Corte Especial do TRF manda suspender licença de operação de Belo Monte

A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu liminar do mesmo Tribunal que garantia o funcionamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM) desde janeiro deste ano. A Corte acolheu recurso do MPF nesta quinta-feira (6). Na prática, a usina deve parar de operar imediatamente, mas ainda continua a execução das obras ainda pendentes. O G1 entrou em contato com a Norte Energia, responsável pela empresa, e aguarda retorno.

A usina estava autorizada a funcionar desde janeiro, por uma suspensão de segurança do próprio TRF, que derrubou liminar dada pela Justiça de Altamira no mês de setembro de 2016. Na ocasião, a Justiça de Altamira determinava as suspensões das licenças até que fossem integralmente cumpridas as condicionantes relacionadas ao saneamento básico do município.

A operação da usina pode ser retomada apenas com deferimento de recursos na Justiça de Altamira e no Supremo Tribunal de Justiça.

O projeto de saneamento básico deveria ter sido implementado em julho de 2014 e tem o objetivo de evitar a contaminação do lençol freático de Altamira pelo afogamento das fossas rudimentares da cidade, devido ao barramento do rio Xingu.

A suspensão de segurança que barrou a decisão da Justiça de Altamira foi reformada em janeiro porque o presidente do TRF1 entendeu que a paralisação de Belo Monte traria prejuízo à ordem e à economia públicas, ocasionando suspensão de fornecimento de energia elétrica, elevação das tarifas de energia e prejuízos ambientais pelo uso de termelétricas.

Riscos para a população

Para o Ministério Público Federal, “o enchimento do reservatório sem o cumprimento da condicionante do saneamento, que já deveria ter sido realizada há três anos, coloca a população de Altamira em risco de doenças pela contaminação das águas superficiais e profundas”, alegaram os procuradores regionais da República Raquel Branquinho, Felício Pontes e Bruno Calabrich.

Outro argumento foi que a linha de transmissão principal, que levaria energia do Xingu ao Sudeste, não está construída, o que impede dano à economia pública.

Pela decisão da Corte Especial do TRF1, o reservatório da usina não pode ser formado até que seja realizado o saneamento básico de toda a cidade de Altamira, conforme determinava a condicionante da licença de operação concedida pelo IBAMA.

Funcionamento

A UHE Belo Monte será a quarta maior hidrelétrica do mundo em capacidade de geração de energia, superada apenas por Três Gargantas (China), Itaipu (Brasil e Paraguai) e Xiluodu (China). Em seu pico de geração, será capaz de produzir 11.233 MW, volume suficiente para abastecer um país do porte da Argentina. Na média anual, Belo Monte vai gerar cerca de 4 mil MW, energia suficiente para abastecer 60 milhões de pessoas quando estiver em pleno funcionamento, em 2019.

A Usina tem 10 unidades geradores em operação, autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). No dia 17 de janeiro deste ano, o órgão autorizou a ativação comercial da quarta turbina da Casa de Força Principal, no Sítio Belo Monte. Quando estiver em funcionamento total, terá 18 turbinas da Casa de Força Principal e 6 da Casa de Força Complementar. O investimento completo na obra é de R$ 30 bilhões.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Jovem que sofria bullying por ter rosto deformado fará cirurgia em SP após 4 anos de espera

Luciene fará cirurgia para reconstruir a face (Foto: Divulgação/Unimes)

Luciene fará cirurgia para reconstruir a face (Foto: Divulgação/Unimes)

Após quatro anos de luta, a dona de casa Luciene Anselmo de Faria finalmente fará uma cirurgia para reconstruir a face e, com isso, tentar mudar totalmente de vida. A jovem de Peruíbe, no litoral de São Paulo, é alvo de preconceito desde a infância por conta da fisionomia, já que tem grandes problemas na mandíbula e nasceu sem uma das orelhas.

A história de Luciene começou a ser contada pelo G1 em 2013, quando ela procurou ajuda na Faculdade de Ortodontia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) depois de estar cansada de sofrer preconceito e de passar por situações humilhantes desde a infância. Além da parte estética, o problema na mandíbula deixa o seu rosto torto, o que a prejudica no dia a dia já que ela respira apenas pela boca e, às vezes, sente falta de ar.

