Filhas reencontram pai em fazenda de Goiás após 34 anos: ‘Ninguém imagina a felicidade’

Por Vitor Santana, G1 GO

Duas irmãs reencontraram o pai, que mora em uma fazenda na cidade de Goiás, após 34 anos de separação. Moradoras de Natal (RN), elas localizaram Manoel Miguel Gomes, de 67 anos, depois de buscas pela internet e uma ajuda da Polícia Civil.

“É uma coisa que nunca imaginava que iria acontecer. Ninguém imagina a felicidade que nós tivemos”, disse Fabíola Bezerra.

Fabíola, de 34 anos, é a mais nova dos três irmãos. Ela tinha apenas seis meses de vida quando o pai foi para a Serra dos Carajás, no Pará, trabalhar no garimpo, na década de 80. Durante um tempo, ele mandava dinheiro para a família, que também tinha se mudado do Rio Grande do Norte para o estado.

Quando Manoel foi para Serra Pelada, também no Pará, a família não teve mais notícias. A mãe e os três filhos foram sobrevivendo como podiam, até que em 1991 decidiram voltar para Natal. Fabíola conta que sempre teve a curiosidade de conhecer o pai.

“Eu nunca acreditei que meu pai estivesse morto. Sempre pedi a Deus para ter uma notícia dele. O Dia dos Pais era muito triste, ver os outros filhos com seus pais. Até que um dia eu entrei em um site de procura de pessoas desaparecidas”, disse Fabíola.

Fabíola Bezerra Gomes, à direita, junto com o pai e a irmã — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

Fabíola Bezerra Gomes, à direita, junto com o pai e a irmã — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

Após anos de buscas, uma mulher entrou em contato com Fabíola falando que poderia ajudar a encontrar Manoel, mas cobrou R$ 400. Sem condições de pagar pelo valor, ela continuou sua busca sozinha.

“Eu descobri o título de eleitor dele, vi que ele votou uma vez em uma escola na cidade de Goiás. Liguei para a Polícia Civil e um papiloscopista me ajudou, encontrando ele em uma fazenda onde ele trabalha”, completou.

Fabíola e a irmã Maria de Fátima fizeram um empréstimo e viajaram até o município goiano, onde encontraram o pai.

“Foi uma emoção forte demais para mim. Não é porque ele saiu e não deu mais notícias que a gente vai guardar rancor. Ele ficou muito feliz em saber que tinha oito netos e um casal de bisnetos”, contou Fabíola.

Fabíola Bezerra Gomes com a mãe e o pai antes de ele desaparecer — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

Fabíola Bezerra Gomes com a mãe e o pai antes de ele desaparecer — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

As irmãs ficaram uma semana com o pai na fazenda, onde estreitaram os laços. Manoel não quis falar o motivo de ter sumido por tanto tempo, e as filhas respeitaram. O mais importante para as duas foi reencontrá-lo bem.

“O que passou, passou. A gente quer saber é daqui para frente. Ele disse que vai para Natal em novembro ou dezembro, que ele quer passar o aniversário de 68 anos dele com a gente”, disse Fabíola, já esperançosa para o novo encontro.

Ajuda da polícia

O papiloscopista Paulo Landim, que trabalha na delegacia da cidade de Goiás, foi quem ajudou a família. Quando Fabíola entrou em contato pedindo ajuda, ele pegou todos os dados que tinha e usou os sistemas da Polícia Civil para tentar localizar o idoso.

“Para a gente, que é da polícia, é um trabalho obrigatório, temos um departamento especializado em casos de desaparecimentos, mas também é um trabalho social. A gente fica muito feliz quando o final é feliz assim”, disse.

Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

Polícia Civil ajudou Fabíola a reencontrar o pai após 34 anos, em Goiás — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

Polícia Civil ajudou Fabíola a reencontrar o pai após 34 anos, em Goiás — Foto: Fabíola Bezerra Gomes/Arquivo Pessoal

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Mulher empurra Padre Marcelo Rossi de altar durante missa em Cachoeira Paulista

Por G1 Vale do Paraíba e Região

Uma mulher invadiu o altar e empurrou o padre Marcelo Rossi durante uma missa em Cachoeira Paulista neste domingo (14). A mulher furou a segurança, invadiu o palco durante a celebração que acontecia na Canção Nova e empurrou o padre de cima da estrutura. Apesar da queda, ele não ficou ferido e a mulher foi contida pela Polícia Militar.

