mais de cem parques urbanos espalhados por seu território”, explica.

Segundo o biólogo José Carlos Motta-Junior, do Laboratório de Ecologia de Aves (Labecoaves), do Instituto de Biociências da USP (IB-USP), como o município de São Paulo encontra-se em grande parte dentro do bioma da Mata Atlântica, além de parcela dele originalmente ter possuído pequenas manchas ou enclaves do Cerrado, como, por exemplo, o bairro Butantã, sua avifauna tem relação com as espécies dessas regiões, principalmente da primeira.

Ele ressalta, no entanto, que boa parte das aves que habita especificamente as áreas mais urbanizadas ou semi-urbanizadas do município, ou seja, as mais alteradas, é composta por espécies generalistas ou oportunistas. “Elas têm ‘jogo de cintura’, no sentido de explorarem vários tipos de alimentos, ambientes diferentes e locais de nidificação variados, e assim não apresentam muita sensibilidade ambiental”, explica.

“Consequentemente elas, como os sabiás-laranjeira (Turdus rufiventris) e bem-te-vis (Pitangus sulphuratus), por exemplo, prosperam e são abundantes na cidade.”

A metrópole paulistana possui muitos tipos diferentes de plantas frutíferas, além de vegetação que propicia ampla variedade de insetos. Por isso, muitas das espécies de aves não têm dificuldade em encontrar alimentos. Uma parcela menor delas busca flores para consumo de néctar ou micro-artrópodes a elas associados.

A ocorrência de áreas verdes atrai aves, porque propicia locais para reprodução. Para as espécies aquáticas ou semi-aquáticas, represas ou pequenas lagoas, ao menos razoavelmente limpas, são importantes. “Vale destacar que a arborização de ruas, parques e jardins e quintais deveria ter forte incentivo dos gestores da cidade, para ser exclusivamente com plantas nativas, para as quais as aves podem prestar serviços ambientais, como polinização de flores e dispersão das sementes”, diz Motta-Júnior.

Anelisa lembra que as cidades em geral apresentam um mosaico de ambientes bastante diversificado para as espécies que possuem bom deslocamento e conseguem aproveitar a abundância de recursos alimentares e novos nichos ecológicos para explorar.

“Muitas aves aproveitam esses recursos”, explica. Outro fator pode ser a redução de predadores nas cidades, quando comparado aos ambientes naturais, o que pode ser vantajoso para elas. No entanto, a grande diversidade encontrada no município se deve também à existência de áreas verdes florestais, principalmente nas zonas sul e norte. “Essa matriz florestal é a principal responsável pela diversidade e deve ser pensada como uma grande riqueza”, diz.

Segundo Barbosa, a maioria das espécies é nativa, com menos de 2% de exóticas. Há ainda nos parques urbanos muitas aves migratórias, que se reproduzem todos os anos nessas manchas verdes, com destaque para o bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus), a tesourinha (Tyrannus savana), a peitica (Empidonomus varius) e o suiriri (Tyrannus melancholicus).

“Além disso, há espécies que vêm para passar o período de invernada (não reprodutivo), como é o caso do príncipe (Pyrocephalus rubinus)”, explica. “Não é surpreendente como um pássaro viaja todos os anos milhares de quilômetros, como a tesourinha, que pode ir até a Colômbia e voltar para se reproduzir nos nossos parques? Pra mim isso é fantástico.”

De acordo com Motta-Junior, há poucas espécies exóticas ou introduzidas sem ocorrência natural no país, como o pardal (Passer domesticus), o bico-de-lacre (Estrilda astrild) e o pombo-doméstico (Columba livia). Há casos também de aves que não tinham registro na cidade (pelo menos nos apontamentos históricos dos naturalistas pioneiros), mas que nas últimas duas décadas vêm aparecendo, como o caso do papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), típico dos cerrados do interior do Brasil, que aqui provavelmente vem se expandindo devido a indivíduos soltos de cativeiro.