O professor e diretor-científico da Associação dos Dentistas de Santos, Wagner Nascimento, levou o caso de Luciene para os dentistas Almir Lima Jr., Marcelo Quintela e Alessandro Silva, especialista em cirurgia bucomaxilar. Eles descobriram que Luciene tem uma síndrome rara que deu origem a uma “microssomia hemifacial” (malformação e deficiência no crescimento da mandíbula). O diagnóstico foi feito durante exame clínico realizado por dentistas especializados e confirmado pela disciplina de Genética da Faculdade de Medicina da Unimes.

Como ela não tinha condições financeiras de pagar por todos os procedimentos cirúrgicos, os dentistas, que também coordenam a “Corrente Profissional do Bem”, apostaram em um grupo de profissionais de saúde, empresas e laboratórios que oferecem atendimento gratuito para pessoas que não possuem condição financeira para custear os tratamentos. Depois de conseguirem todo o tratamento de forma gratuita, a cirurgia estava prevista para acontecer em 2014, mas teve que ser adiada.

Segundo Silva, os dentistas resolveram mudar a estratégia. A princípio, seriam feitas duas cirurgias, mas ao analisar melhor o caso de Luciene, eles chegaram a conclusão que seria um procedimento muito instável. Além disso, Luciene ficou sem o plano de saúde e também teve problemas pessoais que a impediram de dar seguimento ao tratamento da forma correta.

No ano passado, os dentistas entenderam que ela estaria pronta para realizar apenas uma cirurgia, bem complexa e trabalhosa, mas que iria resolver os problemas de forma mais segura. A jovem está usando, há dois anos, o aparelho ortodôntico que a prepara para a cirurgia. O aparelho é moderno e sofisticado, pago pelo próprio curso de Especialização no qual ela é atendida.

A cirurgia foi, finalmente, marcada para a próxima sexta-feira (7), no Hospital Vitória. Os brasileiros trouxeram o dentista americano David Poor, professor da Universidade do Pacífico, que é conhecido internacionalmente pela experiência nesses casos de cirurgia buco-maxilo-facial. Ele irá revezar-se com a equipe brasileira no centro cirúrgico, já que o procedimento deve durar cerca de seis horas. A cirurgia de Luciene será filmada e transmitida, às 8h30, durante a II Jornada Ortocirúrgica da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Equipe especializada trabalha para que cirurgia seja feita (Foto: Divulgação/Unimes)Equipe especializada trabalha para que cirurgia seja feita (Foto: Divulgação/Unimes)

Equipe especializada trabalha para que cirurgia seja feita (Foto: Divulgação/Unimes)

Durante a cirurgia uma prótese de mandíbula vai reconstruir as partes ósseas que a paciente não tem, suas articulações serão refeitas, e o maxilar superior também será reposicionado para que os dentes se encaixem perfeitamente em novas posições.

“Vamos substituir a articulação que ela não têm por uma de titânio. A gente faz toda a correção de toda a deformidade que ela tem. É trabalhoso. O dentista americano tem bastante experiência. É uma cirurgia a quatro mãos, dois dentistas e dois assistentes”, comenta Silva.

Após o procedimento, ela continuará recebendo um acompanhamento dos dentistas e terá orientação médica e também de nutricionistas. Após três meses, Luciene deve voltar a ter uma vida normal. Porém, os dentistas envolvidos esperam mais que isso, que ela possa viver de uma forma muito melhor.

“O objetivo é alcançar a plenitude, que é a simetria facial, de função e estética facial. A função que ela vai ter é mastigatória e respiratória, ter uma boa mordida, adequada e uma melhor digestão dos alimentos. E, também a estética. O que eu vou fazer é só mostrar o que está escondido nela”, falou.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

MEC vai divulgar nesta quinta a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)

O Ministério da Educação vai divulgar, nesta quinta-feira (6), a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o primeiro documento do Brasil que vai servir como base obrigatória para a elaboração dos currículos de todas as escolas, tanto públicas quanto privadas. De acordo com o MEC, o documento deve ser apresentado ao público a partir das 11h desta quinta, durante um evento em Brasília.

O texto a ser apresentado se refere apenas aos anos escolares do ensino infantil e do fundamental: o MEC diz que pretende finalizar a terceira versão da Base do ensino médio no segundo semestre.