O padre estava no local para a missa de encerramento do acampamento ‘Por Hoje Não’ (PHN). Por volta das 14h50 a mulher, que participava do evento, conseguiu furar a segurança, invadiu o palco por trás e empurrou o padre, que caiu da estrutura.

Mulher empurrou padre durante missa na Canção Nova — Foto: Reprodução

Mulher empurrou padre durante missa na Canção Nova — Foto: Reprodução

No momento, pelo menos 50 mil pessoas participavam da celebração. Apesar da queda, o padre voltou ao palco minutos depois e continuou a celebração.

De acordo com a Polícia Militar, a mulher foi encaminhada para a delegacia de Lorena e prestou depoimento. A PM informou que a ocorrência foi feita pela Canção Nova porque o Padre Marcelo Rossi decidiu não registrar a agressão.

A polícia informou que a mulher tem 32 anos e que fazia parte de um grupo que veio do Rio de Janeiro para o evento. Os acompanhantes informaram à PM que ela sofre de transtornos mentais.

Em nota a Canção Nova informou que lamenta o incidente ocorrido com o padre Marcelo Rossi durante a missa e informou que ele foi atendido pela equipe médica do evento e, após ser liberado, seguiu com a celebração até o fim.

Vídeo

Em um vídeo divulgado após a agressão, o Padre Marcelo Rossi diz que ‘Maria passou na frente e pisou na cabeça da serpente’. A imagem foi divulgada pela Canção Nova, ao final da celebração.

“Maria passou na frente, pisou na cabeça da serpente, estou ótimo”, disse. “Fiquem tranquilos, só umas dorzinhas, não quebrou nada”, acrescentou.

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Duas pessoas morrem em tiroteio na saída de baile funk na Zona Norte do Rio

Por Lívia Torres, Bom Dia Rio

Duas pessoas morreram em um tiroteio na saída de um baile funk na comunidade Para Pedro, em Colégio, Zona Norte do Rio, no domingo (14). A polícia afirmou que as vítimas tinham envolvimento com o tráfico de drogas, mas a família de uma delas nega.

Parentes de Alan Cordeiro da Silva, de 18 anos, contaram que ele tinha saído para comprar pão no horário da saída do baile e ficou no meio do fogo cruzado entre policiais militares e criminosos. A rua estava cheia de gente quando o tiroteio começou.

A Polícia Militar afirmou que os agentes estavam fazendo um patrulhamento de rotina quando foram atacados. Os policiais revidaram, e começou a correria.

Alan chegou a ser socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Os parentes contaram que ele foi atingido por uma bala perdida. Um outro homem, que não teve o nome divulgado, foi baleado e morreu no local.

Moradores do bairro fizeram um protesto nas ruas da região, colocaram fogo em lixo e fecharam um dos acessos à comunidade. A PM reagiu com bombas de efeito moral.

No meio da confusão, um policial militar foi atropelado por um motociclista, que foi baleado. Os dois foram levados para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e não há informações sobre o estado de saúde deles.

A Polícia Civil investiga o caso.

Frequentadores de baile abaixam durante tiroteio entre criminosos e policiais militares na comunidade Para Pedro, em Colégio, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

Frequentadores de baile abaixam durante tiroteio entre criminosos e policiais militares na comunidade Para Pedro, em Colégio, na Zona Norte do Rio — Foto: Reprodução/ TV Globo

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Casas próximas a rio da região atingida por rompimento de barragem na BA serão demolidas, diz governador

Por G1 BA

As casas que foram construídas próximas a rio da região atingida por rompimento de barragem no nordeste da Bahia serão demolidas, de acordo com o governador Rui Costa. A barragem do Quati, na cidade de Pedro Alexandre, rompeu na quinta-feira (11) e inundou o município vizinho de Coronel João Sá, deixando 1.500 pessoas desalojadas e 400 desabrigadas.

A demolição dos imóveis, segundo Rui Costa, visa aumentar a segurança dos moradores dessas residências que foram erguidas muito próximas ao Rio do Peixe.

