Aumenta número de mortos e feridos em conflitos na Líbia, diz ONU

Por G1

Os conflitos na capital da Líbia, Trípoli, deixaram 47 mortos e 181 feridos, informou nesta terça (9) a Organização das Nações Unidas (ONU). Os embates na cidade já duram pelo menos três dias. Na segunda-feira, forças do leste do país atingiram o aeroporto de Trípoli com ataques aéreos, e, em seguida, ele foi fechado pelas autoridades do governo local.

Os números apontados pela ONU são mais altos que os anteriores. Segundo o comunicado da entidade, a quantidade parece se referir, na maior parte, de combatentes, mas também inclui alguns civis e dois médicos, afirma a agência de notícias Reuters. A Organização Mundial de Saúde (OMS), órgão de saúde da ONU, informou que o novo levantamento foi constatado por estabelecimentos locais.

Conflitos na Líbia já têm 47 mortos e 181 feridos, segundo a ONU. — Foto: Igor Estrella e Juliane Monteiro/G1

Conflitos na Líbia já têm 47 mortos e 181 feridos, segundo a ONU. — Foto: Igor Estrella e Juliane Monteiro/G1

O país passa por confrontos entre o governo internacionalmente reconhecido, sediado em Trípoli, e o Exército Nacional Líbio (LNA), que tomou o leste do país, com lideranças estabelecidas na cidade de Bengazi. Comandado pelo ex-general Khalifa Haftar, o LNA lançou, na semana passada, um avanço sobre a capital.

Também nesta terça (9), a Reuters informou que um grupo leal ao Estado Islâmico matou três pessoas e sequestrou outra na cidade de Fuqaha, região central da Líbia, a cerca de 830km de Trípoli. A cidade é controlada por combatentes leais a Haftar, diz a agência.

As forças do LNA tomaram o deserto da Líbia no início deste ano, antes de partirem para Trípoli neste mês, onde estão abrigadas na parte sul. O governo do primeiro-ministro, Fayez al-Serraj, busca bloqueá-los com a ajuda de grupos armados que saíram da cidade de Misrata, no litoral, em picapes equipadas com metralhadoras.

Ataques contra civis podem ser crimes de guerra, diz ONU

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça (9) que as partes em conflito na Líbia lembrem de suas obrigações com o direito internacional e assegurem a proteção dos civis. Ela destacou o ataque ao aeroporto de Trípoli na segunda-feira e ressaltou que tais ações, em que os alvos são civis indiscriminados, podem constituir crimes de guerra.

“A população da Líbia está presa entre as diferentes facções do conflito há muito tempo, e os mais vulneráveis ​​sofrem as piores violações dos direitos humanos”, afirmou a ex-presidente chilena em um comunicado.

A ONU decidiu, também nesta terça (9), adiar a conferência no país, que estava prevista para começar no domingo. O enviado especial à Líbia, Ghassam Salamé, disse em comunicado que “não podemos pedir aos líbios que participem de uma conferência sob bombardeios e ataques aéreos, porque temos de garantir que todos aqueles que expressaram a sua vontade de comparecer a este evento histórico possam participar”, disse.

As ofensivas dos últimos dias no país intensificam uma luta pelo poder que fraturou o território desde a derrubada de Kadhafi, em 2011. A guerra ameaça interromper o fornecimento de petróleo e gás, desencadear uma maior migração para a Europa e acabar com as esperanças da ONU para uma eleição.

O líder do LNA, o ex-general Khalifa Haftar, de 75 anos, se considera um inimigo do extremismo islâmico, mas é visto pelos opositores como um novo ditador nos moldes do ditador Muammar Kadhafi, morto em 2011. Ele tem apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos — que o veem como um baluarte contra os islamistas radicais e o apoiam militarmente, de acordo com relatórios da ONU.

Mesmo os Emirados Árabes, no entanto, juntaram-se aos países ocidentais para expressar profunda preocupação com os combates.

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