Nesta quinta, o G1 vai trazer a cobertura completa da divulgação, com as considerações do governo federal, a comparação sobre o que mudou entre a segunda e a terceira versão, comentários e análises de entidades especializadas na área de educação e uma explicação sobre os próximos passos.

Entenda a Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular, ou BNCC, não é em si um currículo obrigatório para todas as escolas, mas sim um documento que contém os objetivos de aprendizagem esperados para todos os estudantes em cada ano escolar.

Isso quer dizer que é a partir desse documento que as 190 mil escolas brasileiras (públicas e privadas) vão definir os seus próprios currículos – isso sim será obrigatório. Essa é a primeira vez que o Brasil vai ter um documento nacional contendo objetivos educacionais padronizados para todo o país.

O processo de elaboração da Base começou em meados de 2015 e passou por três fases: a primeira versão foi elaborada em conjunto por 116 especialistas de 35 universidades e lançada em setembro de 2015. Durante quase seis meses, esse documento preliminar recebeu mais de 12 milhões de sugestões em uma consulta pública online. A segunda versão foi elaborada a partir dessas colaborações e foi divulgada em maio de 2016.

Entre junho e agosto, ela foi debatida em seminários em todos os estados brasileiros. A partir de relatórios desses seminários, a elaboração da terceira e última versão ficou nas mãos de um comitê gestor presidido pela secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães Castro, com membros de secretarias do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O próximo passo é a discussão da Base no Conselho Nacional de Educação (CNE). Depois de aprovado pelos conselheiros, ela segue para a homologação do ministro.

Desde a primeira versão, a Base foi envolvida em diversas questões polêmicas, como críticas ao currículo de história, que deixou de fora alguns conteúdos para privilegiar temas relacionados ao Brasil e à África. A questão foi resolvida na segunda versão. Porém, essa também sofreu críticas: o relatório feito após os seminários estaduais apontou a falta de objetividade dos textos, entre outros problemas.

A Base também é criticada pela falta de participação dos professores na sua elaboração, já que serão eles os responsáveis por tirar do papel os itens do documento. Além disso, o governo está quase um ano atrasado na entrega da BNCC, que, segundo o Plano Nacional do Educação, já deveria estar homolagada desde junho de 2016.

Em setembro do ano passado, o atraso piorou com a MP do ensino médio: o MEC anunciou que dividiria a Base em duas. A Base do ensino infantil e fundamental continuou em seu processo de elaboração até o MEC anunciar seu lançamento nesta quinta. Já a do ensino médio ficou parada durante meses, até que o Congresso discutisse e votasse a medida provisória. Veja a cobertura completa sobre a BNCC

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

‘Aquarius’ ganha Festival de Cinema do Panamá

Sônia Braga, em cena de 'Aquarius' (Foto: Divulgação)

Sônia Braga, em cena de ‘Aquarius’ (Foto: Divulgação)

O filme brasileiro “Aquarius”, do diretor Kleber Mendonça, conquistou o prêmio do público de melhor filme ibero-americano na sexta edição do Festival Internacional de Cinema do Panamá, informaram os organizadores do evento.

“Aquarius” foi o mais votado pelo público que assistiu ao Festival, realizado de 30 de março a 5 de abril.

Único filme da América Latina entre os 21 aspirantes à Palma de Ouro de Cannes no ano passado, “Aquarius” conta a história de Clara, uma viúva e crítica musical aposentada que se nega a abandonar um prédio antigo pretendido por uma empresa.

Protagonizado por Sônia Braga, “Aquarius” já conquistou diversos prêmios, nos Festivais de Sidney, Mar del Plata, Lima e Havana.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Castelinho da Rua Apa será reaberto após abandono e fama de ‘mal assombrado’

Com fama de mal-assombrado, o Castelinho da Rua Apa, um imóvel construído no início do século XX no Centro de São Paulo, será reaberto nesta quinta-feira (6) depois de quase 50 anos abandonado. A reforma feita pelo governo do estado custou R$ 2,8 milhões.

O Castelinho, que fica nas esquinas da Rua Apa com a Avenida São João, vai funcionar como sede da ONG Clube de Mães do Brasil, que ocupava imóvel anexo desde 1997.