“Foi feito o diagnóstico de que, em algumas ruas, foram construídas casas em lugares impróprios, segundo a norma técnica, porque elas estão muito próximas à cota do rio. E portanto, essas casas têm que ser remanejadas dali, para ir a uma cota mais elevada e, portanto, sair do risco de alagamento quando houver uma chuva forte”, disse o governador, que sobrevoou a região, neste domingo (14).

Ainda segundo ele, estão sendo identificados os imóveis que correm risco de desabar, mas que o remanejamento das casas deve incluir mesmo aquelas que não tiveram a estrutura danificada, mas que estão construídas próximas aos rios.

“Há nesse momento a identificação, pela Defesa Civil, das casas para onde as pessoas não podem mais voltar, porque correm risco de desabamento. Então, essas pessoas não vão mais voltar, vão ser cadastradas para receber um auxílio moradia, para poderem alugar seu imóvel, enquanto nós vamos definir quantas casas vão ser construídas. Mas o ideal é tirar todos que estão na cota do rio, ou próximos à cota do rio, e construir novas casas para todos”, afirmou.

O governador ainda destacou que, posteriormente, vai treinar os moradores com relação à manutenção de reservatórios em áreas privadas e de cooperativas.

“Dois terços do território da Bahia, por exemplo, e o nordeste inteiro são regiões de semiárido. A maior parte dos 12 meses do ano passa seco. Portanto, para sobreviver nesse local, você precisa reservar água. Passado esse momento, nós vamos iniciar um processo de intenso de treinamento das comunidades, para que saibam inclusive como dar manutenção nesses barramentos”, afirmou Rui Costa, que citou um exemplo de um morador de Pedro Alexandre.

“Agora mesmo, em Pedro Alexandre, eu vi um senhor dando um depoimento: ‘Lá onde eu moro nós temos um barramento que nós construímos, mas está seguro, porque tem algumas árvores segurando’. E nós explicávamos a ele que, na verdade, a árvore vai ajudar a derrubar o barramento, porque as raízes vão dar permeabilidade ao solo”, falou.

Barragem em cidade na Bahia se rompeu e deixou 500 desalojados — Foto: Arte/G1

Barragem em cidade na Bahia se rompeu e deixou 500 desalojados — Foto: Arte/G1

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Ação da PF em 5 estados mira esquema de desmatamento ilegal que movimentou R$ 80 milhões

Por G1 RR — Boa Vista

Ação envolve mais de 150 policiais federais em RR, AM, MA, PA e MT — Foto: Divulgação/PF

Ação envolve mais de 150 policiais federais em RR, AM, MA, PA e MT — Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (12) a operação Florestas de Papel, que mira um esquema de desmatamento ilegal que movimentou pelo menos R$ 80 milhões na Amazônia. A ação envolve mais de 150 policiais e ocorre em Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão e Pará.

São cumpridos oito mandados de prisão, 56 de busca e apreensão e quatro de suspensão de atividades econômicas. Um empresário que estava de férias em Fortaleza foi preso. Ele tem oito empresas em seu nome e seria um dos maiores beneficiários do esquema.

De acordo com a PF, operação mira 22 madeireiras que cometeram as irregularidades entre 2014 e 2017, principalmente no Sul de Roraima. Os mandados foram expedidos pela 4ª Vara da Seção Judiciária do estado.

Nas investigações, a PF identificou o desmatamento de 260.000 metros cúbicos de madeira, o suficiente para encher 8 mil caminhões.

Segundo a polícia, os donos das firmas usavam laranjas e empresas de fachada para conseguir a emissão de DOFs, licença exigida para transporte e armazenamento de produtos e subprodutos florestais de origem nativa, como toras de madeira e madeira serrada.

As fraudes eram feitas no SISDOF, sistema do IBAMA que gerencia a expedição dos Documentos de Origem Florestal (DOF).

“A PF identificou mais de 91.000 metros cúbicos de madeira serrada que teriam sido “regularizadas” mediante fraude. Convertidas em toras de madeira, este quantitativo se aproxima de 260.000 metros cúbicos, ou 120.000 toras, o suficiente para carregar aproximadamente 8 mil caminhões”, detalhou a PF.

