Cardeal australiano nega ter subornado vítima de pedofilia

Da AFP

O cardeal australiano George Pell, atual responsável de Finanças do Vaticano, negou nesta quinta-feira (21) que tenha tentado comprar o silêncio de uma vítima de padre pedófilo. / Foto: ANDREAS SOLARO / AFPO cardeal australiano George Pell, atual responsável de Finanças do Vaticano, negou nesta quinta-feira (21) que tenha tentado comprar o silêncio de uma vítima de padre pedófilo.Foto: ANDREAS SOLARO / AFP

O cardeal australiano George Pell, atual responsável de Finanças do Vaticano, negou nesta quinta-feira (21) que tenha tentado comprar o silêncio de uma vítima de padre pedófilo.

Pell realizou a declaração no momento em que vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos católicos exigem seu depoimento em uma comissão na Austrália que investiga os fatos.

David Ridsdale, vítima aos 11 anos de abusos de seu tio, o padre Gerald Ridsdale, atualmente na prisão, disse à comissão na quarta-feira que contou a Pell, um amigo da família, sobre as agressões sexuais em 1993, e que este tentou comprar seu silêncio.

O cardeal, nomeado em 2014 secretário de Economia do Vaticano pelo papa Francisco, negou em um comunicado a tentativa de comprar o silêncio da vítima ou de favorecer a transferência do padre para outra paróquia.

“Nas últimas 24 horas fui acusado de ser cúmplice de transferir um pedófilo conhecido, de ignorar a denúncia de uma vítima e de suborno”, escreveu Pell em um comunicado, no qual afirma ter ficado “horrorizado” com o relato dos abusos na comissão.

“Estas questões exigem uma resposta imediata e é importante explicá-las, em particular com as manchetes falsas e enganosas”, completou.

Pell, que não é acusado de cometer abusos sexuais, explicou que quando conversou com David, a polícia já investigava Gerald Ridsdale, pedófilo atualmente preso.

“Na época, como agora, apoiei as investigações da polícia. Já fiz uma declaração sob juramento negando as acusações e as reitero”, destacou.

Também negou a transferência do padre pedófilo porque “nunca teria concordado nem participado na decisão de transferir Ridsdale sabendo que havia abusado de crianças”.

Em março de 2014, o cardeal prestou depoimento à comissão australiana (Comissão Real para dar Resposta Institucional aos Abusos Sexuais contra Crianças), criada após uma década de pressões por investigações dos casos de pedofilia no país.

A comissão investigou até o momento os abusos cometidos em locais de culto, orfanatos e escolas.

Esta semana foram abordados os abusos cometidos nos anos 1970 na cidade de Ballarat.

Segundo os depoimentos, todos os meninos com idades entre 10 e 16 anos da escola St Alipius da cidade, onde trabalhavam Ridsdale e outros pedófilos, foram vítimas de abusos.

Uma testemunha apresentou uma fotografia de sua turma, com 33 alunos, e afirmou que 12 deles cometeram suicídio.

Outra vítima, Gordon Hill, descreveu o que chamou de “quartos do terror” no orfanato St Joseph’s Home, onde sofreu abusos sexuais a partir dos cinco anos.

Ele disse que ouviu de uma freira a frase: “O padre quer te purificar”.

Nicky Davis, líder de uma rede de vítimas sexuais de padres, desafiou Pell a comparecer novamente diante da comissão para responder às acusações.

“É totalmente inapropriado responder a declarações sob juramento de corajosos sobreviventes com um comunicado de imprensa que ignora sem piedade sua experiência”, disse.

“Se o cardeal Pell é sincero em suas afirmações e reconhece a gravidade do crime de violação sexual de meninos sem defesa, voltaria de maneira voluntária à Austrália para apresentar provas sob juramento na comissão real”, completou.

Pell afirmou que deseja cooperar totalmente com a comissão.

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