Migrantes que naturalmente e sazonalmente aparecem todo ano são uma parte importante da avifauna, a maioria chegando na primavera e no verão para aqui se reproduzir, e saindo até fevereiro ou março. “Como exemplos, temos a tesourinha, o suiriri, o bem-te-vi-rajado a juruviara (Vireo chivi), o sovi ou gavião-sauveiro (Ictinia plumbea) e o andorinhão-dos-temporais (Chaetura meridionalis)”, enumera o pesquisador da USP.

Além das aves generalistas, Macedo diz que as cidades tendem a selecionar aquelas que se beneficiem dos distúrbios e alterações ambientais. Entre elas, estão as que naturalmente constroem ninhos em cavidades de árvores e que aproveitam a oferta involuntária desses abrigos artificiais criadas pelos humanos. “Exemplos disso são a corruíra (Troglodytes aedon), o pardal e o periquito-rico (Brotogeris tirica)”, diz.

“Aves frugívoras pouco sensíveis a alterações, como os sanhaços cinzento (Thraupis sayaca) e do-coqueiro (Thraupis palmarum), podem se aproveitar de frutos abundantes na cidade, como a amora e a erva-de-passarinho.”

Ele chama a atenção para quatro espécies nativas, que podem ser observadas por qualquer pessoa que dedique cinco minutos a se atentar às aves em qualquer parte da cidade: sabiá-laranjeira, bem-te-vi, periquito-rico (Brotogeris tirica), e sanhaço-cinzento. “Quem for um pouco além e fizer uma caminhada de uma hora no Parque Ibirapuera, com olhos e ouvidos atentos, pode registrar até 50 espécies”, diz.

Entre os gaviões, segunda Anelisa, destaca-se o imponente gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus), espécie florestal observada nas áreas com fragmentos de vegetação nativa. Nos casos dos psitacídeos, chama a atenção a presença do papagaio (Amazona aestiva), que expandiu sua área de ocorrência natural e ganhou a cidade, sendo possível ver bandos grandes no Parque Ibirapuera. “Entre os pássaros, podemos citar espécies de mata fechada, que visitam os parques urbanos entre seus deslocamentos pelos fragmentos dessa vegetação”, diz. “São exemplos a araponga (Procnisas nudicolis) e o pavó (Pyroderus scutatus), que estão entre os maiores pássaros da nossa fauna.”

Além dessas aves mais comuns, há algumas que chamam a atenção, porque não se esperaria que elas fossem vistas em São Paulo.

Macedo, por exemplo, conta que já foi surpreendido várias vezes por espécies que até hoje não entende o que vieram fazer na parte urbana do município. “Um exemplo é a ocasião em que ouvi uma araponga (espécie dependente de florestas bem preservadas e extensas) cantando em uma praça próxima ao centro de São Paulo”, lembra.

“Outra tremenda surpresa foi quando os funcionários da Divisão de Fauna Silvestre da prefeitura resgataram um pinto-d’água-carijó (Coturnicops notatus) na zona leste da cidade. Para se ter uma ideia, essa espécie é tão difícil de ser encontrada que até então não se conhecia sequer a vocalização dela. Tanto um caso como o outro provavelmente estão ligados a movimentos sazonais que essas espécies fazem, mas que ainda não compreendemos bem.”

O que é certo, como lembra Anelisa, é que a fauna de uma região em geral e a avifauna em específico são dinâmicas, com algumas espécies aparecendo, colonizando e aumentando sua presença e outra diminuindo ou até mesmo desaparecendo. Exemplos desse fenômeno não faltam. É o caso da asa-branca.

“Ela se estabeleceu recentemente em São Paulo e aumentou bastante sua população”, informa. “No inicio do nosso estudo, em 1992, a espécie era incomum e agora é bastante frequente. O sabiá-laranjeira é outro exemplo. Está em maior número na cidade do que nos fragmentos florestais e no interior do Estado.”

Motta-Júnior, por sua vez, diz ter observado nos últimos anos, ao menos da região do Butantã, um aumento significativo dos periquitos-ricos, os quais não notava ser tão abundantes uns 20 anos atrás. “Sabiás-laranjeira também parecem ter aumentado, cantam muito desde a madrugada”, acrescenta. “Ambas as espécies podem estar aumentando devido à oferta maior de alimentos, mas seriam necessários estudos para confirmar o real motivo.”