Dentre as espécies desmatadas encontravam-se Ipês, Cedros, Maçarandubas, Aroeiras e Jacarandás, dentre outras. No mercado, o valor das madeiras envolvidas na fraude poderia chegar a quase R$ 80 milhões.

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Cubano desempregado no Piauí tenta vaga de gari, mas é recusado por ser médico

Por Gilcilene Araújo, G1 PI

Raymel Kessel trabalhava como médico em Ilha Grande — Foto: Arquivo Pessoal

Raymel Kessel trabalhava como médico em Ilha Grande — Foto: Arquivo Pessoal

Um grupo de 48 médicos cubanos que decidiu ficar no Piauí depois que o governo de Cuba decidiu se desligar do Programa Mais Médicos, do governo brasileiro, está desempregado e enfrentando dificuldades para se manter no estado. Um deles, Raymel Kessel, 39 anos, contou ao G1 que tentou vaga de gari, mas não foi admitido porque tem formação em medicina.

Raymel chegou à cidade de Ilha Grande em 2014 e contou ao G1 que foi bem acolhido pela população da cidade, mas mesmo sendo querido, não consegue emprego.

“Não é fácil achar emprego porque quando colocamos no currículo que somos médicos, ninguém quer nos contratar. Eu até procurei trabalhar no carro de lixo e não foi aceito porque diz que médico não faz esse tipo de trabalho”, lamentou.

Raymel Kessel atuava como médico na cidade de Ilha Grande — Foto: Arquivo Pessoal

Raymel Kessel atuava como médico na cidade de Ilha Grande — Foto: Arquivo Pessoal

Após quatro anos e meio trabalhando como médico na rede de atenção básica do município de Ilha Grande, no Litoral do Piauí, Raymel se casou com uma piauiense e é pai de um menino brasileiro, e por isso decidiu ficar no Brasil. “Me sinto parte da Ilha Grande, me sinto filho daqui”, afirmou o médico.

Alguns cubanos formaram família com mulheres piauienses e relatam estarem passando por necessidades financeiras para sustentar os filhos. Os médicos aguardam realização do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida) para retornar aos postos de saúde e hospitais.

No entanto, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável por aplicar a prova, disse que “não há ainda o cronograma para a próxima edição do Revalida”.

“Estou desesperado. Não tem o exame do Revalida desde o ano 2017 e estamos privados de trabalhar como médicos há sete meses. Estamos aguardando há meses por uma MP do governo que nos permita trabalhar até fazer o exame de Revalida, mas nada de MP e nada de Revalida”, declarou Raymel Kessel.

O Ministério da Saúde estima que cerca de dois mil cubanos ficaram no país após o fim do programa. O Ministério informou ao G1 que “trabalha na elaboração de um novo programa para ampliar a atenção primária”. Disse, ainda, que está discutindo “alternativas para o exercício profissional” dos médicos de Cuba.

Raymel Kessel tem ocupado seus dias distribuindo perfis profissionais em diversos estabelecimentos comerciais e os instrumentos de trabalho que mais gostava de usar, um estetoscópio e um aferidor de pressão, estão guardados.

A esperança de Raymel agora é chegada do mês de agosto, período em que, segundo do jornal “O Estado de S. Paulo”, o governo deverá editar uma medida provisória para alterar o programa Mais Médicos e manter os médicos cubanos trabalhando no Brasil.

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Irmão diz que entregador morto depois de sofrer AVC durante entrega trabalhava mais de 12 horas por dia

Por Patrícia Figueiredo, G1 SP

 Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, sofreu um AVC na noite de sábado (6) enquanto fazia entregas para o aplicativo Rappi — Foto: Arquivo pessoal/Daiane de Jesus Dias

Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, sofreu um AVC na noite de sábado (6) enquanto fazia entregas para o aplicativo Rappi — Foto: Arquivo pessoal/Daiane de Jesus Dias

Os irmãos do entregador Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, que morreu nesta segunda feira (8) após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma entrega em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, afirmaram que ele tinha jornadas extenuantes e trabalhava mais de 12 horas por dia. Ele deixou a mulher e uma filha de 6 anos.