A ONG promove atividades de cunho social, educacional e cultural, atendendo a crianças, cidadãos em situação de rua, dependentes químicos e catadores de papel da região e é comandada pela maranhense Maria Eulina Reis Hilsenbeck, uma ex-moradora de rua.

O imóvel foi construído como réplica de um castelo medieval foi projetado e construído por arquiteros franceses e inaugurado em 1912. O Castelinho pertencia à família Guimarães Reis. No dia 12 de maio de 1937, um crime marcou a história do Castelinho: os advogados Álvaro e Armando Cézar dos Reis e a mãe deles, Maria Cândida Guimarães dos Reis, foram encontrados mortos a tiros por uma empregada que morava numa casa anexa. “O Crime do Castelinho da Rua Apa”, permanece misterioso.

O imóvel ficou abandonado em 1982, foi invadido por moradores de rua até ser concedido à ONG Clube de Mães do Brasil. O Castelinho foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo em 2004 e declado Patrimônio Histórico e Cultural. A obra de restauração começou em 2015.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Supremo Tribunal Federal proíbe greves para todas as carreiras policiais

Supremo proíbe greve de policiais e agentes penitenciários em todo o país.

Por 7 votos a 3, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam nesta quarta-feira (5) inconstitucional o direito de greve de servidores públicos de órgãos de segurança e decidiram proibir qualquer forma de paralisação nas carreiras policiais.

Embora tenha proibido as greves nas polícias, a Suprema Corte também decidiu, por maioria, que o poder público terá, a partir de agora, a obrigação de participar de mediações criadas por entidades que representam servidores das carreiras de segurança pública para negociar interesses da categoria.

A decisão do STF terá a chamada repercussão geral, ou seja, deverá ser seguida por todas as instâncias da Justiça.

“Algumas atividades do Estado não podem parar de forma alguma. E a atividade policial é uma delas” (José Bonifácio de Andrada, vice-procurador-geral da República)

A inconstitucionalidade das greves de policiais foi declarada no julgamento de um recurso apresentado pelo governo de Goiás contra uma decisão do Tribunal de Justiça do estado que havia considerado legal uma paralisação feita, em 2012, por policiais civis goianos.

No processo, diversas entidades se manifestaram contra a possibilidade de greve por agentes de segurança, com base no artigo 142 da Constituição, que proíbe sindicalização e greve de integrantes das Forças Armadas.

Desde 2009, diversas decisões de ministros do STF consideraram ilegais as greves de policiais militares, civis e federais, sob o argumento de que representam risco para a segurança pública e para a manutenção da ordem.

A advogada-geral da União, Grace Mendonça, defendeu no julgamento desta quarta-feira o recurso que pedia a inconstitucionalidade das greves de policiais civis.

“A paralisação de policiais civis atinge na essência a própria razão de ser do Estado, que é assegurar efetivamente à população a segurança. E mais, segurança essa que a Constituição Federal preserva e insere como valor mais elevado”, defendeu na tribuna do STF a chefe da Advocacia-Geral da União.

Representante do Ministério Público na sessão, o vice-procurador-geral da República, José Bonifácio de Andrada, também se manifestou contra as paralisações de policiais civis.

“Não é cabível, compatível algum tipo de paralisação nessa atividade, como também não é admissível paralisação nos serviços do Judiciário, do Ministério Público. Algumas atividades do Estado não podem parar de forma alguma. E a atividade policial é uma delas”, ponderou Bonifácio de Andrada.

No julgamento desta quarta-feira, votaram para proibir as greves de policiais os ministros Alexandre de Moraes, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

Por outro lado, o relator do caso, ministro Edson Fachin, e os ministros Rosa Weber e Marco Aurélio Mello se manifestaram pela constitucionalidade das paralisações de policiais, desde que fossem impostos limites às greves. O ministro Celso de Mello não participou do julgamento.

Votos dos ministros

Relator do recurso, o ministro Edson Fachin foi o primeiro magistrado a se manifestar no julgamento desta quarta.

Ressaltando que o direito de greve estava diretamente relacionado à “liberdade de reunião e de expressão” prevista na Constituição, ele se posicionou favorável à legalidade dos movimentos grevistas de policiais civis, mas sugeriu que o tribunal determinasse limites às paralisações.

