Menina engole bateria por acidente e desespera mãe em SP: ‘Saí correndo’

Menina ficou ‘chupando’ bateria, como bala, até que engoliu objeto. Assim que descobriu, mãe correu para o pronto-socorro.

Por G1 Santos

Exames de raio-x monitoraram caminho de bateria pelo corpo de menina. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Exames de raio-x monitoraram caminho de bateria pelo corpo de menina. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Uma menina de sete anos engoliu uma bateria enquanto brincava sozinha em seu quarto em Guarujá, no litoral de São Paulo. Até o momento, o objeto não causou danos internos ao corpo da criança e foi expelido naturalmente.

Em contato com o G1 na manhã desta sexta-feira (21), Flavia Santos, de 30 anos, mãe de Júlia, conta que a filha estava brincando no quarto dela quando a bateria soltou de uma lanterna. “Ela me disse que estava sentada, rodeada de brinquedos, entre eles uma lanterna. A bateria caiu do brinquedo, ela achou e decidiu ‘chupar’, como se fosse bala”, relatou.

Por volta das 16h desta quarta-feira (19), a menina acabou engolindo a bateria e decidiu contar para a mãe. “Ela veio toda calma e disse: ‘mãe, acho que engoli a bateria’. Eu perguntei se ela achava ou se tinha certeza e, quando ela confirmou, fiquei desesperada. Saí correndo com ela.”

“Na minha casa não entra mais brinquedo com bateria pequena. Fiquei muito assustada, me falaram que alcalina era perigosa, que poderia estourar lá dentro”, desabafa.

Flávia levou a filha para uma Unidade de Pronto Atendimento em Guarujá e, no caminho, foi pesquisando na internet o que poderia fazer para ajudar. “Vi que não podia tomar nem água. Também não tentei fazê-la vomitar. Eu não fazia ideia do que fazer, preferi correr para o pronto-socorro”, disse. A menina foi atendida na UPA e encaminhada para o Hospital Santo Amaro, para receber uma endoscopia.

Criança segue internada no Hospital Santo Amaro, em Guarujá. — Foto: Pedro Rezende / Prefeitura Municipal de Guarujá

Criança segue internada no Hospital Santo Amaro, em Guarujá. — Foto: Pedro Rezende / Prefeitura Municipal de Guarujá

De acordo com a mãe, ela foi informada que nenhuma unidade de saúde oferece exames de endoscopia infantil na cidade e, para ser atendida, ela deveria ser transferida para outra cidade através da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), que não chegou a tempo. Por volta das 8h desta quinta, a bateria tinha saído do estômago e seguido para o intestino, fazendo a equipe médica optar pelo expelimento nas fezes.

A menina fez pelo menos quatro exames de raio-x para acompanhar o trajeto da bateria no sistema digestivo. “A médica me disse que a parte boa é que a bateria não está parada no corpo dela, está seguindo o caminho e deve ser expelida logo”, diz a mãe.

Apesar do susto, a criança passa bem. “No início, ela ficou assustada por conta da minha reação. Mas logo me acalmei e consegui passar tranquilidade para ela”, conta. Após o tratamento, o objeto foi expelido naturalmente.

O que fazer?

Apesar da ação rápida da mãe em socorrer a filha, os procedimentos médicos demoraram e permitiram que a bateria avançasse no sistema digestivo da criança, mesmo que nada pior tenha acontecido. O pediatra Ruy Pupo Filho diz que o tempo é crucial nesses casos. “Há risco da bateria romper, teria que esgotar as possibilidades de retirada, mas há duas dicas simples que podem proteger a bateria que está no intestino dela”, conta.

A primeira dica, de acordo com o especialista, é tomar mel. “Ele envolve e protege a bateria. Dar uma boa colherada de mel e levar ao hospital imediatamente. Outra dica é comer alimentos com bastante fibra, como aspargos”, diz o especialista, que explica que as fibras envolvem o corpo estranho.

O especialista completa que é preciso ensinar a criança o perigo que a ingestão de objetos traz riscos à saúde. “O mais importante é a prevenção, não deixar este tipo de objeto ao alcance de crianças e ensiná-las do perigo que esses objetos trazem”, conclui.

Menina é internada após engolir bateria em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Menina é internada após engolir bateria em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Prefeitura de Guarujá

Em nota, a Secretaria de Saúde de Guarujá informou que a criança deu entrada no PAM da Rodoviária e foi encaminhada ao Hospital Santo Amaro, onde se encontra internada e recebendo todos os cuidados necessários.

No momento, o estado de saúde dela é estável e ela segue recebendo assistência dentro das necessidades, de modo que o corpo estranho ingerido, provavelmente, será expelido naturalmente. Por isso, até o momento, não há indicação de realização de exames complementares, como por exemplo, a endoscopia mencionada.

A Prefeitura ainda disse que a resolução dos casos de endoscopia infantil é conduzida, por meio do sistema de regulação CROSS, em que o Estado determina a referência para a realização do exame.

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Menino morre após desabamento em casa na Grande São Paulo

Garoto de Francisco Morato chegou a ser levado ao hospital após ser atingido por laje que caiu com terra que desceu de barranco, mas não resistiu.

Por G1

Uma criança morreu no desabamento da laje de uma casa após forte chuva em Francisco Morato, na Grande São Paulo, no final da noite desta quinta-feira (20). A vítima era um garoto de 10 anos, chamado Alexandre. Ele morava com os pais e mais dois irmãos no bairro Jardim São João.

O menino chegou a ser resgatada com vida dos escombros, mas morreu na Santa Casa da cidade. Segundo testemunhas, ele foi retirado dos escombros por vizinhos, que o levaram ao hospital.

A laje da casa não aguentou o peso da lama que desceu do barranco atrás do imóvel e desabou. Testemunhas também contaram que o garoto chegou a sair da casa com a mãe e dois irmãos durante a chuva, mas voltou ao local para buscar roupa.

Outras duas casas desabaram em Franciscos Morato, sem deixar vítimas.

No intervalo de duas horas, a chuva na cidade foi de 68 milímetros. A Defesa Civil mantém equipes nas regiões afetadas, em vistorias em áreas de risco.