Em contrapartida, o pardal, espécie europeia introduzida no Brasil, pelo Rio de Janeiro, em 1906, está sumindo da cidade.

“A estrutura das casas, principalmente a forma como são projetados os telhados agora, não fornecem mais abrigo para eles”, explica Barbosa.

“Isso pode ter contribuído para reduzir a reprodução.” Motta-Júnior concorda. “Realmente, há uns 20 ou 25 anos, eles eram mais comuns na cidade”, avalia. “Sua diminuição pode estar relacionada a alguma doença específica e endêmica, ou a locais de formação de ninho, mas precisamos de pesquisas para descobrir a causa. De qualquer forma, por se tratar de espécie exótica, sinceramente não acho ruim estarem desaparecendo, pois em seu lugar podem prosperar, por exemplo, os tico-ticos (Zonotrichia capensis), que são da fauna nativa.”

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Petróleo extra-pesado é o pior entre todos os que poderiam cair no mar; entenda análise do ‘DNA do óleo’

Por Patrícia Figueiredo, G1

Mancha de óleo encontrada na praia do Farol da Barra em Salvador (BA) nesta quinta-feira — Foto: Divulgação/Marinha

Mancha de óleo encontrada na praia do Farol da Barra em Salvador (BA) nesta quinta-feira — Foto: Divulgação/Marinha

A origem das manchas de óleo que atingem todos os nove estados do Nordeste continua um mistério, mas pesquisadores estão estudando e analisando o material encontrado nas praias. Exames laboratoriais mostram que a substância é petróleo cru de nacionalidade venezuelana, mas ainda não há informações sobre como ela veio parar na costa brasileira.

Segundo um estudo da UFRJ, a origem do vazamento pode estar em um ponto a 700 km do litoral de Alagoas e Sergipe. As hipóteses mais prováveis estão relacionadas a vazamentos provocados ou acidentais em embarcações que navegam por águas internacionais.

O G1 conversou com geólogos, engenheiros e químicos para entender como são feitas as análises de petróleo cru e quais as principais características dessa substância. Para eles, o óleo que atinge o Nordeste, do tipo extra-pesado, é o mais prejudicial ao meio ambiente.

“Ele tem mais frações tóxicas do que um óleo leve, cujos componentes seriam vaporizados mais facilmente”, diz Gonçalves, da FEI. “Enquanto ele está no mar você ainda pode retirá-lo com uma separação do tipo líquido-líquido. Mas, depois que ele entra em contato com a areia, a remoção torna-se muito mais difícil.”

Veja abaixo as principais dúvidas sobre o tema esclarecidas por especialistas:

O que é petróleo cru e quais são suas principais características?

O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos e impurezas como enxofre e metais pesados. Ele é gerado ao longo do tempo a partir da decomposição de algas e plânctons em rochas sedimentares submetidas a altas temperaturas em grandes profundidades.

Amostra de petróleo cru analisada em laboratório universitário — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

Amostra de petróleo cru analisada em laboratório universitário — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

O petróleo cru, substância que foi encontrada nas praias do Nordeste, é o óleo bruto, produzido diretamente no reservatório geológico e posteriormente escoado para uma refinaria. Ele precisa ser processado para dar origem a subprodutos comerciais como gasolina, querosene, óleo diesel e lubrificantes.

Como é possível descobrir a nacionalidade de uma amostra de petróleo?

Cada amostra de petróleo possui sua própria composição físico-química. Essas características dependem das condições do local onde ele foi originado. Quando um novo ponto de exploração é criado, o óleo obtido naquele local precisa ser cadastrado. No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) é responsável por catalogar, em sua biblioteca, todos os produtos da exploração e produção de petróleo e gás natural nas bacias sedimentares brasileiras.

“Cada óleo tem como se fosse um DNA, uma impressão digital que marca suas características”, explica Ronaldo Gonçalves, professor de engenharia química no Centro Universitário FEI e especialista em análise de petróleo.