Thiago teve convulsões e desmaiou em frente ao prédio da advogada Ana Luisa Pinto no sábado (6). A cliente buscou auxílio da Rappi, empresa para qual o motoboy prestava serviço, mas a atendente apenas pediu que Ana Luisa desse baixa no pedido, para que os próximos clientes soubessem que não receberiam suas encomendas no horário previsto.

“Eram jornadas de mais de 12 horas de trabalho, uma rotina muito cansativa. E era de segunda a segunda, porque era difícil ele tirar uma folga”, afirma Isaque de Jesus Dias, irmão caçula de Thiago.

Thiago trabalhava fazendo entregas para a Rappi havia cerca de dois anos, segundo familiares. Ele saía de casa pela manhã e muitas vezes trabalhava até a madrugada, já que a maioria dos pedidos é feita no período noturno.

Quando o entregador sofreu o AVC, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu), da Prefeitura de São Paulo, foi procurado pelo menos duas vezes, mas nenhuma ambulância foi enviada ao local.

Um motorista de Uber foi chamado para levar a vítima ao hospital, mas se recusou porque o entregador estaria sujo e molhado após urinar em si mesmo enquanto passava mal. Foram quase duas horas de espera até a irmã de Thiago, Daiane de Jesus Dias, conseguir levar o entregador para o Hospital das Clínicas, com ajuda de amigos que foram de carro ao local.

Em nota, a Rappi afirma que lamenta profundamente a morte de Thiago e que está em contato com e à disposição de seus familiares. No entanto, a família relata que só foi procurada pela empresa na noite de quarta-feira (10) – o AVC ocorreu na noite de sábado (6) e a morte encefálica de Thiago foi confirmada na manhã de segunda-feira (8).

“A Rappi só nos procurou ontem por volta das 20h30, depois que o caso já tinha uma proporção muito grande por conta das redes sociais. Eles falaram que orientaram a Ana Luisa para levar o Thiago para o hospital, mas isso nunca aconteceu”, diz Isaque. “Outros motoboys que estavam passando na região naquela hora também ligaram para a Rappi e nenhum deles recebeu orientação do que fazer.”

O entregador Thiago de Jesus — Foto: Arquivo pessoal

O entregador Thiago de Jesus — Foto: Arquivo pessoal

‘Rotina cansativa’

Os irmãos de Thiago contam que o motoboy passou o sábado com a família até sair para fazer entregas, por volta das 19h30. “Ele não relatou nenhum desconforto, saiu se sentindo bem”, diz Isaque, irmão mais novo do entregador.

O rapaz sofria de pressão alta, mas nunca havia tido nenhum tipo de mal estar durante o trabalho ou em companhia da família, segundo os irmãos.

“A gente sabia que ele tinha pressão alta mas nunca tinha tido nenhum problema, nenhum acidente durante o trabalho”, diz Daiane.

Segundo a irmã, a rotina de Thiago era “bem cansativa” mas o irmão era reservado e não contava detalhes do dia-a-dia como entregador.

“Tinha dias que ele só chegava no meio da madrugada, e ele sempre saía de manhã. Então eram mais de 12 horas por dia, todos os dias, porque de final de semana tinha mais demanda”, explica Daiane.

Fatalidade

Para os familiares de Thiago, o AVC que causou sua morte poderia não ter sido fatal se as circunstâncias do socorro fossem diferentes.

“A médica do Hospital das Clínicas falou que talvez, se ele tivesse sido atendido prontamente, poderia ter chance de tirar o coágulo. Ela falou que o frio também atrapalhou porque ele estava na rua, na calçada, esperando ajuda”, diz Isaque.

No último sábado a capital registrou a terceira noite mais fria do ano: os termômetros marcaram 7,4ºC, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Atendimento demorado

A primeira ligação para o Samu foi feita por Ana Luisa quando Thiago ainda estava consciente. Ele relatou dores de cabeça, náuseas e pressão baixa e, pouco depois, desmaiou na calçada do prédio.

“Parecia que ele estava tendo uma convulsão, seu corpo e membros todos rígidos e sua respiração bastante dificultada, fazia bastante barulho”, relata Ana Luisa.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o chamado ao Samu foi feito às 22h15 do sábado. “O caso foi registrado como dor de cabeça e classificado com prioridade média, recebendo o acompanhamento pela central até ser cancelado com a informação de que o paciente foi removido em automóvel particular”, afirma a secretaria.