Casa onde criança morreu após desabamento causado pela chuva na noite desta quinta-feira (20) — Foto: Reprodução/TV Globo

Casa onde criança morreu após desabamento causado pela chuva na noite desta quinta-feira (20) — Foto: Reprodução/TV Globo

Franco da Rocha

A chuva forte também atingiu Franco da Rocha, que registrou vários alagamentos.

Marginal Tietê

Outra forte chuva durante a madrugada desta sexta-feira (21) afetou a Marginal Tietê, que registrou pontos de alagamentos.

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Aumento do uso de reconhecimento facial pelo poder público no Brasil levanta debate sobre limites da tecnologia

Discussão envolve aspectos jurídicos e técnicos da tecnologia. Nos Estados Unidos e na Europa, onde autoridades e municípios começam a questionar o reconhecimento, discussão já é forte

Por Thiago Lavado, G1

O aumento do uso de reconhecimento facial no Brasil tem levantado uma questão no país que já é comum em outros lugares: quais são os limites dessa tecnologia para a segurança pública?

Alguns dos principais pontos da discussão são:

  • Os problemas jurídicos da tecnologia e uso exclusivo para segurança pública;
  • Os problemas técnicos envolvidos: proteção do sistema e precisão do algoritmo.

No carnaval do ano passado, um homem fantasiado foi preso em Salvador, depois de ser capturado pelo sistema de reconhecimento facial comprado pelo governo da Bahia. Ele era procurado desde 2017 por homicídio. Foi o primeiro caso de grande repercussão de sucesso da tecnologia.

Em 2020, o governo do estado de São Paulo anunciou o uso de um algoritmo para analisar imagens de câmera durante o Carnaval na capital e o Metrô fechou um contrato, ainda no ano passado, de R$ 58 milhões para instalação da tecnologia nas vias paulistas.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a tecnologia de reconhecimento móvel para o Carnaval será fornecida pela prefeitura. Na operação programada para o Carnaval 2020, serão testadas câmeras estrategicamente instaladas e outras acopladas a drones, alimentadas por uma lista com registros de dez mil pessoas desaparecidas e outras 30 mil com mandados de prisão expedidos.

A Justiça ordenou que o Metrô de São Paulo dê detalhes de como será a implementação do projeto — já que muitas informações, como a base de dados, a coleta das informações e estudos sobre eficácia não foram apresentados.

Mas nem todos os casos são de sucessos. No Rio de Janeiro, no segundo dia de uso da tecnologia, uma mulher foi detida por engano após ter sido reconhecida pelas câmeras. Ela foi solta depois. Além do engano no reconhecimento, havia um erro na base de dados — a pessoa com quem ela foi confundida já estava presa, mas essa informação não havia sido atualizada nos registros.

Mulher detida por engano por causa de erro em reconhecimento facial no Rio de Janeiro era inocente

Por causa desse tipo de problema, e por receios de que a tecnologia possa ser usada para perseguição política — como aconteceu durante os protestos de Hong Kong em 2019 — o uso do reconhecimento facial na segurança pública é um debate constante em países democráticos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, cidades como São Francisco e Cambridge já proibiram que essa tecnologia seja usada pela polícia. No início de fevereiro, o Parlamento Europeu disse que não tinha planos de implementar a tecnologia. Do outro lado, a polícia de Londres anunciou recentemente que usaria sistemas de reconhecimento para segurança pública na cidade.

Discussão é técnica e jurídica

De acordo com especialistas, o uso da tecnologia de reconhecimento envolve diferentes barreiras técnicas e jurídicas.

Do lado jurídico, segundo Adriano Mendes, sócio da Assis e Mendes Advogados, especializado em proteção de dados e de direito digital, a discussão não é sobre a eficácia das ferramentas para segurança e proteção da vida, mas como é feito o cruzamento das informações e de onde elas vêm.

“São bancos de dados públicos ou vêm de redes sociais e aplicativos? Qual é a base e o objetivo desse monitoramento? É de fato a segurança pública ou monitorar horários da população, hábitos de consumo?”, questionou.

De acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que deve entrar em vigor no país em agosto deste ano, informações usadas e coletadas para uso em segurança pública estão excluídas das regras.

Segundo Ivo Corrêa, sócio do XVV Advogados e professor do Insper, a implementação da lei está atrasada — a LGPD só entra em vigor em agosto, depois de ter sido sancionada em 2018 —, e a falta de uma autoridade que pudesse nortear discussões sobre dados é sentida quando discutimos assuntos como reconhecimento facial e uso na segurança pública, algo não previsto na lei.

“Temos uma insegurança quanto à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O ideal seria que a autoridade já existisse e pudesse dar direcionamentos sobre a implementação desses sistemas”, afirmou.

Para Rafael Zanatta, coordenador de pesquisas na Data Privacy Brasil, organização de defesa da privacidade digital, é preciso que a administração pública faça demonstração de necessidade e avaliação de impacto da tecnologia de reconhecimento facial — algo que não foi feito no processo do Metrô e levou aos questionamentos da Defensoria Pública e de grupos como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

“Temos um problema grave de segurança pública, as cidades sofrem com um problema estrutural. Mas isso não nos leva a abandonar ideias democráticas de segurança, de sabermos o porquê, de avaliar necessidade”, disse. “O poder público tem que fundamentar decisões.”

Em termos técnicos, além de detalhes sobre funcionamento da plataforma, banco de dados e segurança do ambiente de instalação, também é preciso garantir que a tecnologia evite os “falsos positivos”, como o que aconteceu no Rio, citado no início da reportagem. Além da certeza de que o sistema é inviolável a ataques e alterações nas bases de dados.

“Do ponto de vista de um atacante, os possíveis vetores de ataque [ao sistema de reconhecimento facial] são vários: retirar pessoas do banco de dados, incluir pessoas no banco de dados ou roubar as informações. Esses casos podem ser gravíssimos”, explica Sandro Suffert diretor do conselho da Apura, empresa especializada em cibersegurança.