Entre as regras defendidas por Fachin para que os policiais tivessem assegurado o direito à greve estavam a prévia comunicação do movimento ao Judiciário, a definição de um percentual mínimo de servidores que deveriam ser mantidos em suas funções e o corte de ponto, desde que a motivação da paralisação não fosse o atraso no pagamento dos vencimentos.

Ele ainda propôs que policiais civis ficassem proibidos de portar armas e distintivos em manifestações ligadas a movimentos grevistas.

“Em meu modo de ver, a solução para o presente caso pode e deve ser diversa. Embora a restrição do direito de greve a policiais civis possa ser medida necessária adequada à proteção do devido interesse público, na garantia da segurança pública, a proibição completa do exercício do direito de greve acaba por inviabilizar o gozo de um direito fundamental”, defendeu o relator.

Ao votar na sequência de Fachin, o ministro Alexandre de Moraes – que já atuou como ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública de São Paulo – discordou da recomendação do relator pela legalidade dos movimentos de policiais civis e abriu uma divergência.

O mais novo magistrado do Supremo defendeu que o tribunal declarasse a inconstitucionalidade de todas as paralisações de servidores públicos de órgãos de segurança, conforme está previsto no artigo 144 da Constituição. Mais tarde, Moraes disse a jornalistas que a restrição de greve se estenderá também aos agentes penitenciários.

“Não é possível que braço armado do Estado queira fazer greve. Ninguém obriga alguém a entrar no serviço público. Ninguém obriga a ficar”

A carta constitucional classifica como integrantes das carreiras de órgãos de segurança, além dos policiais civis e militares, os policiais federais, policiais rodoviários federais e bombeiros militares.

Em meio ao seu voto no julgamento, Moraes comparou um Estado em que a polícia está em greve a um Estado anárquico.

“Não é possível que braço armado do Estado queira fazer greve. Ninguém obriga alguém a entrar no serviço público. Ninguém obriga a ficar”, ressaltou o ministro do STF.

“É o braço armado do Estado. E o Estado não faz greve. O Estado em greve é um Estado anárquico. A Constituição não permite”, complementou.

‘Homem lobo do homem’

Luis Roberto Barroso foi o primeiro ministro a acompanhar a divergência aberta por Alexandre de Moraes. Ao votar, Barroso afirmou aos colegas do tribunal que seu voto a favor da proibição das greves de policiais foi influenciado pela recente paralisação de PMs no Espírito Santo.

Em fevereiro, o estado ficou sem policiais militares nas ruas por sete dias por causa do protesto de familiares na porta dos quartéis. Nas ocupações, as mulheres dos policiais alegavam que eram elas que estavam no comando da paralisação. Para as autoridades, entretanto, essa era uma tentativa de encobrir o que, supostamente, seria um motim dos PMs.

Durante a paralisação dos policiais capixabas, aumentaram os índices de mortes violentas no estado e houve dias em que o comércio deixou de funcionar com medo da insegurança.

“Nós testemunhamos os fatos ocorridos no Espírito Santo, em que, em última análise, para forçar uma negociação com o governador, se produziu um quadro hobbesiano, estado da natureza, com homicídios, saques. O homem lobo do homem. Vida breve, curta e violenta para quem estava passando pelo caminho”

Também em fevereiro, parentes de policiais militares no Rio de Janeiro iniciaram um movimento como o do Espírito Santo. A Polícia Civil e os bombeiros do estado também fizeram paralisações no período.

Segundo Barroso, esses recentes episódios demonstram que não é possível garantir um “caráter absoluto” do direito de greve para policiais. Ele, então, afirmou que acompanharia o voto de Moraes, que proibia irrestritamente as paralisações de servidores diretamente ligados à segurança pública, mas sugeriu que o poder público passasse a ser obrigado a participar de eventuais negociações com representantes da categoria policial.

“Nós testemunhamos os fatos ocorridos no Espírito Santo, em que, em última análise, para forçar uma negociação com o governador, se produziu um quadro hobbesiano, estado da natureza, com homicídios, saques. O homem lobo do homem. Vida breve, curta e violenta para quem estava passando pelo caminho”, enfatizou.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Preços dos imóveis ficam quase estáveis no primeiro trimestre, diz FipeZap

 (Foto: G1)

(Foto: G1)

Os preços dos imóveis ficaram praticamente estáveis no primeiro trimestre do ano, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) na pesquisa FipeZap. Os valores, no entanto, subiram menos que a inflação esperada para o período.