A Coordenação do Samu diz que lamenta o ocorrido e que um procedimento interno de apuração foi aberto para investigar o atendimento. “Após sua conclusão a direção do órgão irá adotar as medidas cabíveis”, afirma.

A advogada que socorreu Thiago, no entanto, relata que destacou a gravidade do caso durante o contato com o Samu.

“Viramos ele de lado para que ele não se engasgasse e disparamos mais ligações para o Samu e Bombeiros. Fizemos todos os testes que nos orientaram pelo telefone e enfatizamos diversas vezes a urgência do caso”, explica.

Diante da demora da ambulância, a irmã de Thiago, que chegou ao local para ajudar o irmão depois de ser contatada por Ana Luisa, resolveu pedir um Uber para levá-lo a um hospital.

“O motorista já tinha colocado meu irmão no carro, já tinha aceitado a corrida, mas ele fez a gente tirar ele de dentro do carro, do banco de trás, porque ele estava sujo e molhado”, diz Daiane.

No domingo (7), Daiane entrou em contato com a Uber para reclamar do comportamento do condutor. Por email, a empresa respondeu dizendo que tomaria “todas as medidas cabíveis” em relação ao motorista parceiro.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Uber, que não se manifestou até o momento.

Uber afirma que tomará medidas em relação ao motorista que se negou a prestar socorro — Foto: Reprodução

Uber afirma que tomará medidas em relação ao motorista que se negou a prestar socorro — Foto: Reprodução

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PDV dos Correios tem adesão de 4,9 mil empregados

Por Marta Cavallini, G1

Carros que fazem entrega do Sedex dos Correios estacionadas no centro de distribuição, em Campinas — Foto: Reprodução / EPTV

Carros que fazem entrega do Sedex dos Correios estacionadas no centro de distribuição, em Campinas — Foto: Reprodução / EPTV

O Plano de Desligamento Voluntário (PDV) aberto pelos Correios em maio deste ano teve a adesão de 4.881 empregados. A previsão da estatal era em torno de 7.300 funcionários. Dos cargos atingidos pelo PDV, 95% das adesões foram de atendentes comerciais e operadores de triagem e transbordo.

Os desligamentos priorizaram os funcionários com maior idade, maior tempo de serviço e maior tempo de aposentadoria.

Além das verbas rescisórias, a empresa concedeu um incentivo financeiro que variou entre R$ 25 mil e R$ 350 mil. No entanto, o empregado que aderiu ao PDV não teve direito a receber a multa rescisória de 40% do saldo do FGTS nem ao seguro-desemprego, por se tratar de desligamento voluntário.

A empresa pública está tentando enxugar sua estrutura administrativa em meio à crise financeira – entre 2015 e 2016, a estatal acumulou prejuízos de R$ 4 bilhões. A estatal só voltou a ter resultado positivo em 2017, com lucro de R$ 667 milhões. Já no ano passado, o lucro foi menor, de R$ 161 milhões.

Uma das medidas tem sido fechar agências no país. Em 2017, foram 250 unidades localizadas em municípios com mais de 50 mil habitantes. No ano passado, foram 41 agências fechadas. E, em maio deste ano, foram anunciadas 161 agências com atividades encerradas.

Além disso, os Correios reduziram sua parte nos custos do plano de saúde dos funcionários e anunciaram a implantação de unidades compactas dentro de estabelecimentos comerciais.

Troca de comando e privatização

No mês passado, o general da reserva do Exército Floriano Peixoto assumiu o comando dos Correios no lugar de Juarez Cunha, que foi demitido acusado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, de agir como um “sindicalista”.

Cunha assumiu a presidência dos Correios em novembro do ano passado, durante o governo do ex-presidente Michel Temer e foi mantido no cargo após a posse de Bolsonaro. Ele defendia a manutenção dos Correios como empresa pública e estudava abrir o capital da estatal.

Já Bolsonaro defende a privatização da estatal, mas, segundo ele, não há prazo para isso acontecer, uma vez que a ação depende de aval do Congresso Nacional. “Não temos prazo, há uma intenção, sim, está no radar esta questão”, disse.