Para ele, é necessário que os governos façam auditorias e tenham transparência na hora de implementar essas tecnologias, assim como têm com outras informações públicas. “A tecnologia pode estar boa, mas se o processo [guardar informações, fazer a segurança do sistema] tiver uma falha é um problema”.

Afinal, como funciona?

Via de regra, os sistemas de reconhecimento facial fazem uma leitura dos rostos em tempo real — caso do sistema baiano e do projeto do Metrô em São Paulo — ou comparam uma imagem de sistema de monitoramento, um “quadro” do vídeo, por exemplo, com imagens de um banco de dados, como no projeto proposto para o carnaval paulistano.

Para fazer a análise, o sistema lê diversos pontos do rosto, levando em conta as diferenças que as pessoas guardam umas para as outras. Os algoritmos funcionam de maneira distinta e por isso podem ter resultados e mesmo uma base de funcionamento diferente.

Polícia vai começar a usar sistema de reconhecimento facial para identificar criminosos durante carnaval em São Paulo

“Nossos rostos são tão únicos quanto nossas digitais. As características faciais incluem distância entre as pupilas, tamanho do nariz, formato do sorriso e recorte da mandíbula. Quando os computadores usam fotografias para mapear essas características eles criam a fundação para uma equação matemática que pode ser acessada por algoritmos”, explicam Brad Smith e Carol Ann Browne, dois executivos da Microsoft, que escreveram o livro “Tools and Weapons” (Armas e Ferramentas), sobre diferentes usos das tecnologias.

Nesse sentido, quanto maior o número de sensores e tecnologias envolvidas, melhor o funcionamento da tecnologia. Usando o caso dos smartphones, por exemplo, aqueles que contam com sensores de reconhecimento facial têm mais certeza dos resultados do que aqueles que contam apenas com uma câmera frontal.

Apesar disso, especialistas apontam que existem problemas no treino e na precisão do reconhecimento. No final de 2019, uma pesquisa do governo dos Estados Unidos, que analisou mais de 200 algoritmos, apontou que vários deles continham falhas e vieses contra determinados tipos de população, como pessoas de origem asiática, negros e nativos americanos.

Isso acontece porque, muitas vezes, a tecnologia original é treinada em um local específico que nem sempre representa uma amostra diversa da população.

Há ainda o problema que algoritmos de reconhecimento facial têm diferentes graus de acurácia e precisão. Eles podem gerar falsos positivos, quando pessoas inocentes são reconhecidas como criminosos, ou falsos negativos, quando um criminoso passa despercebido.

Para os especialistas consultados pela reportagem, isso requer um trabalho diferenciado da polícia, com novas maneiras de abordar pessoas pegas no reconhecimento facial, usando a tecnologia como um dos elementos de uma investigação mais ampla.

Na obra de Smith e Browne, os autores deixam uma reflexão sobre confiança em tecnologia. “A polícia pode recorrer excessivamente a essa ferramenta para identificar um suspeito sem refletir que o reconhecimento facial, como toda tecnologia, nem sempre funciona perfeitamente”, escrevem. “Qual papel queremos para essa inteligência artificial na nossa sociedade?”.

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Passageiros fazem protesto e bloqueiam sistema BRT, na Zona Oeste do Rio

Impedidos de circular, cerca de 30 ônibus formaram longa fila provocando extenso congestionamento na Av. Dom João VI. Às 9h06, o consórcio BRT informou que a manifestação foi encerrada e que os serviços estão em processo de normalização.

Por Bom Dia Rio

O tráfego no sistema BRT foi bloqueado na manhã desta sexta-feira (21) na Zona Oeste do Rio, interrompendo a circulação de ônibus.

Centenas de usuários fecharam a Estação Mato Alto, em Guaratiba, Zona Oeste do Rio, em protesto contra a precariedade do serviço.

São muitas as reclamações dos passageiros: atraso, superlotação, ônibus quebrados, buracos nas pistas, entre outros diversos problemas.

Às 9h06, o consórcio BRT informou que a manifestação foi encerrada e que os serviços estão em processo de normalização.

Cerca de 30 ônibus do BRT formaram uma longa fila antes da estação onde o protesto era realizado. Por conta disso, um extenso congestionamento se formou na Avenida Dom João VI por volta das 8h50.

Policiais militares e guardas municipais foram chamados ao local para tentar negociar a liberação da estação.

Em nota, o Consórcio BRT informou que o bloqueio interrompeu as viagens entre as estações Dom Bosco (Recreio) e Santa Cruz. Também disse que enviou agentes de segurança para “dialogar com os manifestantes a fim de restabelecer os serviços do BRT e normalizar os intervalos no corredor Transoeste”.

No comunicado, o consórcio disse que “entende todas as reivindicações feitas pelos passageiros” e alegou a necessidade de “que todos os envolvidos cumpram suas obrigações contratuais” para garantir a qualidade do serviço.

Passageiros fecharam a estação Mato Alto do BRT, na Zona Oeste, bloqueando a circulação dos ônibus na manhã desta sexta-feira (21) — Foto: Reprodução

Passageiros fecharam a estação Mato Alto do BRT, na Zona Oeste, bloqueando a circulação dos ônibus na manhã desta sexta-feira (21) — Foto: Reprodução

Segundo o BRT, falta fiscalização por parte da prefeitura, tanto em relação ao tráfego quanto às estações, o que impacta negativamente a operação do sistema. Alegou ainda que “as condições já precárias das pistas exclusivas” foram agravadas pelas chuvas, o que aumentou a quantidade de veículos danificados diariamente. Também enfatizou a ação de vândalos, que já depredaram 153 ônibus este ano.

O BRT acrescentou, por fim, que a média de 70 ônibus parados por dia para manutenção em 2019 saltou para 100 este ano. “Contamos com a prefeitura para que essa questão seja resolvida o mais rápido possível e, assim, a frota consiga ser recuperada”.

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Com impacto de Brumadinho, Vale tem prejuízo de R$ 6,6 bilhões em 2019

Desempenho da mineradora em 2019 foi o segundo resultado negativo da empresa registrado nos últimos 20 anos.