Professor Ronaldo Gonçalves analisa amostra de petróleo cru em laboratório — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

Professor Ronaldo Gonçalves analisa amostra de petróleo cru em laboratório — Foto: Divulgação/Centro Universitário FEI

Em linhas gerais a qualificação dos diferentes tipos de petróleo se dá com base em seis critérios:

  • Marcadores biológicos;
  • Composição química;
  • Acidez;
  • Densidade;
  • Volatilidade;
  • Estabilidade.

A partir de uma análise laboratorial é possível verificar as características da amostra em relação a esses seis critérios e comparar o produto às amostras já catalogadas. “Eu pego um perfil de composição registrado e eu comparo a amostra com essa biblioteca e vejo com qual óleo registrado ela está mais próximo. Pode ser 90% ou 95% de compatibilidade, por exemplo”, diz Gonçalves.

A densidade dos líquidos derivados do petróleo é uma das características mais importantes para identificar e diferenciar uma amostra de óleo. Ela compõe uma fração essencial de sua “impressão digital”.

Essa densidade é medida em escala de grau API (American Petroleum Institute, na sigla em inglês) e considera a densidade relativa do líquido em relação à água. O óleo extra-pesado, classificação atribuída à substância encontrada na costa brasileira, é aquele com °API maior que 19.

Analisadores elementares estão entre os equipamentos usados para análise de amostras de petróleo — Foto: Divulgação/IPR

Analisadores elementares estão entre os equipamentos usados para análise de amostras de petróleo — Foto: Divulgação/IPR

Como o petróleo cru se comporta no mar?

A reação do material ao entrar em contato com a água salgada do oceano varia de acordo com as características do óleo.

O petróleo cru que apareceu na costa brasileira é denso e pesado, o que faz com que ele se comporte de maneira diferente da que ocorre na maioria dos vazamentos, segundo os pesquisadores.

“Grande parte dos vazamentos de petróleo em mar são de óleo leve, que formam uma fina camada translúcida e iridescente que se espalha na superfície dos oceanos, uma vez que este tipo de óleo é menos denso que a água”, explica Clarissa Lovato Melo, geóloga e coordenadora de pesquisa do Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUC-RS.

“Entretanto, óleos extra-pesados formam plumas de contaminação mais densas que a água e que, portanto, submergem logo após o vazamento, não sendo aparentes superficialmente.”

Mancha de óleo leve forma filme translúcido na superfície do oceano — Foto: Reprodução/ITOPF

Mancha de óleo leve forma filme translúcido na superfície do oceano — Foto: Reprodução/ITOPF

O óleo cru localizado nas praias brasileiras, de nacionalidade venezuelana, parece ser do tipo extra-pesado, explica Melo.

Por ser mais denso que a água do mar, o óleo que atingiu o Brasil parece ficar mais “leve” ao longo do tempo, conforme vai absorvendo a água salgada que o cerca e se aproximando da costa.

Já os óleos mais leves que a água do mar poderiam ficar mais densos após o vazamento, absorvendo a água do mar.

Mancha de petróleo pesado aparece na superfície apenas quando está mais próxima da costa  — Foto: Reprodução/TV Globo

Mancha de petróleo pesado aparece na superfície apenas quando está mais próxima da costa — Foto: Reprodução/TV Globo

Por que os satélites não conseguem localizar manchas de óleo significativas em alto mar?

O monitoramento de imagens de satélite feito pelo Ibama não encontrou indícios da substância na superfície marinha. O resultado da análise reforça a teoria de que o óleo que atinge as praias brasileiras não veio boiando pelo oceano, mas submerso.

Segundo os especialistas, isso ocorre porque se trata de um óleo denso que não se concentra na superfície, mas viaja em profundidade, de acordo com os movimentos das correntes marítimas.

Essa característica está relacionada à densidade do óleo, que é do tipo extra-pesado, típico de locais como Venezuela e Canadá. Por ser mais denso que a água, ele fica submerso até chegar próximo à costa, onde forma manchas escuras e assume características similares ao piche.