Segundo Bolsonaro, a “missão” de Floriano Peixoto nos Correios é “fazer o melhor possível” para a estatal. Deu como exemplo de missão quase “impossível” cumprir a recuperação das perdas do fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, alvo de investigações.

Receita é maior nas encomendas

Atualmente, o segmento de encomendas é responsável por 55% da receita total dos Correios, superando a receita proveniente do segmento no qual a estatal detém monopólio (cartas, correspondências agrupadas e telegramas).

Os Correios são a única empresa do país que entrega cartas e encomendas para todas as cidades do Brasil devido à obrigatoriedade da universalização. Por isso, a estatal afirma que seus concorrentes no segmento de encomendas utilizam seus serviços em algum momento de sua cadeia logística, tanto as que vendem diretamente aos consumidores finais quanto as que realizam vendas por meio de marketplaces.

No segmento de encomendas, apesar de ser concorrencial, as empresas privadas atuam principalmente nos grandes centros onde há viabilidade econômico-financeira, sendo que nas 5.570 cidades, apenas os Correios atuam regularmente.

Outros PDVs

Levantamento feito pelo G1 em maio aponta que o número de desligamentos no ano nas estatais poderá passar de 25 mil.

Além dos Correios, estão na lista a Caixa Econômica Federal, Petrobras, Infraero, Serpro e Embrapa, entre outras. Na Caixa, a previsão é de 3,5 mil desligamentos. Na Petrobras, é de 4,3 mil.

Confirmada a expectativa de mais de 25 mil cortes neste ano, o quadro de funcionários nas estatais irá recuar para o menor patamar em ao menos 10 anos.

Somente no ano passado, houve uma redução de 13.434 pessoas no quadro das estatais através deste mecanismo. As principais reduções foram na Caixa Econômica Federal (2.728), Correios (2.648) e Banco do Brasil (2.195), segundo os dados oficiais.

Atualmente, a estatal com o maior número de funcionários é os Correios, com 105 mil trabalhadores. Na sequência, estão Banco do Brasil (101 mil), Caixa (84,9 mil) e Petrobras (62 mil).

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Fortaleza tem 12 mortes por meningite em 2019 e número de óbitos no Ceará cresce 83%

Por G1 CE

Fortaleza é a cidade com maior número de mortes por meningite, segundo aponta o mais recente boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Dos 22 óbitos registrados até o dia 30 de junho, 12 ocorreram na Capital cearense. O índice corresponde a 55,4% do total anotado em todo o território cearense.

Em âmbito estadual, porém, os registros chamam ainda mais a atenção. Isso porque em igual período do ano passado, o Ceará registrou 12 óbitos, dez a menos que o acumulado em 2019. Comparando os dois intervalos, o salto foi de 83%.

“Neste ano o período chuvoso foi muito mais intenso que o do ano passado e isso pode ter contribuído para o aumento do casos e das mortes. A meningite é uma doença de transmissão aérea e quando chove as pessoas tendem a ficar em casa e bactéria se espalha mais fácil quando tem muitas pessoas respirando o mesmo ar em um ambiente fechado, como uma residência”, justifica a supervisora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Sarah Queiroz.

O município de Poranga, na Região da Ibiapaba, concentra o segundo menor índice com dois casos. Aquiraz, na Região Metropolitana, e os municípios do interior: São Luís do Curu, Baturité, Itatira, Cruz, Guaraciaba do Norte, Brejo Santa e Barbalha tiveram cada apenas um caso tabulado.

Vacinação

Apesar das mortes, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, o Ceará conseguiu atingir a meta de cobertura vacinal para meningite, em 2018, quando as quatro imunizações eficazes contra a doença foram aplicadas em 100% do público-alvo. O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece de forma gratuita a BCG, além da Pentavalente, Pneumocócica 10 valente e Meningocócica.

A vacinação é ainda a principal forma de se proteger da enfermidade. Ao mesmo tempo, explica Sarah Queiroz, manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos são outros importantes cuidados para evitar o contágio. “É importante evitar ambientes com aglomeração de pessoas que estejam com esses sintomas respiratórios, sempre que possível lavar as mãos ou higienizá-las com álcool em gel”, acrescenta.