Por G1

Vale informou nesta quinta-feira (20) que registrou prejuízo de R$ 6,672 bilhões no ano passado. O resultado foi influenciado pela tragédia de Brumadinho, que deixou 259 mortos e 11 desaparecidos.

O desempenho da mineradora em 2019 foi o segundo resultado negativo da empresa registrado nos últimos 20 anos. O último prejuízo da empresa foi apurado em 2015. Em 2018, a empresa reportou lucro de R$ 25,657.

A Vale explicou, em relatório, que o prejuízo foi provocado, principalmente, pelas provisões e despesas de reparação relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho. Veja os principais fatores:

  • Provisões e despesas de reparação do rompimento da Barragem I, incluindo a descaracterização de barragens (R$ 10,3 bilhões) e provisões e despesas incorridas (R$ 18,5 bilhões).
  • Provisões relacionadas à Fundação Renova (R$ 2,0 bilhões).
  • Descaracterização da barragem de Germano (R$ 1,0 bilhão).
  • Baixa contábil nas operações de níquel na Vale Nova Caledônia, devido a problemas de produção e processamento (R$ 10,3 bilhões).
  • Baixa contábil nas operações da mina de Moatizes, em Moçambique (R$ 6,9 bilhões).

Com a tragédia de Brumadinho, a mineradora chegou a perder bilhões em valor de mercado, mas conseguiu recuperar a confiança dos investidores e mitigou boa parte do impacto financeiro da tragédia.

Os investimentos da companhia sofreram uma leve redução no ano passado. Ao todo, somaram US$ 3,704 bilhões, abaixo dos US$ 3,784 bilhões de 2018.

Produção em queda

No ano passado, a produção de minério de ferro da Vale somou 301,97 milhões de toneladas, queda de 21,5% na comparação com 2018, em meio a paradas de produção devido às consequências do rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

No quarto trimestre, a mineradora produziu 78,344 milhões de toneladas de minério de ferro, recuo de 22,4% ante o mesmo período de 2018. Já na comparação com o 3º trimestre, a queda foi de 9,6%.

Dívida continuou caindo

O endividamento da companhia continuou caindo em 2019. No ano, a dívida líquida totalizou US$ 4,880 bilhões, uma redução de US$ 4,770 bilhões em comparação com 2018 (US$ 9,650 bilhões). “A redução da dívida líquida deveu-se, principalmente, à forte geração de caixa ao longo do ano”, destaca a companhia, em relatório.

Já a dívida bruta foi de US$ 13,056 bilhões, queda de US$ 2,410 bilhões em relação ao ano anterior, em decorrência do pagamento líquido de dívidas no valor de US$ 2,270 bilhões relacionadas à recompra antecipada de bonds (títulos emitidos pela empresa) durante o ano.

Resultado do quarto trimestre

No quarto trimestre, a empresa reportou prejuízo de R$ 6,408 bilhões. O prejuízo da Vale entre outubro e dezembro é explicado, em parte, pelas despesas com a tragédia de Brumadinho. No quatro trimestre, elas somaram R$ 4,689 bilhões.

No mesmo período, a receita da companhia somou R$ 41,019 bilhões, acima do observado nos três meses imediatamente anteriores (R$ 40,664 bilhões).

Remuneração aos acionistas

Após três dias à tragédia de Brumadinho, o Conselho de Administração da Vale suspendeu a remuneração aos acionistas.

“Em 2019, a Vale registrou uma perda de R$ 6,7 bilhões e, não havendo, portanto, obrigatoriedade de distribuição de remuneração mínima, de acordo com a legislação brasileira”, disse a empresa.

No dia 19 de dezembro de 2019, a Vale aprovou a distribuição de R$ 7,2 bilhões de lucros e dividendos aos seus acionistas. Porém, esse valor só será liberado em “momento oportuno”.

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Senador Cid Gomes tenta entrar em batalhão da polícia com retroescavadeira e é baleado

Policiais estavam em batalhão por conta de um motim para reivindicar aumento salarial em Sobral (CE). Hospital diz que senador não corre risco de morrer. Inicialmente, a assessoria de Cid disse que ele havia sido atingido por bala de borracha.

Por André Teixeira e Maristela Gláucia, G1 CE

Secretário de Segurança do Ceará acusa PM de fazer motim

Secretário de Segurança do Ceará acusa PM de fazer motim

O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na tarde da quarta-feira (19) em um motim de policiais para reivindicar aumento salarial em Sobral (CE). Cid pilotava uma retroescavadeira e tentava furar um bloqueio feito por policiais no 3º Batalhão da Polícia Militar do município.

O Hospital do Coração informou que o estado de saúde de Cid é estável e que não há risco de morte. O senador licenciado está em observação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta. Um boletim médico divulgado nesta quarta, às 19h40, afirma que ele está “lúcido e respirando sem auxílio de aparelhos” e tem “boa evolução clínica”.

Lia Gomes, irmã do político, informou que ele passa bem e que “está sedado para evitar sentir dores e está com uma sonda para drenar o ar que entrou no pulmão quando a bala transfixou.” Ainda segundo ela, o senador também está tomando antibióticos para evitar qualquer quadro de infecção.

Boletim médico divulgado pelo Hospital do Coração às 19h40 diz que Cid deu entrada na unidade e, “após atendimento, segue apresentando boa evolução clínica. Seu quadro cardíaco e neurológico não apresenta alteração. Neste momento o paciente encontra-se lúcido e respirando sem auxílio de aparelhos”. O senador realizou tomografia na Santa Casa de Sobral, retornando depois para a UTI do Hospital do Coração, onde deve passar a noite em observação.

O ex-governador Ciro Gomes, irmão de Cid, disse em uma rede social que o senador licenciado “não corre risco de morte”, foi atingido por “dois tiros de arma de fogo” e que os disparos “não atingiram órgãos vitais apesar de terem mirado seu peito esquerdo”.