Voluntários retiram óleo da Ilha de Tatuoca, no Cabo de Santo Agostinho, neste domingo (20) — Foto: Salve Maracaípe/Reprodução/Whatsapp

Voluntários retiram óleo da Ilha de Tatuoca, no Cabo de Santo Agostinho, neste domingo (20) — Foto: Salve Maracaípe/Reprodução/Whatsapp

Esse tipo de óleo é considerado mais prejudicial ao meio ambiente porque sua decomposição é mais lenta.

“Ele tem mais frações tóxicas do que um óleo leve, cujos componentes seriam vaporizados mais facilmente”, diz Gonçalves, da FEI. “Enquanto ele está no mar você ainda pode retirá-lo com uma separação do tipo líquido-líquido. Depois que ele entra em contato com a areia, a remoção torna-se muito mais difícil.”

Além disso, esse tipo de óleo é caracterizado por maior poder de adesão. Ele tende a ser pouco absorvido ao entrar em contato com outros materiais, mas fica grudado com mais facilidade.

Para esta reportagem foram ouvidos, ainda, os geólogos José Antônio Cupertino e Rosália Barili da Cunha e o químico Tiago de Abreu Siqueira, do IPR, e os professores de engenharia de petróleo Patrícia Matai e Ricardo Cabral de Azevedo da Poli-USP.

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Motorista de aplicativo é esfaqueado e tem o carro roubado em Fortaleza; suspeito é preso

Por G1 CE

Um motorista de aplicativo foi esfaqueado durante um assalto na noite desta quinta-feira (24), na Rua Rio Grande do Sul, no Bairro Pici, em Fortaleza, após deixar um passageira no local. Os suspeitos de praticarem o crime foram capturados na madrugada desta sexta-feira (25), no Bairro Dom Lustosa.

De acordo com o motorista, que terá a identidade preservada, ele foi abordado por cinco suspeitos que chegaram a pé onde o carro estava parado. “Eles pediram para eu dirigir até determinado local. Quando chegou no ponto indicado, eles mandaram eu ir para o banco de trás e, no momento que eu estava tirando o cinto, eles esfaquearam meu braço e me ameaçaram”, relembra.

Os homens fugiram com o veículo e a vítima foi socorrida por populares para uma unidade de saúde.

Conforme o subtenente Dutra, do 18º Batalhão da Polícia Militar, o Ciops repassou a ocorrência e, por volta da meia-noite, o grupo foi localizado na Rua Maceió, no Bairro Dom Almeida Lustosa. “A composição da Força Tática fez a abordagem dos criminosos no momento em que eles entraram em uma rua sem saída”, afirma.

Com os suspeitos, foram localizados dois aparelhos celulares, o carro da vítima, uma pistola falsa, um facão e um punhal.

Um adolescente de 16 anos está entre os suspeitos. O grupo foi encaminhado para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), onde foi autuado pelo crime.

Polícia apreendeu com os criminosos um facão, um punhal, uma pistola falsa e recuperou os pertences da vítima. — Foto: PM/ Divulgação

Polícia apreendeu com os criminosos um facão, um punhal, uma pistola falsa e recuperou os pertences da vítima. — Foto: PM/ Divulgação

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Queiroz aparece em áudio sobre indicações para cargos no Congresso: ’20 continho aí pra gente caía bem’

Por G1 Rio

Queiroz aparece em áudio sobre indicações para cargos no Congresso

Queiroz aparece em áudio sobre indicações para cargos no Congresso

Em áudio enviado a um interlocutor não identificado, Fabrício Queiroz, ex-policial militar e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), faz orientações sobre indicações políticas para cargos comissionados no Congresso Nacional e fala em uma “fila” no gabinete do senador, que é filho do presidente Jair Bolsonaro.

“Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara e no Senado”, disse. “Vinte continho aí para gente caía bem”, emendou.