O estudo mostra que, enquanto os preços subiram 0,09% nos primeiros três meses de 2017, a inflação esperada é de 0,94%, considerando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e as projeções do Boletim Focus para março.

Já nos últimos 12 meses terminados em março, os preços tiveram queda real (ou seja, levando em conta a inflação) de 3,62%. Enquanto a variação dos valores foi de 0,77%, a inflação esperada é de 4,55%.

Entre fevereiro e março, houve leve queda, de 0,04%, contra inflação esperada de 0,23%. No mês anterior, os preços haviam subido 0,13% – ainda abaixo da inflação, de 0,33%.

Locais pesquisados

Entre os 20 locais pesquisados, apenas 2 tiveram alta nos preços dos imóveis acima da inflação: Belo Horizonte, com alta de 7,94% no preço médio do metro quadrado, e Curitiba, com elevação de 5,04%.

Considerando o primeiro trimestre, apenas Belo Horizonte teve alta de preços acima da inflação no primeiro trimestre. O avanço foi de 3,62%, contra inflação esperada de 0,94%.

A cidade do Rio de Janeiro segue com o metro quadrado mais caro entre os locais pesquisados, com valor médio de R$ 10.221, seguida por São Paulo, com R$ 8.656. Já a cidade com o menor valor é Contagem (MG), com R$ 3.527, seguida por Goiânia (R$ 4.103).

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Telescópio russo para mapear lixo espacial será inaugurado nesta quarta

Samantha SilvaDo G1 Sul de Minas

Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG (Foto: LNA/Divulgação)
Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (Foto: LNA/Divulgação)

Um telescópio russo para mapeamento de detritos espaciais será inaugurado nesta quarta-feira (5) em Brazópolis (MG). O projeto é resultado de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a estatal russa Roscosmos para monitoramento do céu. A cerimônia acontece no Observatório Pico dos Dias, onde o equipamento foi instalado, a partir das 15h. É o primeiro telescópio deste tipo instalado no Brasil, que também é o primeiro país a receber o projeto da Rússia.

O investimento no projeto foi de cerca de R$ 10 milhões feito todo pela Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos). Parte da verba, utilizada no Brasil para construção do prédio que abriga o telescópio e logística da obra, foi gerenciada pela Fundação de Apoio à Indústria de Itajubá (Fupai-MG), onde fica a sede do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA). Os russos forneceram o equipamento e fizeram a instalação do telescópio. A obra teve início em novembro do ano passado, e em março, as primeiras imagens de teste já foram geradas.

Telescópio russo PanEos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, MG - 3 (Foto: Arte/G1)

O diretor do LNA, Bruno Castilho, explica que os satélites são colocados no espaço em uma rota precisa para cobrir determinada área, para pesquisas ou comunicação, mas ao serem desativados, eles ficam perdidos no espaço sem uma órbita determinada. Quando um pedaço de satélite velho colide com outro, ele ainda se quebra em mais pedaços, virando detritos espaciais em rotas completamente desconhecidas.

“Já existem muitos pedaços desses no espaço, e tanto a Nasa [agência espacial norte-americana] quanto a Agência Espacial Russa viram que é urgente ter um mapa detalhado desses detritos espaciais. Por que? Você coloca um satélite novo [no espaço], que custou milhões de reais, aí vem um pedaço de detrito desse, bate no seu satélite e destrói ele”, completa Castilho.

Chamado de Panoramic Electro Optical System (PanEos), o telescópio russo foi planejado para rastrear esse tipo de lixo espacial. Ao determinar a órbita desses detritos com precisão, a agência russa gera um mapa de área segura para lançamento de novos satélites.

O acordo entre as Roscosmos e a AEB para instalação do telescópio no Brasil foi assinado no dia 7 de abril de 2016 em Brazópolis. Segundo Castilho, a Rússia já tinha um acordo desde 1997 com a Agência Espacial Brasileira para uso pacífico do espaço, na área de satélites, e como eles precisavam de um telescópio no hemisfério sul, eles procuraram primeiro o Brasil.