Senador licenciado Cid Gomes foi baleado ao tentar furar bloqueio de manifestantes em Sobral (CE) — Foto: Reprodução/Globo

Senador licenciado Cid Gomes foi baleado ao tentar furar bloqueio de manifestantes em Sobral (CE) — Foto: Reprodução/Globo

Inicialmente, a assessoria do senador licenciado Cid Gomes disse que ele havia sido atingido por uma bala de borracha. Depois, a assessoria informou que o tiro foi, na verdade, disparado por uma arma de fogo.

Cid Gomes organizava um protesto contra um grupo de policiais que tenta impedir o trabalho da Polícia Militar. Nesta quarta-feira, policiais esvaziaram pneus de carros da polícia para impedir que o trabalho dos agentes de segurança atuem na ruas.

Alguns vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o momento em que Cid Gomes tenta furar o bloqueio com a retroescavadeira e, logo depois, uma pessoa faz os disparos em direção ao senador licenciado, que também quebram os vidros do veículo.

Outras imagens registradas no local também mostram o senador licenciado consciente e com a blusa manchada de sangue após a confusão.

Senador licenciado Cid Gomes é baleado em motim de policiais em Sobral (CE)

Senador licenciado Cid Gomes é baleado em motim de policiais em Sobral (CE)

‘Vocês têm cinco minutos’

Em frente ao bloqueio dos policiais, utilizando uma retroescavadeira, ele pediu que os policiais deixassem o local: “Vocês têm cinco minutos pra pegarem os seus parentes, as suas esposas e seus filhos e sair daqui em paz. Cinco minutos. Nem um a mais”, afirmou Cid, em um megafone.

Na tarde desta quarta-feira, Cid Gomes postou nas redes sociais que estava em Fortaleza e que chegaria a Sobral ainda na quarta, por volta das 16h. No vídeo, Cid afirmou que “quem deveria dar segurança para o povo está promovendo a insegurança, promovendo a desordem” e disse ainda que iria “definir uma estratégia para dar paz”. Sobral é também a cidade natal de Cid Gomes.

Ainda na tarde desta quarta-feira, policiais de Sobral ordenaram que comerciantes fechassem as portas do Centro da cidade.

Os policiais abandonaram o batalhão onde estavam amotinados no início da noite.

Antes da confusão, Cid Gomes conversou com os policiais em frente ao bloqueio montado no quartel militar

Antes da confusão, Cid Gomes conversou com os policiais em frente ao bloqueio montado no quartel militar

Investigação policial

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará diz que o crime contra o senador licenciado será investigado pelo Núcleo de Homicídios da Delegacia Regional de Sobral da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Segundo a nota, a Polícia Federal e a Polícia Civil vão atuar em conjunto e uma equipe do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da PF irá para Sobral. Ainda não há informações em relação a uma eventual prisão ou identificação do autor dos disparos.

O ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) autorizou nesta quarta-feira o envio da Força Nacional para o Ceará por 30 dias, contados a partir desta quinta (20). Antes, o ministério já havia comunicado que enviou equipes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal “para garantir a segurança do senador Cid Gomes”.

“A operação terá o apoio logístico do órgão demandante, que deverá dispor da infraestrutura necessária à Força Nacional de Segurança Pública”, detalha o texto da portaria.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT-CE), diz que já havia solicitado formalmente o apoio de tropas federais para o Ceará aos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo da Presidência) e Sergio Moro (Justiça e Segurança) para uma “ação enérgica contra essas pessoas que têm agido como criminosas”.

Santana afirma ainda que é “inacreditável a extrema violência sofrida pelo senador Cid Gomes, atingido por dois tiros, hoje, em Sobral” e que a violência foi “provocada por um grupo de policiais mascarados, amotinados num quartel”.

Repercussão

Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirma que acompanha o caso “com preocupação” e que solicitou informações ao ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança) e ao governador Camilo Santana (PT-CE) para “obter informações e garantir a segurança” de Cid.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou uma nota em que condena tanto “a escalada de confronto e violência” com os disparos contra Cid Gomes quanto os atos de “agentes mascarados aterrorizando a população e ordenando o fechamento de estabelecimentos comerciais”. “Neste momento, faz-se necessário que autoridades, associações e representantes das instituições policiais tenham serenidade e responsabilidade para encontrar saídas pacíficas e dentro da legalidade.”

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), usou as redes sociais para se pronunciar sobre o tumulto. O gestor da capital falou sobre o “espírito público” de Cid e demonstrou indignação pelos “atos inaceitáveis de criminalidade”, referindo-se aos atos de alguns policiais militares em protesto por reajuste salarial.

Cid Gomes é baleado em Sobral — Foto: Arte/G1

Cid Gomes é baleado em Sobral — Foto: Arte/G1

Resumo:

Invasão de batalhões policiais

Um grupo de policiais que reivindica aumento salarial e é contrário à proposta do governo de reestruturação da carreira da categoria realiza desde terça-feira (18) atos que a Secretaria da Segurança do Ceará considera “vandalismo” e “motim”.

Ainda nesta terça, três policiais foram presos por cercarem veículo da polícia e furarem os pneus. Segundo o governo do estado, o ato é uma tentativa ilegal de impedir a atuação de policiais.

Nesta quarta-feira, pelo menos quatro batalhões da Polícia Militar foram invadidos por homens mascarados. Eles retiraram veículos policiais das bases militares e rasgaram os pneus com objetos cortantes.

O governo do estado anunciou a abertura de processo disciplinar contra mais de 200 policiais dissidentes. Também anunciou que solicitou o reforço da Força Nacional e cortou o repasse de verba para associações policiais que, de acordo com o governo, apoiam os atos grevistas.

Reivindicação salarial

Parte dos policiais do Ceará realiza atos por reivindicação de aumento salarial. Uma proposta do governo do estado tramita na Assembleia Legislativa do Ceará é elevar o salário-base de um soldado dos atuais R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil. O aumento de R$ 1,3 mil ocorre de forma progressiva, até 2022.

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Só oito prefeitos de capitais chegam ao último ano do mandato com situação fiscal confortável

Levantamento da consultoria Tendências mostra que as prefeituras de Rio Branco, Palmas, Boa Vista, Curitiba, Porto Velho, Vitória, Aracaju e Manaus são as que estão com as contas públicas mais ajustadas.