O caso foi revelado em reportagem publicada no site do jornal “O Globo” desta quinta-feira (24). O jornal afirma que o áudio é parte de uma conversa travada em junho deste ano – oito meses depois de Queiroz ter sido exonerado por Flávio, que era deputado estadual no Rio de Janeiro.

No áudio obtido pelo “Globo”, Queiroz demonstra conhecer o funcionamento do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado e sugere que o interlocutor poderia procurar parlamentares que frequentam o local para tratar de nomeações.

Coaf cita pagamento de título bancário de R$ 1 milhão em relatório sobre Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/JN

Coaf cita pagamento de título bancário de R$ 1 milhão em relatório sobre Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/JN

Veja a transcrição do áudio de Queiroz

Tem mais de 500 cargos lá, cara, na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles em nada, em nada. Vinte continho aí para gente caía bem para c*, meu irmão, entendeu?

Não precisa vincular ao nome. Só chegar lá e, pô, cara, o gabinete do Flávio faz fila de deputados e senadores, pessoal para conversar com ele, faz fila.

Só chegar lá e, pô, meu irmão, nomeia fulano aí para trabalhar contigo aí, salariozinho bom desse aí, cara, para a gente que é pai de família, cai como uma uva.

Áudio revela que Queiroz continuou a ser consultado sobre nomeações políticas

Áudio revela que Queiroz continuou a ser consultado sobre nomeações políticas

O que dizem os citados

Nota de Flávio Bolsonaro

A assessoria do senador divulgou uma nota em que questiona a autenticidade do áudio.

“O senador Flávio Bolsonaro não mantém qualquer contato com Fabrício Queiroz há quase um ano. O áudio comprova que seu ex-assessor não possui qualquer influência junto ao gabinete do senador, tanto que sugere ao suposto interlocutor buscar outros caminhos para ter acesso a cargos”, disse o comunicado.

“Se é que a voz no áudio é de Queiroz, estaria usando o nome do senador sem sua autorização e promete algo impossível, que jamais poderia entregar.”

“Quem sugere a existência de vínculos ou influência sobre o gabinete do senador está mentindo”, completou.

Mais tarde, em redes sociais, o senador divulgou um vídeo no qual diz:

“Eu sou o senador Flávio Bolsonaro e eu vim aqui dar uma explicação muito rápida, objetiva e tranquila sobre esse áudio que está circulando, atribuído ao meu ex-assessor Queiroz. Em primeiro lugar, eu não tenho mais nenhum tipo de contato com ele, há quase um ano. Nunca mais falei, e a última notícia que eu tive foi pela imprensa que ele taria tratando o seu câncer no estado de São Paulo. E o que fica bem claro nesse áudio é que ele não tem nenhum acesso ao meu gabinete, me parece bastante óbvio, tanto é que ele está ali fazendo uma reclamação de que não tem acesso a nenhum cargo, nenhum tipo de espaço. Então só é isso que está dizendo esse áudio. É óbvio que a imprensa vai fazer uma estardalhaço em cima disso, vai ficar reprisando toda a história de novo, mas sigo aqui com bastante tranquilidade, com a verdade ao meu lado, e confiante de que muito em breve a justiça vai ser feita e isso tudo vai estar tranquilamente esclarecido. Forte abraço a todos e fiquem com Deus”.

Nota de Fabrício Queiroz

Em nota, a defesa de Fabrício Queiroz declarou que “vê com naturalidade o fato de ele ser uma pessoa que ainda detenha algum capital político, uma vez que nunca cometeu qualquer crime, tendo contribuído de forma significativa na campanha de diversos políticos no Estado do Rio de Janeiro”.

Desse modo, “a indicação de eventuais assessores não constitui qualquer ilícito ou algo imoral, já que, repita-se, Fabrício Queiroz jamais cometeu qualquer ato criminoso”.

A prática da ‘rachadinha’

Fabrício Queiroz é ex-assessor e ex-motorista do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL), para quem trabalhou no mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) quando este era deputado estadual.

Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta de maneira considerada “atípica”, segundo relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) divulgado em dezembro de 2018.

O Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro abriu procedimento investigatório criminal para apurar o caso. Queiroz é investigado por suposta prática da “rachadinha”, que ocorre quando servidores comissionados devolvem parte dos salários.

O inquérito foi suspenso em julho por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Quem pediu a suspensão das investigações foi Flávio Bolsonaro.

As investigações envolvem um relatório do Coaf, que apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj. O documento revelou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, incluindo depósitos e saques.

Segundo as investigações, Queiroz emplacou sete parentes na estrutura

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Deputados são soltos após decisão da Alerj

Por Pedro Figueiredo, TV Globo

Os quatro deputados estaduais presos em Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, deixaram o presídio na tarde desta quinta-feira (24)

A libertação foi determinada na terça-feira em votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por 39 votos a 25.

Pessoas na porta da penitenciária hostilizaram os parlamentares, com gritos de “safado” e “ladrão”.

O único deputado eleito que falou com a imprensa foi André Corrêa, do DEM, que também foi secretário de Sérgio Cabral (MDB). Ele disse que “os humilhados serão exaltados”.

“Olha só, um ano preso sem ser condenado, sem ter direito a julgamento, sem sequer ser ouvido pelo juiz. É muito sofrido, família sofre, mas eu acredito na Justiça, né? E tenho pra mim reputação estraçalhada”.

” Acredito é que a Justiça vai ser feita, sou inocente e aqueles que serão humilhados serão exaltados”, afirmou.

Foram soltos:

  1. André Correa (DEM),
  2. Luiz Martins (PDT)
  3. Marcus Vinicius Neskau (PTB)
  4. Marcos Abrahão (Avante)

Já estava em prisão domiciliar:

  • Chiquinho da Mangueira (PSC)

Perda do foro privilegiado

Também nesta quinta, o TRF-2 decidiu que o caso dos deputados soltos deve ser julgado pela primeira instância.

Os desembargadores consideraram a decisão da Alerj de soltá-los que fala expressamente que eles ficam “impedidos de exercer os mandatos”.

Com isso, segundo a Justiça, os parlamentares eleitos perdem também o direito ao foro privilegiado.

Imbróglio jurídico na libertação

O resultado da votação da Alerj foi encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que se recusou a emitir o alvará de soltura por considerar que a decisão foi do Poder Legislativo.

Nesta quinta, a própria Alerj enviou um ofício solicitando a libertação. No início da tarde, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) disse que cumpriria a medida. Eles foram soltos por volta de 16h30.

Os parlamentares – que chegaram a tomar posse dos mandatos em março – estão presos por conta das investigações da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal que deram lastro à “Operação Furna da Onça”.

A operação apurou atos de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e de mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.

O Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a posse dos deputados.

Atualmente, cinco deputados estaduais, que eram suplentes, assumiram os cargos e estão exercendo as funções na Alerj.

STF determinou votação

Os deputados foram presos acusados de receber propina do esquema chefiado pelo ex-governador Sergio Cabral em troca de votações favoráveis ao governo na assembleia.

A votação foi determinada pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia na semana passada.

Ela baseou a decisão em sentença do STF de maio, que entendeu que assembleias estaduais têm o mesmo poder do Congresso de votar se parlamentares que sejam presos devem ser soltos.

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Polícia Civil e Universidade Federal do Ceará apuram denúncias de crimes sexuais ocorridos no Campus do Pici

Por Emanoela Campelo de Melo e João Pedro Ribeiro

A Polícia Civil apura uma denúncia de estupro e outra de uma tentativa de estupro dentro do campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC). A universidade abriu sindicância para apurar os supostos crimes sexuais.

G1 teve acesso aos dois boletins de ocorrência registrados na polícia. O estupro ocorreu em abril e foi denunciado em maio, relatou a denunciante à polícia. A suposta vítima diz três alunos a abordaram e a encostaram contra uma parede. Um deles levantou o vestido dela e a estuprou, ainda de acordo com a denúncia. Segundo o relato, a estudante foi sufocada ao tentar gritar por socorro.