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Justiça decreta prisão preventiva de bandidos que balearam policiais e fizeram reféns em restaurante

Por G1 Sorocaba e Jundiaí

A Justiça decretou na tarde desta quarta-feira (10) a prisão preventiva dos seis suspeitos de balear policiais e fazer reféns em um restaurante que fica em um posto de combustíveis às margens da rodovia SP-79, em Piedade (SP).

O grupo tentou fugir depois de trocar tiros com policiais rodoviários durante uma tentativa de assalto a um caminhão na Rodovia Régis Bittencourt, em Miracatu (SP). Foram quase três horas de negociação com a polícia até que as 11 vítimas fossem libertadas e os criminosos se rendessem.

O grupo ficou durante a noite em celas do Plantão Policial da zona norte de Sorocaba e passou por audiência de custódia nesta quarta-feira (10).

O crime será investigado por sequestro e cárcere privado, tentativa de homicídio contra autoridade ou agente, lesão corporal e roubo. Os presos são:

  • Cícero José Maciel, de 35 anos, de Osasco
  • Isaias Gale, de 39 anos, de Osasco
  • Domingos Mesquita de Carvalho, de 39 anos, de Carapicuíba
  • Davi Ramos,de 36 anos, de Osasco
  • Samuel Ricardo Lourenço, de 35 anos, de Osasco
  • Anderson Luiz da Silva, de 38 anos de Araçariguama

O caso será investigado pela delegacia de Miracatu. A Secretaria de Segurança Pública informou que ainda não se sabe para qual unidade prisional eles serão encaminhados.

Grupo se entregou à polícia em Piedade — Foto: Reprodução/TV TEM

Grupo se entregou à polícia em Piedade — Foto: Reprodução/TV TEM

Tentativa de assalto

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, os policiais estavam em operação no quilômetro 354 da rodovia quando perceberam que um caminhoneiro estava sofrendo uma tentativa de assalto.

Imediatamente, os policiais fizeram a abordagem, mas foram surpreendidos pelos suspeitos, que portavam fuzis.

A quadrilha disparou contra os policiais e dois foram atingidos. Um agente federal foi alvejado na perna e outro foi atingido de raspão.

Criminosos se entregaram ao fim do crime em Piedade — Foto: TV TEM

Criminosos se entregaram ao fim do crime em Piedade — Foto: TV TEM

Segundo a polícia, os criminosos fazem parte de uma quadrilha especializada em roubo de cargas que atua na Rodovia Régis Bittencourt, entre São Paulo e Paraná. Os carros que eles usavam têm placas de Guarulhos, Barueri e Santa Bárbara D’Oeste.

Ainda de acordo com a polícia, na sequência eles entraram no posto, em Piedade, e renderam pessoas que estavam dentro do restaurante. Quatro pessoas conseguiram se esconder e outras 11 foram levadas para a cozinha.

Equipes do Comando de Operações Especiais (COE) e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foram até o local. O trecho entre os quilômetros 136 e 138 ficou interditado durante as negociações.

Uma das reféns conseguiu enviar uma mensagem de áudio à famíliaavisando sobre a ação e pedindo ajuda em um momento de distração. No áudio, a vítima avisa que os criminosos entraram com armamento pesado (

“Entraram uns bandidos aqui e está todo mundo como refém. A gente está preso. Eles estão cheios de fuzil”, disse.

Após ser mantida refém, a mulher parou de se comunicar com os parentes, que acionaram a polícia. Policiais cercaram o local com ajuda do helicóptero Águia da PM.

Nas primeiras horas de negociação, os criminosos libertaram um idoso e a neta dele, que estavam no restaurante.

Com o grupo foram recolhidos seis coletes, três fuzis, duas pistolas, 11 carregadores, grande quantidade de munição e bloqueadores de sinal.

Os criminosos usaram o celular de um dos reféns para negociar com a polícia, já que eles queimaram os próprios documentos e celulares quando entraram no restaurante.

Criminosos fizeram reféns em restaurante em Piedade — Foto: Diana Yukari/G1

Criminosos fizeram reféns em restaurante em Piedade — Foto: Diana Yukari/G1

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