Por Bianca Lima e Luiz Guilherme Gerbelli, GloboNews e G1

A maioria dos prefeitos das capitais entrou no último ano dessa gestão com pouca margem de manobra nas contas públicas. Dos 26 municípios, apenas oito estão com uma situação fiscal confortável.

O quadro das finanças dos municípios foi detalhado pela primeira vez num estudo realizado pela consultoria Tendências. Pelo levantamento, as prefeituras de Rio Branco, Palmas, Boa Vista, Curitiba, Porto Velho, Vitória, Aracaju e Manaus são as que estão com as contas públicas mais ajustadas.

As prefeituras receberam notas de 0 a 10 com base em seis indicadores: endividamento; poupança corrente, liquidez, resultado primário, despesa com pessoal e encargos sociais e investimentos. Cada item recebeu um peso diferente e, em seguida, foi feita uma média para cada.

Pelo levantamento, os municípios com boa capacidade fiscal precisam ter nota média igual ou acima de 6. Para ser considerado com muito boa capacidade, a nota tem de ultrapassar 8.

Fragilidade das contas públicas — Foto: Arte/G1

Fragilidade das contas públicas — Foto: Arte/G1

“No caso das capitais, o quadro é bastante heterogêneo. Dá para ver que muitas delas refletem um pouco a situação fiscal dos Estados”, afirma o economista e responsável pelo estudo, Fabio Klein.

Um levantamento similar, focado nas contas estaduais, mostrou que apenas sete governadores lidam com uma situação fiscal confortável. “Nos estados em que a situação fiscal é muito ruim, é normal que a capital também não esteja numa situação muito boa.”

A análise detalhada do levantamento mostra que os problemas dos municípios se concentram basicamente em dois eixos: no baixo gasto com investimento e na elevada despesa com pessoal.

Nos últimos anos, de 2004 a 2018, os dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostram que o número de servidores municipais cresceu 52,5% e chegou a 6,5 milhões.

“Existe um problema comum aos três entes (União, estados e municípios), que é o tamanho do gasto obrigatório e com pessoal em relação ao gasto total”, diz Klein. “E quando a gente fala em gasto obrigatório – que o governo tem de pagar e não consegue ter a decisão de reduzir, mudar – faz com que haja pouco espaço e recurso para o investimento.”

A baixa capacidade de investimento afeta em cheio a vida do cidadão com a piora da provisão dos serviços públicos. O estudo da Tendências ainda mostra que apenas as prefeituras de Boa Vista e Manaus tiveram uma taxa de investimento superior a 10%.

Taxa de investimento das capitais — Foto: Arte/G1

Taxa de investimento das capitais — Foto: Arte/G1

“No caso dos municípios, uma parte importante dos investimentos depende (da ajuda) da União e dos estados. Se as prefeituras não estiverem com as suas finanças em ordem, fatalmente os investimentos vão ficar muito baixos”, afirma Klein.

E o quadro dos investimentos não deve mudar tão cedo, diante do peso que o gasto com pessoal vai continuar a exercer no orçamento dos municípios. Neste ano, por exemplo, os prefeitos vão ter de lidar com o aumento de 12,84% no piso nacional dos professores.

Municípios em calamidade

Neste ano, um estudo da CNM mostrou que centenas de cidades brasileiras estão próximas do colapso financeiro. De acordo com o levantamento, 229 prefeitos devem decretar calamidade nas contas públicas em 2020.

O número esperado para este ano é bem maior do que o observado em 2019, quando 69 prefeituras emitiram esse tipo de decreto.

Na prática, o dispositivo serve para alertar governos estaduais, União e sociedade de que serviços públicos municipais serão afetados, devido à crise financeira, mas não exime o gestor local da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

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Pedidos de pesquisa mineral em terra indígena são quase 3,5 mil, embora atividade seja proibida

Agência Nacional de Mineração acumula 3.481 requerimentos com essa finalidade. Governo enviou ao Congresso projeto que regulamenta atividades como mineração em área indígena.

Por Fábio Amato, G1 — Brasília

Embora a exploração de terras indígenas ainda não tenha sido regulamentada, a Agência Nacional de Mineração (ANM) acumula milhares de pedidos de autorização para pesquisa mineral nessas áreas.

De acordo com a agência, 3.481 requerimentos reivindicam autorização para pesquisa em 620 terras indígenas. Esse número supera o de garimpos legais no restante do país (2.469).

A ANM recebe pedidos de autorização para pesquisa mineral em qualquer parte do território brasileiro. Embora não assegure o direito à exploração, a regra atual prevê que ganha o direito de prioridade quem primeiro formaliza o requerimento para uma determinada área.

projeto do governo Jair Bolsonaro que regulamenta a exploração de terras indígenas, encaminhado ao Congresso no começo de fevereiro, prevê que os pedidos de autorização de pesquisa mineral nesses territórios vão perder a validade assim que a regulamentação entrar em vigor.

Ou seja, quem já fez o pedido à ANM com o objetivo de guardar lugar na fila para exploração de terras indígenas, não deve ter esse direito reconhecido.

A pesquisa mineral é a primeira fase para a exploração de uma área. Se a pesquisa comprovar que o minério buscado existe e que a extração é viável, o interessado faz um relatório e envia à ANM.

Só depois disso é que pode vir a receber a autorização para explorar o local.

Pedidos nulos

G1 questionou o Ministério de Minas e Energia sobre o risco de ações na Justiça questionarem o dispositivo do projeto que determina a perda de validade dos pedidos de autorização.

Em nota, o ministério informou que considera esses pedidos “nulos” porque a lei que cria a permissão de lavra garimpeira, de 1989, estabelece que seus efeitos não se aplicam às terras indígenas.

“A judicialização é fenômeno inerente a questões controvertidas, mas o governo federal tem plena convicção de que, se não há direito a embasar o pedido, não há como entender que aqueles que requereram a permissão de lavra garimpeira em locais vedados pela lei possuem prioridade sobre os eventuais postulantes albergados pela legislação”, informou o ministério.