“Foram oferecidas algumas opções de locais onde poderia ser instalado o telescópio. Eles avaliaram vários quesitos, como infraestrutura, a facilidade de chegar, qualidade [para geração das imagens], porque fica numa montanha mais alta, e escolheram o Pico dos Dias.”

Instalação
Logo após a assinatura do acordo em 2016, os dois países iniciaram a instalação do telescópio em Brazópolis. Empresas brasileiras ficaram com a construção do prédio que abriga o equipamento, fazendo a estrutura de concreto e a parte de alvenaria. Já as peças e equipamentos que fazem parte do telescópio vieram todos da Rússia.

Segundo Castilho, a carga chegou ao Brasil em outubro de 2016 e a montagem teve início no dia 20 de novembro. No começo deste ano, duas equipes russas se revezaram instalando a parte eletrônica, óptica e computadores do telescópio. As primeiras imagens de testes foram geradas no final de março – na imagem abaixo, é possível ver uma delas.

“Não teve nenhum atraso, concluiu-se da melhor forma possível, sem contratempos. Tudo dentro do cronograma”, ressalta Castilho. “A partir dessa semana, junto com a delegação russa que está vindo para a cerimônia, vem também um técnico especializado no equipamento da Rússia para treinar a equipe brasileira para já operar o telescópio, e assim, começar a fazer as imagens [do mapa].”

Mapeamento
O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença. O observatório onde o telescópio foi instalado no Brasil fica a 1.864 metros de altitude entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no Sul de Minas Gerais.

Castilho explica que os dois telescópios vão fazendo imagens em sequência de várias partes do céu, e todo pedaço de detrito que aparecer é mapeado. Com os equipamentos localizados nos dois hemisférios, é possível fazer imagens de uma área maior e completar a órbita dos detritos com mais precisão. As lentes do telescópio permitem observar objetos até a magnitude 17 com exposições de 30 segundos, ou seja, detectando detritos espaciais de poucos centímetros.

Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)
Imagem teste gerada pelo telescópio russo PanEos em Brazópolis; lentes permitem ver objetos no espaço de poucos centímetros (Foto: PanEos/LNA/Divulgação)

A lista de alvos a serem analisados é preparada na Rússia e enviada por e-mail aos operadores brasileiros, que então fazem as observações solicitadas. Os dados ficam armazenados temporariamente no Brasil e, em seguida, são enviados à Rússia também via internet.

Projetos futuros
Este é o quinto telescópio instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis, mas como explica Castilho, todos os equipamentos brasileiros têm um campo de visão pequeno. A contrapartida do acordo é que o telescópio russo vai permitir pesquisas no Brasil que ainda não eram possíveis, como localização de estrelas variáveis, novos asteroides e supernovas que aparecerem.

O telescópio instalado no Brasil vai trabalhar junto com outro equipamento praticamente idêntico que já está instalado na Rússia, nas montanhas Altai na Sibéria, a cerca de 15 mil quilômetros de distância e a 73 graus de latitude de diferença.

“Como serão feitas muitas imagens do céu, a Agência Espacial Russa só vai procurar pelos detritos espaciais, mas o LNA vai ficar com cópias dessas imagens. Qualquer astrônomo brasileiro que quiser usar essas imagens pra pesquisar em astronomia, vai poder. Então a contrapartida deles pra nós é oferecer essas imagens para pesquisas científicas.”

Assim que o telescópio russo começar a funcionar, Castilho conta que será feita uma análise das primeiras imagens para verificar a qualidade delas e avaliar as possibilidades de pesquisa. “Pra gente ver a diferença da quantidade de luz que chegou da estrela e o ruído de fundo, e perceber até que estrela que dá pra observar, qual o tamanho que a estrela fica na imagem”, explica. Essas informações serão publicadas posteriormente no site do LNA e ficarão disponíveis para que os astrônomos brasileiros possam usá-las.

Colaboração científica
Castilho ressalta ainda que o projeto reforça o acordo do Brasil na área de ciência com o BRICS (grupo político de cooperação formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que foi assinado no fim de 2015 pelos ministros de ciência dos cinco países.