Já a tentativa de estupro foi denunciada por um policial militar que estava de serviço em uma base móvel dentro do campus. O PM disse ter sido abordado por uma menor de idade estudante da universidade relatando a tentativa de estupro. A vítima foi submetida a um exame de corpo de delito.

A polícia apura ainda informações de outras estudantes ameaçadas pelo mesmo grupo de criminosos, por meio das redes sociais.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará informou que a denúncia de estupro foi remetida para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e, em seguida, encaminhada para a Polícia Federal. O segundo caso, este sobre o crime contra a dignidade sexual, foi registrado e encaminhado para a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) que transferirá também para a PF.

A UFC acrescentou que “repudia veementemente todo e qualquer ato de violência”. A sindicância corre em sigilo para “preservar os nomes das vítimas e de não prejudicar as investigações”.

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Justiça do Trabalho condena Vale a pagar R$ 1,5 milhão para família de vítima de Brumadinho

Por G1 Minas — Belo Horizonte

A 6ª Vara do Trabalho de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, condenou a Vale e a empresa terceirizada Reframax Engenharia, a pagar R$ 1,5 milhão de indenização por danos morais aos parentes de Fauller Douglas da Silva Miranda, uma das 252 vítimas identificadas da tragédia de Brumadinho.

A juíza Sandra Maria Generoso Thomaz Leidecker definiu as quantias de R$ 900 mil para a mãe da vítima, R$ 200 mil em favor do padrasto e R$ 200 mil para cada um dos dois irmãos.

De acordo com a decisão, “o rompimento da barragem, com as suas consequências tão conhecidas, comprova que as medidas adotadas (monitoramento, simulação de rompimento e planos de evacuação) foram insuficientes, pró-forma e não compatíveis com a imensa gravidade do dano potencial”.

Em sua defesa, a Reframax Engenharia alegou que estava apenas prestando serviços para a Vale e negou a existência de dolo ou culpa. No processo, a Vale disse que observou as normas de saúde e segurança do trabalho pertinentes.

De acordo com a juíza, houve ainda negligência por parte da mineradora por instalar um refeitório em um local abaixo da barragem.

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Adolescente morre por suspeita de envenenamento no RJ, e mãe se desespera: ‘Boca encheu de espuma’

Por Ana Paula Santos, Bom Dia Rio

Adolescente morre depois de comer doce oferecido por um desconhecido

Adolescente morre depois de comer doce oferecido por um desconhecido

A mãe da adolescente Lorrana Madalena da Luz Manoel, de 14 anos, Gisele, está desesperada. Na terça-feira (22), Lorrana morreu na UPA Jardim Íris, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, suspeita de ter sido envenenada.

Segundo Gisele, a filha começou reclamando de dor de cabeça e disse que tinha comido uma bala oferecida por uma desconhecida no trem.

“Ela chegou no meu trabalho, na segunda-feira (21) e falou que estava passando mal. Eu disse para ela esperar que a gente já ia embora. Ela comeu um lanche, e a gente saiu às 18h. Ela subiu o morro bem, brincou com o filho da vizinha. Foi na barraquinha, comprou um cachorro-quente para mim. Depois ela falou que estava com dor de cabeça e tomou um remédio. Perto da 1h, ela começou a ficar gelada e começou a boca a encher de espuma”, contou a mãe, desesperada.

A adolescente foi levada de madrugada para a UPA, aonde já chegou em estado grave.

Tia de Lorrana, Renata disse que os médicos suspeitam que a adolescente tenha sido envenenada. Ainda de acordo com a família, a jovem fez uma lavagem estomacal e foi colocada no oxigênio. Mas, no final da tarde de terça, ela teve três paradas cardíacas e morreu.

Peritos coletaram material para exames toxicológicos, para descobrir se a jovem foi mesmo envenenada. O corpo da jovem ainda está no IML de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O delegado Vinícius Domingos, da 64ª DP (São João de Meriti), requisitou imagens de câmeras de segurança da Supervia, para ver se mostram alguém oferecendo a bala a Lorrana. Ele também convocou a mãe da jovem para prestar depoimento nesta quinta-feira (24).

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