O MME avaliou que o número de pedidos de autorização de pesquisa mineral para terras indígenas recebidos pela agência até agora “parece equilibrado”, mas informou que prevê “um incremento substantivo na demanda por permissões de lavra garimpeira nesses territórios a partir da regulamentação”.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa empresas do setor de mineração industrial, considera que “o destino” dos pedidos já apresentados à ANM “é serem indeferidos” pela agência.

Para o Ibram, é “adequada” a iniciativa do governo de regulamentar a mineração e outras atividades nas terras indígenas.

“A iniciativa do governo é adequada e deve ser apoiada pela sociedade. Afinal, este tema do desenvolvimento de atividades produtivas em terras indígenas foi aprovado pela própria população e seus representantes na Assembleia Constituinte há mais de 30 anos”, afirmou o instituto.

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Governo começa a avaliar servidor em abril e planeja regulamentar demissão por baixo desempenho

Projeto-piloto no Ministério da Economia servirá de base para avaliação de todos os servidores. Norma atual não prevê dispensa por mau desempenho. Governo quer discussão no Congresso.

Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Ministério da Economia iniciará em abril um projeto-piloto de avaliação de servidores públicos no âmbito da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital.

O programa será voltado a ocupantes de cargos DAS 4, 5 e 6 (mais bem remunerados), segundo portaria publicada no “Diário Oficial da União” na semana passada.

De acordo com o secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal, Wagner Lenhart, 95 ocupantes de cargos no Ministério da Economia serão acompanhados por seis meses, e as avaliações serão baseadas em metas de desempenho e competência.

“O programa-piloto prevê a avaliação dos servidores durante seis meses, a contar do dia 7 de abril. Posteriormente, deverá ser estendido a todos os demais órgãos da administração pública federal direta, autárquica e fundacional”, declarou.

Segundo Lenhart, o novo processo de avaliação não prevê a possibilidade de exoneração por insuficiência de desempenho. Ele defende, porém, que esse debate seja levado adiante no Congresso Nacional (veja detalhes mais abaixo).

Atualmente, o processo de avaliação do desempenho não funciona corretamente, de acordo com o secretário, porque, segundo ele, as avaliações dos servidores, feitas por outros servidores, têm registrado nota média de 9,8 numa escala que chega a 10.

“É uma mera formalidade. E isso é uma das coisas que a gente precisa mudar”, declarou.

Lenhart afirma que o projeto quer “mudar a cultura” do serviço público. Segundo ele, quando se fala em gestão de desempenho, as pessoas relacionam com penalidade, mas o governo entende, neste primeiro momento, que isso deve ser feito no “sentido inverso”, ou seja, dando reconhecimento ao bom servidor.

“Reconhecimento pode ser um bônus, mas pode ser outros tipos de reconhecimento. Incentivos, por exemplo. Para acessar determinados postos, vai ter a possibilidade de ter algum benefício, ou até uma vaga de garagem. Vai poder participar de cursos de formação. E, se o reconhecimento implicar em liderança, vai ter um aumento remuneratório”, afirmou.

De acordo com o secretário, as mudanças no processo de avaliação serão implementadas nos próximos meses por meio de portarias ou decretos presidenciais. Por não se tratar de exoneração de servidores, esses atos legais não precisarão ser encaminhados ao Congresso.

Para Lucieni Pereira, presidente da Associação da Auditoria de Controle Externo do Tribunal de Contas da União, o princípio da eficiência no serviço público é constitucional e, por isso, avalia que não é possível se colocar contra uma avaliação dos servidores e da instituição sobre a prestação de serviços.

“Esse é um dos pontos mais desafiadores de qualquer órgão, seja público ou privado. Mas têm de haver meios impessoais de avaliação, e de fixação de objetivos possíveis. É preciso que a administração pública não permita que a avaliação seja um instrumento de perseguição, de viabilizar desvios pessoais em relação a integrantes da equipe”, declarou.

Demissão por mau desempenho

Apesar de o governo não prever no programa a demissão de servidores públicos por mau desempenho, Lenhart defende que o tema seja debatido no Congresso, onde já há projetos em tramitação.

“Hoje, não tem possibilidade de exoneração por mau desempenho. Emenda aprovada em 1998 prevê esse desligamento, mas mediante lei complementar [que ainda não foi aprovada]”, declarou.

Em 2017, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou regras que permitem a demissão de servidor público estável por “insuficiência de desempenho”, aplicáveis a todos os poderes, nos níveis federal, estadual e municipal.

Em julho do ano passado, o texto foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) com poucas alterações. A proposta ainda aguarda votação pelo plenário do Senado e, se aprovada, seguirá para análise da Câmara.

“Essa pauta [possibilidade de demissão de servidores por mau desempenho] está com o Legislativo. Já existe interesse de alguns. Esse tipo de tema precisa ser discutido pela sociedade, pelo Congresso, mas hoje o que está posto é que depende da manifestação do Congresso para definir se haverá ou não esse tipo de situação”, declarou Lenhart.

No começo deste ano, o secretário-especial de Desburocratização do Ministério da Economia, Paulo Uebel, responsável no governo federal pela reforma administrativa, que ainda será encaminhada ao Congresso Nacional, defendeu em uma reder social a demissão de servidores por mau desempenho.

Lucieni Pereira, presidente da AUD-TCU, disse que servidores que detêm atribuições exclusivas do Estado, como auditores do TCU, da Receita Federal, agentes e delegados da Polícia Federal, fiscais das agências reguladoras, entre outros, precisam ter independência para trabalhar e, por isso, também necessitam de “critérios e garantias especiais” no momento de sua avaliação.

“Ou a avaliação de desempenho acaba virando instrumento para evitar que um auditoria desenvolva sua função com independência (…) Não pode ter rotatividade nesses cargos. Tem de preservar interesse do Estado. Por isso é uma luta no Congresso [para regulamentar exoneração por insuficiência de desempenho], pois todos servidores querem se inserir nessas atividades”, explicou a auditora do TCU.

