BR-232: Eduardo critica União por impasse na rodovia

Um dia após o Estado desistir oficialmente da polêmica concessão do trecho Recife-Caruaru da BR-232, o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) deu carga política ao tema. Apesar da fase adiantada em que estava o projeto, ele não falou em recuo. Adotou tom de cobrança ao governo federal, da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo Eduardo, apesar da duplicação da rodovia ter saído em 2004, formalmente o governo nunca recebeu a obra, o que impede Pernambuco de reaver o gastos na BR, assumida pelo Estado por convênio. O Estado, diz o governador, tem R$ 200 milhões a receber do governo federal.

A 232 tem polêmicas antes e após o projeto de concessão, uma parceria público-privada (PPP) inédita no País, uma “privatização sem pedágio” de até R$ 2,643 bilhões. Portugal, referência na área, desistiu da ideia por não aguentar a conta.

A BR é ainda um dos maiores tabus políticos do Estado, foco de tensão entre Eduardo e Jarbas Vasconcelos (PMDB), senador e ex-governador. Diante da urgência da obra, a gestão Jarbas assumiu a rodovia por convênio e gastou nela mais de R$ 400 milhões arrecadados com a privatização da Celpe, em 2000. O governo federal prometeu ressarcir o investimento.

Quando a duplicação saiu, foram encontradas falhas no serviço. O Estado e o governo federal se negaram a receber a BR. Sem ressarcimento, em 2007 Pernambuco foi à Justiça contra as empreiteiras, uma delas a Odebrecht. “O Estado nunca recebeu oficialmente a obra. Há uma pendência ainda de R$ 200 milhões do governo federal com o Estado de Pernambuco de recursos estaduais investidos ali”, diz Eduardo.

Jarbas sempre defendeu a privatização e foi criticado duramente por Eduardo nas eleições de 2006. Desde então, a rodovia ficou sem investimentos.

A atual gestão nunca debateu publicamente uma concessão para a BR, até no último dia 1º o JC revelar o estágio adiantado do projeto: a consulta pública, que por lei permite a licitação, já teria início dia 7, surpreendendo todo o Estado.

Desde então, o JC revelou problemas em todo o processo – contradições, falta de transparência e ausência de competição real nas PPPs. Pernambuco, na contramão de outros Estados, tem estudos sigilosos, só divulgados se o projeto for sair do papel, e cada proposta só tem um autor, justamente quem vence a licitação – o grupo Odebrecht já assumiu três PPPs, de 12 que propôs, entre elas a BR-232.

“Em um determinado momento houve uma manifestação de interesse por parte de uma empresa por fazer como PPP. A decisão foi analisar um caminho e outro e a decisão foi fazer como uma obra pública”, afirmou Eduardo.

Abaixo, leia a cobertura completa do JC sobre o assunto, na versão impressa, desde a relevação do projeto, no último dia 1º.

 

Do Jornal do Commercio

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