Telescópio semelhante ao do projeto que já está instalado na Rússia (Foto: Arquivo Altai Asia Central)
Telescópio semelhante ao do projeto que já está instalado na Rússia (Foto: Arquivo Altai Asia Central)

“A Rússia é um país que tem uma tradição de tecnologia e de ciência muito grande, e hoje em dia, o Brasil tem colaborações pontuais com a Rússia, alguns pesquisadores, mas poucas colaborações institucionais. A gente fazendo esse acordo, mostra que é possível, é viável e outros acordos na área científica e tecnológica podem acontecer.”

Na cerimônia desta quarta-feira, estarão presentes representantes da Roscosmos, da Agência Espacial Brasileira, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil e outras autoridades da região.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

Petrobras vê ‘interesse muito grande’ da Exxon no pré-sal, diz Pedro Parente

A norte-americana Exxon Mobil, maior petroleira de capital aberto do mundo, apresentou interesse em explorar áreas no pré-sal do Brasil, disse na terça-feira (4) o presidente da estatal brasileira, Pedro Parente. Ele ressaltou, no entanto, que não há nenhuma negociação concreta entre a companhia e a Petrobras para uma parceria estratégica.

A fala do executivo foi feita após o The Wall Street Journal informar mais cedo que a Exxon e Petrobras estão negociando parcerias, de acordo com informações de pessoas próximas do assunto.

“Sob o ponto de vista de trabalhos com vistas a se ter parceria estratégica, nós não temos nada de concreto com Exxon, mas certamente houve por parte deles uma manifestação de interesse muito grande na exploração do pré-sal brasileiro”, disse Parente, que falou brevemente com jornalistas após evento em São Paulo.

No início da noite, a estatal divulgou nota afirmando que “não há negociações em andamento para parcerias com a empresa norte-amerciana Exxon Mobil”.

Segundo o jornal norte-americano, os termos de negociação da Exxon, a única grande petroleira do mundo sem uma atuação significativa no Brasil, ainda precisam ser concluídos.

As negociações para parcerias com a Petrobras também incluiriam potenciais compras de fatias nos blocos petrolíferos que o governo brasileiro vai leiloar este ano, de acordo com o jornal.

Fôlego financeiro

Uma parceria com a Exxon poderia dar mais fôlego para a Petrobras, uma das companhias de petróleo mais endividadas do mundo, realizar investimentos no pré-sal, que tem sido o foco de suas atividades.

A gestão de Pedro Parente na Petrobras tem privilegiado parcerias com grandes petroleiras globais. Em dezembro, a estatal assinou coma francesa total acordos avaliados em US$ 2,2 bilhões.

No ano passado, a Petrobras também vendeu fatia de 66% no bloco BM-S-8, onde está a área de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, para a norueguesa Statoil, em negócio também bilionário.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.

  

MP recebe documento contra pleno controle da Samarco em ações pelo desastre

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu na terça-feira (4) um ofício assinado por atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas, acadêmicos e entidades apoiadoras para repudiar o que eles chamam de tentativas da Samarco, cujas donas são a Vale e BHP Billiton, de “assumir o pleno controle da reparação dos danos causados” pelo desastre.

Na última sexta-feira (31), o grupo de trabalho (GT), formado para discutir questões socioeconômicas relativas aos atingidos pelo desastre concluiu o relatório de atividades. De acordo com o Ministério Público, o GT propôs a contratação de uma entidade gestora, a ser indicada pelo MPF e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) dentre organizações sem fins lucrativos, para exercer a administração dos recursos financeiros necessários aos trabalhos no eixo socioeconômico. Essa entidade deverá repassar esses recursos a uma segunda instituição, a entidade operacional, que também deverá ser escolhida entre organizações sem fins lucrativos.

No ofício entregue nesta terça-feira, quem assinou o documento pede que as propostas feitas pelo GT sejam incorporadas pela força tarefa e garantidas em juízo. Conforme o MPF, o grupo de trabalho concluiu que é fundamental que os corpos técnicos sejam completamente autônomos frente às empresas responsáveis pelo desastre e comprometidos com a representação das demandas das comunidades.

Para os remetentes do ofício, a Samarco tem contestado a inciativa e questionado a validade do grupo de trabalho. A empresa afirmou que “está em negociação com o MPF e não comentará o assunto até a conclusão do processo”.

Deixe aqui sua Mensagem




1 - Os campos marcados com asterico (*) são de preenchimento obrigatório.
2 - Dados pessoais como email e telefone não serão divulgados.