Para assegurar que as garantias especiais sejam asseguradas às carreiras típicas de Estado, Lucieni Pereira avaliou que as metas predeterminadas precisam ser críveis, que as avaliações precisam ser feitas por integrantes de cada órgão e, depois, ainda passarem por uma corregedoria.

Processo de avaliação

O projeto-piloto de avaliação de servidores avaliará os funcionários públicos por metas individuais, com peso de 80% do resultado. Nesse caso, as metas estabelecidas serão pactuadas entre o servidor e o superior imediato e “elaboradas em consonância com o planejamento estratégico da unidade”.

O restante da nota, com peso de 20%, se dará com base em “fatores de competência”, que são:

  • autodesenvolvimento;
  • produtividade;
  • relacionamento interpessoal;
  • liderança;
  • compromisso com resultados;
  • adaptabilidade;
  • inovação.

“Conforme for descendo na estrutura hierárquica, vai alterando percentual e dando um peso maior em relação às competências. Quanto for mais baixo o cargo, as competências vão ganhando mais peso”, disse Lenhart.

A “competência” do servidor, nesse projeto-piloto, será avaliada por seu superior imediato (cerca 3/4 da nota) e por subordinados (restante), quando existirem, ocupantes de cargos em comissão DAS de níveis 4, 5 e 6.

Está prevista também a autoavaliação do servidor. Entretanto, segundo a portaria que regulamentou o projeto-piloto, a avaliação realizada pelo próprio avaliado “será apenas para fins de gestão, não compondo o cálculo de pontos no resultado final”.

Pelas regras do programa, será oferecido um plano de capacitação para melhorar seu desempenho aos servidoresque não atingirem 50% do resultado esperado.

“No entanto, o desempenho insuficiente [no projeto-piloto] não implicará a exoneração da função de confiança ou do cargo em comissão. Da mesma forma, o bom resultado não garante a manutenção no cargo ocupado”, informou o Ministério da Economia.

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Velório de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, será aberto ao público

Cerimônia será nesta quinta-feira (20) no Museu da Imagem e do Som (MIS), a partir das 16h. Mestre do terror brasileiro dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes.

Por G1 SP

O velório do ator, diretor e roteirista José Mojica Marins, conhecido pelo personagem Zé do Caixão, será realizado nesta quinta-feira (20) no Museu da Imagem e do Som. A cerimônia será aberta ao público. Ele morreu aos 83 anos, vítima de uma broncopneumonia, nesta quarta-feira (19). O corpo será sepultado no Cemitério São Paulo, às 12h desta sexta-feira (21).

A morte foi confirmada pela filha de Mojica, a atriz Liz Marins, nesta quarta-feira (19). Ele morreu às 15h46, no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo. O cineasta estava internado desde o dia 28 de janeiro para tratar de uma broncopneumonia.

Mestre do terror brasileiro

Filho dos artistas circenses Antonio André e Carmen Marins, José Mojica Marins nasceu no dia 13 de março de 1936, em São Paulo.

Mojica dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes. Seu interesse pelo cinema de terror escatológico começou nos anos 1950, mas foi em 1964, com o filme “À meia-noite levarei sua alma”, que ganhou o apelido de Zé do Caixão.

Seu personagem mais famoso, o agente funerário sádico com roupas pretas, cartola, capa e unhas longas, ainda aparece em “Esta noite encarnarei no teu cadáver” (1967), “O estranho mundo de Zé do Caixão” (1968) e “Encarnação do demônio” (2008).

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Morre aos 83 anos o ator e cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão

Morre aos 83 anos o ator e cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão

Morre Zé do Caixão aos 83 anos

Morre Zé do Caixão aos 83 anos

Zé do Caixão no filme 'Encarnação do Demônio', de 2008 — Foto: Divulgação

Zé do Caixão no filme ‘Encarnação do Demônio’, de 2008 — Foto: Divulgação

Mesmo conhecido como o mestre do terror no cinema brasileiro, Mojica trabalhou com outros gêneros, como aventura, faroeste e pornochanchada. Ele também influenciou o movimento do cinema marginal nos anos 1960.

Quando tinha 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas, que produziu filmes amadores. O primeiro longa-metragem foi “A sina do aventureiro”, de 1958.

Em 1963, escreveu a história de “Meu destino em tuas mãos” e procurou o cineasta Ozualdo Candeias para fazer o roteiro, mas o colaborador não foi creditado.

Zé do Caixão em 'Esta noite encarnarei no teu cadáver', de 1967 — Foto: Divulgação

Zé do Caixão em ‘Esta noite encarnarei no teu cadáver’, de 1967 — Foto: Divulgação

O personagem Zé do Caixão, conforme Mojica contou em várias entrevistas, surgiu para ele durante um pesadelo, em que um homem de capa preta o arrastava para um túmulo.

A primeira aparição do Zé do Caixão no cinema foi em “À meia-noite levarei sua alma”, de 1964. Nos Estados Unidos, ele ficou conhecido como “Coffin Joe”.

Segundo o site oficial do personagem, Josefel Zanatas era o nome verdadeiro de Zé do Caixão. O coveiro era filho de um casal dono de uma rede de agências funerárias.

Por isso, o pequeno Zé do Caixão cresceu como uma criança muito sozinha e discriminada pelos colegas por causa da profissão dos pais.

A biografia ainda diz que Zé do Caixão é um “homem sem crenças, não acredita em Deus nem no Diabo, só acredita nele mesmo, acha que é o único que pode fazer justiça”.

Com o sucesso, o personagem começou a ser confundido com o seu próprio autor. No anos 1990, o Zé do Caixão apresentou o “Cine Trash”, na Rede Bandeirantes.

Ele também comandou um programa de entrevistas no Canal Brasil, “O estranho mundo do Zé do Caixão”, que estreou em 2008 e teve sete temporadas.

Em 2014, José Mojica sofreu um infarto e passou por uma angioplastia e colocou três stents (bubos de metal para melhorar o fluxo sanguíneo da artéria) no coração.

Ele voltou a ser internado no mesmo ano em razão de uma piora nas funções renais. Desde então, ele se manteve mais afastado da mídia.

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